{"id":8013,"date":"2006-10-11T17:46:00","date_gmt":"2006-10-11T17:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8013"},"modified":"2006-10-11T17:46:00","modified_gmt":"2006-10-11T17:46:00","slug":"profundidade-educativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/profundidade-educativa\/","title":{"rendered":"Profundidade educativa"},"content":{"rendered":"<p>Aquilo que me move n\u00e3o \u00e9 o desgosto confessional, mas sim a profunda convic\u00e7\u00e3o da esterilidade de tantos esfor\u00e7os \u201ceducativos\u201d, a sensa\u00e7\u00e3o de aridez da gigantesca \u201cm\u00e1quina educativa\u201d, que todos pagamos. As ilhas de boas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, de educadores que desenham e assumem projectos educativos com um bem definido menu de valores, de verdadeiras comunidades educativas, desenvolvendo sinergias com os diversos parceiros, flutuam sobre um revolto oceano de desinteresse, de jogos de interesses, mas, sobretudo, de neutralidade poluidora, que impede de ver a profundidade de sentido e cerceia os horizontes de futuro.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que as leis f\u00edsicas que geram a harmonia da natureza requerem um \u201cdever ser\u201d, um ethos: ecol\u00f3gico, biol\u00f3gico, mesmo psicol\u00f3gico e sociol\u00f3gico. A \u00e9tica organiza estes \u201cdever ser\u201d, num sistema que permita uma utiliza\u00e7\u00e3o correcta da natureza, um respeito por toda a forma de vida, com relev\u00e2ncia para a vida humana, um clima social sadio a favorecer o equil\u00edbrio ps\u00edquico das pessoas, um tecido de rela\u00e7\u00f5es salutares.<\/p>\n<p>Acontece que nem sequer este quadro de valores \u00e9ticos naturais informa a maioria das preocupa\u00e7\u00f5es \u201ceducativas\u201d. N\u00e3o h\u00e1 projecto educativo; mas t\u00e3o-somente sistema de instru\u00e7\u00e3o, em desesperada busca de sucesso, igual a compet\u00eancias \u201ct\u00e9cnicas\u201d para enfrentar o mercado de trabalho e servir uma ci\u00eancia e tecnologia desumanizadas.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o profunda do Mundo, da Pessoa humana, da rela\u00e7\u00e3o social, ultrapassam as an\u00e1lises laboratoriais, as observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas e mesmo os dados estat\u00edsticos. A par\u00e1bola do religioso, a linguagem metaf\u00f3rica \u00e9 que permitem penetrar o sentido profundo das realidades. Essa vis\u00e3o torna-se indispens\u00e1vel para se compreender o sentido dos seres e dos fen\u00f3menos &#8211; o ser &#8211; e o consequente \u201cdever ser\u201d, que os respeite, enquadre e desenvolva.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a raz\u00e3o essencial pela qual consideramos frustrados todos os esfor\u00e7os de sucesso educativo, j\u00e1 que, \u00e0 partida, recusam, na sua maioria, esta compreens\u00e3o pr\u00e9via, do mundo, do indiv\u00edduo, da sociedade, sujeitando-se, desse modo, a construir sobre a fluida teia do relativismo.<\/p>\n<p>Educar todos sabemos que \u00e9 diferente de instruir. Educar \u00e9 formar. Formar homens e mulheres com ci\u00eancia e com sabedoria, com compet\u00eancia e com humanidade, com intelig\u00eancia e com sensibilidade. A \u00e9tica natural \u00e9 um primeiro n\u00edvel, poss\u00edvel de se enriquecer com a vis\u00e3o moral resultante de uma leitura religiosa. Com a riqueza de tal vis\u00e3o poder ser plural e inclusiva. Afinal, de que t\u00eam medo os promotores das reformas educativas?&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aquilo que me move n\u00e3o \u00e9 o desgosto confessional, mas sim a profunda convic\u00e7\u00e3o da esterilidade de tantos esfor\u00e7os \u201ceducativos\u201d, a sensa\u00e7\u00e3o de aridez da gigantesca \u201cm\u00e1quina educativa\u201d, que todos pagamos. 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