{"id":7971,"date":"2006-09-28T16:56:00","date_gmt":"2006-09-28T16:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7971"},"modified":"2006-09-28T16:56:00","modified_gmt":"2006-09-28T16:56:00","slug":"debate-cientifico-politico-e-etico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/debate-cientifico-politico-e-etico\/","title":{"rendered":"Debate cient\u00edfico, pol\u00edtico e \u00e9tico"},"content":{"rendered":"<p>A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, sem a qual, em muitos campos da vida social, n\u00e3o haver\u00e1 progresso, vem correndo o risco de um fasc\u00ednio estonteante pelos resultados, de um \u00eaxito a qualquer pre\u00e7o, sem prestar aten\u00e7\u00e3o aos meios usados, para os quais h\u00e1, por vezes, balizas \u00e9ticas que n\u00e3o se podem menosprezar. Igual fasc\u00ednio e \u00e2nsia de sucesso atinge os poderes pol\u00edticos, na sofreguid\u00e3o de tirar proveito dos resultados obtidos pelos seus cientistas e dos encargos assumidos nos respectivos projectos.  <\/p>\n<p>A Igreja, quando tem pela frente gente para a qual o verdadeiro humanismo pouco significa ou dele tem apenas uma concep\u00e7\u00e3o limitada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa humana, sua dignidade e direitos inalien\u00e1veis, aparece como \u201cinimiga da ci\u00eancia e do progresso, em virtude da sua interven\u00e7\u00e3o e cuidado, ao levantar problemas \u00e9ticos, mormente quando se trata de alguns campos de investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o visa motivos religiosos. O empenhar-se nesta batalha n\u00e3o tem objectivos religiosos, mas somente a defesa daquele que \u00e9 para si o valor humano supremo: a pessoa, cada pessoa, de qualquer da ra\u00e7a, cor, l\u00edngua, credo religioso ou pol\u00edtico. <\/p>\n<p>No Congresso Internacional  sobre C\u00e9lulas Estaminais, um tema que entre n\u00f3s se tratou quase \u00e0s escondidas e com atropelos lament\u00e1veis, o Papa encorajou a pesquisa cientifica em c\u00e9lulas estaminais adultas. Assim se respeita a vida e se abrem caminhos auspiciosos na procura de rem\u00e9dio para doen\u00e7as at\u00e9 aqui consideradas incur\u00e1veis. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 demais insistir que o verdadeiro debate cient\u00edfico e pol\u00edtico, em mat\u00e9ria t\u00e3o delicada, tem de ser tamb\u00e9m um debate \u00e9tico. O maior bem do homem n\u00e3o permite olhar somente para resultados universalmente v\u00e1lidos, mas obriga a ter em conta os meios usados para os alcan\u00e7ar. Um fim bom n\u00e3o pode justificar meios que, por si, n\u00e3o o s\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que muitos propugnam e praticam. A ci\u00eancia goza de autonomia leg\u00edtima, mas n\u00e3o \u00e9 em si mesma um valor absoluto. Repetimos at\u00e9 \u00e0 saciedade esta nossa convic\u00e7\u00e3o. H\u00e1 sempre gente honesta disposta a n\u00e3o calar a consci\u00eancia. <\/p>\n<p>A desconsidera\u00e7\u00e3o crescente da pessoa humana, em favor de interesses variados, \u00e9 hoje, em muitos sectores da sociedade, uma realidade que n\u00e3o se consegue ocultar. Pessoa e bem comum cederam por vezes, escandalosamente, o seu lugar, por via das arbitrariedades de muitos detentores do poder e do saber, a projectos passageiros,  porventura vistosos, mas inconsistentes e sem garantias futuras.<\/p>\n<p>Sempre que n\u00e3o se aceitam nem se respeitam princ\u00edpios \u00e9ticos e postulados morais s\u00e3os, d\u00e1-se mais um passo para a degrada\u00e7\u00e3o que se vai generalizando. Respeit\u00e1-los \u00e9 contribuir para a humaniza\u00e7\u00e3o das pessoas e das comunidades, tornar o mundo um espa\u00e7o sereno e ditoso, onde a vida se pode viver com limita\u00e7\u00f5es normais e esfor\u00e7os n\u00e3o dispens\u00e1veis, mas tamb\u00e9m com alegria e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do facto consumado, seja a que n\u00edvel for, \u00e9 desrespeitadora das pessoas, dos seus direitos e do seu contributo para um bem maior. S\u00f3 interessa a quem olha apenas para si e para os seus interesses. Quem n\u00e3o se abre a uma participa\u00e7\u00e3o alargada dos implicados, directa ou indirectamente, nos processos que lhe dizem respeito, seja uma participa\u00e7\u00e3o pessoal, seja do alargamento dos conceitos em causa, prejudica sempre a comunidade humana, ou seja, o Estado, a fam\u00edlia, a comunidade e os grupos, o partido pol\u00edtico, as institui\u00e7\u00f5es mais diversas.<\/p>\n<p>Surge assim, para quem o quiser ou for capaz de o entender, a exig\u00eancia \u00e9tica a iluminar e abrir caminhos. N\u00e3o h\u00e1 que ter medo. No meio dos muitos desencontros, pol\u00edticos, religiosos, sociais, h\u00e1 sempre um m\u00ednimo \u00e9tico poss\u00edvel, que pode ajudar a caminhar juntos e a ir sempre mais longe, do que o poder\u00e1 fazer quem quer caminhar sozinho, fazendo, qui\u00e7\u00e1, dos outros apenas o trampolim para os seus fins.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, sem a qual, em muitos campos da vida social, n\u00e3o haver\u00e1 progresso, vem correndo o risco de um fasc\u00ednio estonteante pelos resultados, de um \u00eaxito a qualquer pre\u00e7o, sem prestar aten\u00e7\u00e3o aos meios usados, para os quais h\u00e1, por vezes, balizas \u00e9ticas que n\u00e3o se podem menosprezar. 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