{"id":7919,"date":"2006-09-28T10:02:00","date_gmt":"2006-09-28T10:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7919"},"modified":"2006-09-28T10:02:00","modified_gmt":"2006-09-28T10:02:00","slug":"re-conhecer-para-ser-tolerante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/re-conhecer-para-ser-tolerante\/","title":{"rendered":"(RE) conhecer&#8230; para ser tolerante!"},"content":{"rendered":"<p>Estes dias t\u00eam sido fecundos na produ\u00e7\u00e3o dos mais diversos coment\u00e1rios ao facto &#8211; o discurso de Bento XVI em Ratisbona &#8211; e \u00e0s reac\u00e7\u00f5es, sobretudo os fundamentalismos degenerados em viol\u00eancia. Tamb\u00e9m o nosso jornal procurou &#8211; ainda hoje mesmo &#8211; dar aos leitores os elementos que considera \u00fateis para uma leitura cr\u00edtica de todo o problema.<\/p>\n<p>Aqueles que procuram equacionar as quest\u00f5es com razoabilidade p\u00f5em em exerc\u00edcio o seu conhecimento das religi\u00f5es, da sua g\u00e9nese, da sua hist\u00f3ria, do seu dinamismo, do seu conte\u00fado, podemos dizer. E \u00e9 com esse conhecimento, mais ou menos not\u00f3rio, que produzem argumentos indicativos dos caminhos do di\u00e1logo e da toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O que me faz vir ao assunto \u00e9 a consci\u00eancia da generalizada ignor\u00e2ncia, por parte das multid\u00f5es, precisamente do cerne &#8211; gen\u00e9tico, hist\u00f3rico, din\u00e2mico, doutrinal\u2026 &#8211; das religi\u00f5es; neste caso, do cristianismo e do isl\u00e3o. E falo das multid\u00f5es de portugueses, em cuja matriz cultural se cruzaram fundamentalmente estas duas religi\u00f5es, acrescidas do juda\u00edsmo. <\/p>\n<p>Quando se discute &#8211; e bem &#8211; como melhorar a Educa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos dez anos em Portugal, parece esquecer-se &#8211; ou pretende ignorar-se &#8211; que esta mistura se encontra no nosso \u2018adn\u2019 cultural. Mas, mais do que isso, ela \u00e9 uma forte realidade do quotidiano na sociedade portuguesa, em virtude dos recentes fen\u00f3menos migrat\u00f3rios. Est\u00e1 mesmo dentro dos espa\u00e7os educativos de relevo, que s\u00e3o as nossas escolas.<\/p>\n<p>Da\u00ed que n\u00e3o se trate de conceder privil\u00e9gios a quem quer que seja incluir nos curr\u00edculos escolares o estudo das religi\u00f5es &#8211; ao menos destas religi\u00f5es, dado que elas s\u00e3o a fonte de muitas outras diversidades de menor import\u00e2ncia. Uma abordagem cultural. Mas tamb\u00e9m a oferta dos seus valores e dinamismos, dos seus conte\u00fados fundamentais, sem proselitismos, naturalmente.<\/p>\n<p>O verniz da neutralidade militante estalar\u00e1, no momento em que possam confrontar-se diverg\u00eancias. Se nos conhecemos, podemos reconhecer-nos. Nessa altura, poderemos dialogar, encontrar motivo de empenhos comuns. E sempre encontraremos, mais do que toler\u00e2ncia passiva, atitudes de respeito e compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, portanto, senhores da Educa\u00e7\u00e3o! \u00c9 imperioso que repensem o lugar dos conte\u00fados, das convic\u00e7\u00f5es, das atitudes religiosas, nos curr\u00edculos, desde os mais tenros anos de vida. Por que raz\u00e3o se h\u00e1-de apagar a identidade pessoal, eliminando a identifica\u00e7\u00e3o das diversidades?&#8230; \u00c9 bem mais construtivo p\u00f4r em sinergia grupos distintos, que se conhecem e se respeitam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estes dias t\u00eam sido fecundos na produ\u00e7\u00e3o dos mais diversos coment\u00e1rios ao facto &#8211; o discurso de Bento XVI em Ratisbona &#8211; e \u00e0s reac\u00e7\u00f5es, sobretudo os fundamentalismos degenerados em viol\u00eancia. 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