{"id":7975,"date":"2006-10-04T14:41:00","date_gmt":"2006-10-04T14:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7975"},"modified":"2006-10-04T14:41:00","modified_gmt":"2006-10-04T14:41:00","slug":"cultura-ou-capsula-ideologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cultura-ou-capsula-ideologica\/","title":{"rendered":"Cultura? Ou c\u00e1psula ideol\u00f3gica?"},"content":{"rendered":"<p>Vive-se uma permanente tens\u00e3o entre o que era e o que vem, o que uns chamam tradi\u00e7\u00e3o e o que outros chamam evolu\u00e7\u00e3o. Se se olha para tr\u00e1s, entra-se no rol dos conservadores; se se olha para a frente, conquista-se a dignidade de progressista.<\/p>\n<p>A cultura de um povo significa o conjunto de sistemas de valores, de padr\u00f5es, ancestrais, que desenharam a matriz desse povo, a \u201calma\u201d desse povo. Ficar apenas nas ra\u00edzes ancestrais, com o tempo, conduzir\u00e1 o povo \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. A incorpora\u00e7\u00e3o progressiva de novos valores, ao contr\u00e1rio, ampliar\u00e1, aprofundar\u00e1, consolidar\u00e1 a matriz original e transformar-se-\u00e1 em mais valia, que proporcionar\u00e1 o crescimento e a projec\u00e7\u00e3o desse povo.<\/p>\n<p>O que pode suceder, entretanto, \u00e9 que concertos ideol\u00f3gicos, estrat\u00e9gia de grupos de press\u00e3o, gerem e imponham quadros e sistemas de valores que avassalem a alma do povo. E isto hoje \u00e9 tanto mais poss\u00edvel quanto alguns t\u00eam meios eficazes de o conseguir. Refiro-me, obviamente, aos eficientes recursos \u201cvendedores de opini\u00e3o\u201d, revestidos de uma capacidade de fasc\u00ednio e uma inusitada &#8211; e falsa &#8211; \u00e1urea de verdade &#8211; os meios de comunica\u00e7\u00e3o social. <\/p>\n<p>Cria-se, nessas circunst\u00e2ncias, uma c\u00e1psula asfixiante, uma super-estrutura ideol\u00f3gica, que tender\u00e1 as destruir as ra\u00edzes ancestrais das culturas, a desordenar os valores serena e legitimamente incorporados, deixando as culturas em estado de fatal imuno-defici\u00eancia adquirida (a sida cultural), sem qualquer hip\u00f3tese de retorno, nem medica\u00e7\u00e3o de estabiliza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 o risco que hoje corremos, \u00e9 o fen\u00f3meno que hoje come\u00e7amos a viver. A Europa, que deseja ser a Europa das na\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, da diversidade enriquecedora de culturas, que permitiria m\u00fatua assimila\u00e7\u00e3o de valores, est\u00e1 submetida a essa c\u00e1psula asfixiante &#8211; laicismo, relativismo total, neutralidade moral e espiritual militante\u2026 -, verdadeira super-estrutura ideol\u00f3gica, difundida de maneira opressiva pelo poder, pol\u00edtico e informativo, submisso a grupos de cuja for\u00e7a econ\u00f3mica se n\u00e3o duvida.<\/p>\n<p>A \u201calma\u201d dos povos da Europa denuncia j\u00e1 a descaracteriza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, fatal para a sua sobreviv\u00eancia. E a\u00ed est\u00e1 a abertura \u00e0s novas ditaduras, n\u00e3o necessariamente de fora. Os seus genes h\u00e1 muito que encontraram terreno f\u00e9rtil no seio das cobardias europeias, nos seus receios de serem apelidadas de conservadoras ou no gosto doentio de se endeusarem como progressistas.<\/p>\n<p>Nunca como hoje se falou tanto e tanto se promoveu a \u201ccultura\u201d. Mas o que se promove \u00e9 simplesmente a express\u00e3o simb\u00f3lica. E, as mais das vezes, da confus\u00e3o de sistemas de valores, desagregadora, em definitivo, das aut\u00eanticas matrizes culturais. Porque, quando assim n\u00e3o \u00e9, a \u201calma dos povos\u201d identifica-se e tonifica-se!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vive-se uma permanente tens\u00e3o entre o que era e o que vem, o que uns chamam tradi\u00e7\u00e3o e o que outros chamam evolu\u00e7\u00e3o. Se se olha para tr\u00e1s, entra-se no rol dos conservadores; se se olha para a frente, conquista-se a dignidade de progressista. 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