{"id":8006,"date":"2006-10-04T17:41:00","date_gmt":"2006-10-04T17:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8006"},"modified":"2006-10-04T17:41:00","modified_gmt":"2006-10-04T17:41:00","slug":"educacao-o-problema-sou-eu-proprio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/educacao-o-problema-sou-eu-proprio\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o: o problema&#8230; sou eu pr\u00f3prio"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> Era uma vez\u2026 uma escola, uma professora, os meninos e as meninas, e uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>Um certo dia, a senhora professora ouviu algumas palavras a que os seus ouvidos n\u00e3o estavam habituados. N\u00e3o queria acreditar naquilo que ouvia. Supunha ela, como boa educadora que era, que os seus alunos eram incapazes de dizer barbaridades. Era e \u00e9 habitual o uso de determinadas palavras que, por estarem para al\u00e9m da \u201cmedida\u201d normal, se chamam palavr\u00f5es. Palavras grandes, que nunca s\u00e3o grandes palavras. A professora, muito sens\u00edvel \u00e0s regras da boa educa\u00e7\u00e3o, sentiu-se como que agredida, e, consciente da sua miss\u00e3o de educadora, chamou a crian\u00e7a e despertou-lhe a aten\u00e7\u00e3o para o que ela tinha dito. Assim mesmo, correc\u00e7\u00e3o adequada na hora certa. Por\u00e9m, a sua interven\u00e7\u00e3o de nada valeu, porque, nos dias seguintes, l\u00e1 continuava a ouvir a mesma ladainha. Resolveu ent\u00e3o, na linha de um verdadeiro projecto educativo, chamar a m\u00e3e da crian\u00e7a em causa.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, solicitada pela senhora professora \u2013 na altura ainda havia alguma considera\u00e7\u00e3o por aqueles ou aquelas que ensinavam e aturavam os filhos dos outros \u2013, l\u00e1 foi, pressurosa, \u00e0 escola. Era uma escola prim\u00e1ria. Sauda\u00e7\u00f5es muito respeitosas, como manda a boa educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, minha senhora, o que \u00e9 que se passa?<\/p>\n<p>&#8211; Olhe, diz a professora tentando minimizar o problema, o seu filho diz para a\u00ed umas asneiritas. Veja l\u00e1 se ele consegue p\u00f4r um trav\u00e3o na l\u00edngua.<\/p>\n<p>&#8211; Ai sim, senhora professora, ai esse filho\u2026 diz dessas coisas? Deixe esse c\u2026 chegar a casa que eu j\u00e1 o \u2026 (trato).<\/p>\n<p>A professora quereria ter ficado surda. Perplexa e surpreendida por ter ouvido muito mais do que aquilo que o garoto dizia, corou e concluiu:<\/p>\n<p>&#8211; Pronto, minha senhora, mas n\u00e3o lhe bata, n\u00e3o?!<\/p>\n<p>Estava tudo entendido. N\u00e3o havia raz\u00e3o para castigo, a n\u00e3o ser que fosse para a m\u00e3e, porque o mal n\u00e3o estava no garoto, mas estava em casa: E como ningu\u00e9m d\u00e1 o que n\u00e3o tem, \u2026 com exemplos destes\u2026<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 uma fantasia, n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e1bula, mas um acontecimento ver\u00eddico. A senhora professora est\u00e1 agora com noventa e tal anos.<\/p>\n<p>Porque h\u00e1 tantos casos semelhantes, eu podia mesmo acabar aqui, e toda a gente entenderia aonde quero chegar.<\/p>\n<p>Todavia, quero ir um pouco mais longe.<\/p>\n<p>&#8211; Afinal, o que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Diz-se por a\u00ed que hoje j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o. Dantes \u00e9 que era! <\/p>\n<p>Pergunto:<\/p>\n<p>&#8211; Havia mais educa\u00e7\u00e3o ontem do que hoje? Haver\u00e1 hoje mais educa\u00e7\u00e3o do que ontem?<\/p>\n<p>O dantes e o hoje nada alteram, porque educa\u00e7\u00e3o \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, ontem como hoje.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um conjunto de regras, mais ou menos militares, com maior ou menor dose de etiqueta e protocolo; a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um simples conhecimento de regras de boa educa\u00e7\u00e3o, nem um rol de determina\u00e7\u00f5es sociais ou religiosas, dentro dos par\u00e2metros comportamentais de uma sociedade somente preocupada com aquilo que parece bem ou fica mal. <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que eu assumo como fazendo parte do meu projecto de vida, \u00e9 uma atitude interior, assumida e livre, que gera comportamentos coerentes, \u00e9 a descoberta dos valores que me apontam um caminho de responsabiliza\u00e7\u00e3o por todos as minhas palavras, pensamentos e atitudes. A educa\u00e7\u00e3o sou eu pr\u00f3prio. As regras e os princ\u00edpios s\u00f3 me ajudam se eu os assumo, porque, se assim n\u00e3o for, eu n\u00e3o serei mais que uma pe\u00e7a de um r\u00edgido mecanismo, cumpridor ou n\u00e3o-cumpridor.<\/p>\n<p>Conhecer todas as regras da boa educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mesmo que ser educado; conhecer todas as regras do C\u00f3digo da Estrada n\u00e3o significa, nem de perto nem de longe, que eu seja um condutor com civismo; estar por dentro de todas as leis do desporto n\u00e3o me leva, necessariamente, a ser um bom desportista; conhecer, por inteiro, os princ\u00edpios e valores da religi\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o me permite afirmar, com verdade, ser um bom crist\u00e3o.<\/p>\n<p>E isto faz com que a educa\u00e7\u00e3o recebida na mesma fam\u00edlia, nos mesmos bancos da Escola, possa gerar, e gere mesmo, educa\u00e7\u00f5es diferentes, porque o sujeito que faz ou n\u00e3o faz a assimila\u00e7\u00e3o desses valores \u00e9 diferente, indiferente, acolhedor ou adverso; mas a quem educa compete dar palavras e exemplos, mesmo que os seus filhos ou educandos n\u00e3o queiram seguir esse testemunho de vida. <\/p>\n<p>Eu sou educado quando torno meus, com convic\u00e7\u00e3o, os valores que vou descobrindo e os que recebi pela comunica\u00e7\u00e3o dos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8006","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}