{"id":80,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=80"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-2\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>Cada vez mais sentimos que toda a vida portuguesa rola ao sabor dos apetites da comunica\u00e7\u00e3o social. Quando n\u00e3o h\u00e1 assuntos que saltem \u00e0 vista, n\u00e3o faltam os m\u00e9dia com capacidade para criar factos pol\u00edticos ou outros, normalmente ao sabor dos seus interesses de sobreviv\u00eancia econ\u00f3mica. <\/p>\n<p>Portugal tem andado a viver obcecado com os casos de pedofilia da Casa Pia, que alimentam p\u00e1ginas e p\u00e1ginas de an\u00e1lises, not\u00edcias, pseudonot\u00edcias, e reportagens televisivas e radiof\u00f3nicas. Tudo tem girado em torno disso, mas quando os fogos florestais explodiram, o rumo dos acontecimentos mediatiz\u00e1veis mudou. Este tema, de facto, dominou tudo e todos. N\u00e3o era para menos. <\/p>\n<p>Terminados os fogos, volt\u00e1mos \u00e0 quest\u00e3o que faz vender jornais, ouvir r\u00e1dio e ver televis\u00e3o. Sucedem-se as reportagens, ampliam-se not\u00edcias j\u00e1 divulgadas at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, repetem-se imagens um sem-n\u00famero de vezes e criam-se suspeitas que geram ju\u00edzos temer\u00e1rios. Estamos de novo no caos informativo sobre a Casa Pia. At\u00e9 parece que neste Pa\u00eds nunca houve abuso de menores e taras sexuais.  <\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que falar de gente medi\u00e1tica, eventualmente envolvida no processo da pedofilia, vai sempre ao encontro da curiosidade m\u00f3rbida de certa gente, que alguns m\u00e9dia necessitam de explorar para atra\u00edrem leitores, ouvintes e telespectadores. Pena \u00e9 que n\u00e3o tenhamos a coragem de repudiar esse tipo de jornalismo.<\/p>\n<p>No Ver\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 povoa\u00e7\u00e3o mais ou menos importante que n\u00e3o tenha a sua feira gastron\u00f3mica. \u00c9 assim quase por todo o Pa\u00eds. Autarquias, institui\u00e7\u00f5es culturais, sociais e recreativas, comunidades paroquiais e unidades hoteleiras agarram-se todos ao que Portugal tem de genu\u00edno, como a sua alimenta\u00e7\u00e3o, para oferecer, em clima de festa, aos turistas e simples visitantes de fim-de-semana. <\/p>\n<p>Pelo que temos visto, n\u00e3o faltam clientes. H\u00e1 feiras gastron\u00f3micas que n\u00e3o t\u00eam m\u00e3os a medir, tantos s\u00e3o os interessados em busca dos prazeres oferecidos pelos tradicionais petiscos que v\u00eam dos nossos avoengos. E pelo que sabemos, h\u00e1 quem fa\u00e7a quil\u00f3metros e mais quil\u00f3metros para degustar receitas quase a serem engolidas pela \u201cfast food\u201d t\u00e3o pr\u00f3pria da vida apressada que levamos, quantas vezes sem gosto que preste.<\/p>\n<p>Hoje, e aqui, sentimos ser nossa obriga\u00e7\u00e3o apoiar quem ousa apostar na preserva\u00e7\u00e3o da nossa identidade, onde cabe, com todas as honras, a gastronomia, que vem, com sabores ancestrais, de quantos nos precederam. Contudo, \u00e9 bom n\u00e3o esquecer que a nossa identidade, em risco de se diluir no seio de uma Europa economicista e caoticamente liberal, n\u00e3o se pode resumir ao que de bom se come e bebe entre n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais sentimos que toda a vida portuguesa rola ao sabor dos apetites da comunica\u00e7\u00e3o social. Quando n\u00e3o h\u00e1 assuntos que saltem \u00e0 vista, n\u00e3o faltam os m\u00e9dia com capacidade para criar factos pol\u00edticos ou outros, normalmente ao sabor dos seus interesses de sobreviv\u00eancia econ\u00f3mica. Portugal tem andado a viver obcecado com os casos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-80","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}