{"id":7934,"date":"2006-09-28T10:38:00","date_gmt":"2006-09-28T10:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7934"},"modified":"2006-09-28T10:38:00","modified_gmt":"2006-09-28T10:38:00","slug":"o-presente-e-o-unico-espaco-possivel-de-fidelidade-e-de-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-presente-e-o-unico-espaco-possivel-de-fidelidade-e-de-felicidade\/","title":{"rendered":"&#8220;O presente \u00e9 o \u00fanico espa\u00e7o poss\u00edvel de fidelidade e de felicidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Texto proferido por Mons. Jo\u00e3o Gaspar nos anivers\u00e1rios de D. Ant\u00f3nio Marcelino<\/p>\n<p>Desde que comecei a privar de perto com ele, nunca deixei de admirar a intensidade e a energia de uma vida sem cansa\u00e7o, estando presente onde via ser necess\u00e1rio ou \u00fatil, para estimular tantas e tantas pessoas empenhadas no servi\u00e7o da Igreja, para orientar as consci\u00eancias no caminho certo, para dialogar com os sacerdotes, os di\u00e1conos e os leigos, para transmitir a mensagem crist\u00e3 em confer\u00eancias, palestras, ou simples encontros, para servir na celebra\u00e7\u00e3o de sacramentos ou na presid\u00eancia de sess\u00f5es p\u00fablicas, para acompanhar tanto os sofredores de momentos de infort\u00fanio como os contentes em horas de regozijo.<\/p>\n<p>Um outro sector a que se entregou e continua a entregar \u00e9 o dos meios da comunica\u00e7\u00e3o social. S\u00e3o frequentes as entrevistas e as interven\u00e7\u00f5es, sobre muitos aspectos da vida pol\u00edtica, social, moral e eclesial. Contudo, real\u00e7o a redac\u00e7\u00e3o do primeiro artigo no jornal diocesano \u201cCorreio do Vouga\u201d, pontualmente e sem excep\u00e7\u00e3o publicado semanalmente, logo transcrito por muitos outros peri\u00f3dicos, mesmo di\u00e1rios. Os temas desenvolvidos s\u00e3o sempre actuais; a erudi\u00e7\u00e3o e a compet\u00eancia do autor sobressaem desde a primeira \u00e0 \u00faltima linha. Sempre leu e l\u00ea a vida numa perspectiva humanit\u00e1ria e crist\u00e3, com o fim de estabelecer pontes entre a f\u00e9 a cultura, entre a Igreja e a Sociedade.<\/p>\n<p>\u00c9 por demais conhecido como ele se tem dado e se tem preocupado intensamente com o  rejuvenescimento das comunidades crist\u00e3s, a reforma das estruturas diocesanas e paroquiais, a procura de novos caminhos que se ajustem \u00e0s prementes necessidades actuais. Para consciencializar os crist\u00e3os na urg\u00eancia da miss\u00e3o junto dos crentes e junto dos adormecidos e indiferentes, incentivou o Congresso dos Leigos, lan\u00e7ou e acompanhou os trabalhos do II S\u00ednodo Diocesano e activou a Caminhada Sinodal sobre os Jovens; al\u00e9m disso, promoveu Assembleias Diocesanas e visitou regularmente as par\u00f3quias, as institui\u00e7\u00f5es e as comunidades religiosas.<\/p>\n<p>Voltado, outrossim, para a forma\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana, al\u00e9m de acompanhar de perto a forma\u00e7\u00e3o dos candidatos ao sacerd\u00f3cio e ao diaconado, deu incremento a escolas de diversos graus, como centros sociais para a inf\u00e2ncia e col\u00e9gios do Ensino B\u00e1sico e Secund\u00e1rio; e, com o desejo de preparar leigos para as lides apost\u00f3licas, arrancando-os da monotonia, em 1989 criou o Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas, cuja ac\u00e7\u00e3o se desenvolve em m\u00faltiplos cursos e em v\u00e1rios n\u00edveis. <\/p>\n<p>Pessoalmente, sempre vi D. Ant\u00f3nio Marcelino num esfor\u00e7o cont\u00ednuo de imitar, com vivacidade, o ap\u00f3stolo S. Paulo (I Cor. 9, 22), que se fez tudo para todos, a fim de ganhar alguns, por todos os meios. Com os dons e as virtudes de que \u00e9 enriquecido, com o dinamismo e a alegria que lhe s\u00e3o naturais e com a intelig\u00eancia e a vontade de que \u00e9 dotado, a sua presen\u00e7a em Aveiro foi e continuar\u00e1 a ser marcante. Na mensagem datada no dia em que iniciou o m\u00fanus de primeiro respons\u00e1vel da Diocese, D. Ant\u00f3nio deixou transbordar do cora\u00e7\u00e3o a norma que \u00e9 a sua regra de ac\u00e7\u00e3o; cito essas palavras: &#8211; Ao meu lema da primeira hora &#8211; \u2018Fazer a verdade na caridade\u2019 &#8211; desejo juntar, agora, uma outra palavra do ap\u00f3stolo Paulo, com a consci\u00eancia do que ela exigir\u00e1, todos os dias, de mim e dos meus colaboradores: &#8211; \u2018Darei o que \u00e9 meu e dar-me-ei a mim mesmo pela vossa salva\u00e7\u00e3o\u2019 (II Cor. 12, 15).<\/p>\n<p>Ardendo em desassossego na multiforme ac\u00e7\u00e3o pastoral, sempre em projecto permanente, o nosso Bispo tem-me estimulado a jamais ser indiferente perante uma sociedade em muta\u00e7\u00e3o, onde \u00e9 necess\u00e1rio que a Igreja seja um clar\u00e3o de esperan\u00e7a; continuarei a v\u00ea-lo como algu\u00e9m que constantemente me lembra que a caridade de Cristo me obriga a n\u00e3o parar. <\/p>\n<p>Sr. D. Ant\u00f3nio:<\/p>\n<p>Se hoje \u00e9 o termo de uma etapa da sua vida e da sua vida episcopal, de forma nenhuma desejamos que deponha as armas, porque muito esperamos do seu labor colaborante, do seu conselho prestimoso e da sua amizade fraterna. Decerto que tamb\u00e9m os seus Colegas no Episcopado e o nosso novo Bispo esperam muito da sua disponibilidade. Como at\u00e9 aqui, tamb\u00e9m confiamos na sua prece, para bem do Reino de Deus nas Terras de Aveiro, que s\u00e3o suas e que lhe s\u00e3o muito queridas. Bem haja, pelo incentivo que sempre nos deu e pelo exemplo que sempre nos alentou, mesmo em procurar destruir rotinas sem vida, individualismos sem abertura, tradi\u00e7\u00f5es sem sentido, n\u00e3o tendo complexos em rela\u00e7\u00e3o ao passado, mas respeitando e dialogando com as pessoas. O seu dinamismo sem desalento ajudou-nos a concretizar, cada vez mais, o nosso compromisso crist\u00e3o e sacerdotal ou diaconal\u2026 cada vez melhor, o nosso empenho na voca\u00e7\u00e3o e a nossa caminhada na miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Afinal, na perspectiva dos anos que lhe podem restar de vida &#8211; como escreveu em 25 de Setembro de 2002, no \u201cCorreio do Vouga\u201d &#8211; \u201cn\u00e3o \u00e9 o tempo o principal, mas sim o manter vivo at\u00e9 ao fim o projecto de fidelidade \u00c0quele e \u00e0queles a quem me devo e o permanecer sens\u00edvel aos sinais dos tempos, que tanto denunciam apelos de Deus, como aus\u00eancia de horizontes de transcend\u00eancia. N\u00e3o se pode estar onde se est\u00e1, sen\u00e3o vivo; nem adormecer, nem desistir. O que se viveu antes diz-nos hoje que tudo na vida constituiu certeza, for\u00e7a e esperan\u00e7a para continuar de modo \u00fatil. Quando a nossa raz\u00e3o tem Deus pelo meio, o presente \u00e9 o \u00fanico espa\u00e7o poss\u00edvel de fidelidade e de felicidade\u201d.<\/p>\n<p>Mons. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto proferido por Mons. Jo\u00e3o Gaspar nos anivers\u00e1rios de D. 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