{"id":8022,"date":"2006-10-11T18:05:00","date_gmt":"2006-10-11T18:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8022"},"modified":"2006-10-11T18:05:00","modified_gmt":"2006-10-11T18:05:00","slug":"o-voluntariado-portugues-cura-as-feridas-de-um-passado-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-voluntariado-portugues-cura-as-feridas-de-um-passado-colonial\/","title":{"rendered":"&#8220;O voluntariado portugu\u00eas cura as feridas de um passado colonial&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas perguntas a Pe Marcelo Siabatti. Mission\u00e1rio salesiano em Angola, onde tem recedido jovens de Aveiro <!--more--> Marcelo Siabatti, 43 anos, mission\u00e1rio salesiano argentino, vive em Angola h\u00e1 15 anos. De passagem por Lisboa, deu um salto a Aveiro, para agradecer \u00e0 diocese os jovens que nos \u00faltimos sete anos t\u00eam feito experi\u00eancias mission\u00e1rias no pa\u00eds africano.<\/p>\n<p>O voluntariado \u00e9 importante para os jovens?<\/p>\n<p>\u00c9 importante que os jovens tenham essa experi\u00eancia. \u00c9 uma fase da vida. N\u00e3o se vive volunt\u00e1rio toda a vida. Mas \u00e9 uma fase muito importante, na qual algu\u00e9m se dedica aos outros.<\/p>\n<p>O mundo do voluntariado \u00e9 um mundo maravilhoso. Os jovens, conscientes das suas capacidades e qualidades, podem contribuir para fazer o bem gratuitamentre. Recebeu da fam\u00edlia, da p\u00e1tria, da Igreja\u2026 e p\u00f5e-se ao servi\u00e7o dos outros, partilhando o que tem.<\/p>\n<p>Vivo num bairro dif\u00edcil, onde n\u00e3o h\u00e1 brancos, para o qual os pr\u00f3prios angolanos olham com desconfian\u00e7a. Mas sentimo-nos muito amados nesse bairro. A presen\u00e7a de jovens volunt\u00e1rios de Espanha, It\u00e1lia, Brasil, Argentina e Portugal est\u00e1 a mostrar que este bairro de risco \u00e9 capaz de acolher qualquer pessoa de qualquer parte do mundo. Confiam os filhos, para brincar, e isso, por exemplo, quebra barreiras e preconceitos que os homens foram impondo. <\/p>\n<p>Um m\u00eas de experi\u00eancia mission\u00e1ria \u00e9 suficiente?<\/p>\n<p>O contributo de um m\u00eas \u00e9 muito pouco, mas os jovens partilham de um trabalho que j\u00e1 existe, regando, continuando a acompanhar. Mas esta experi\u00eancia de um m\u00eas faz parte de um percurso formativo, aqui em Aveiro, onde os jovens, reunindo-se periodicamente, se abrem \u00e0 \u201cmundialidade\u201d, aos problemas dos outros. Este per\u00edodo de um m\u00eas, que poderia ser passado na neve, no mar, d\u00e1 aos jovens a capacidade de se porem ao servi\u00e7o dos outros. O ideal \u00e9 que depois desta experi\u00eancia, possam tamb\u00e9m fazer a experi\u00eancia de um, dois ou tr\u00eas anos de voluntariado. Alguns j\u00e1 est\u00e3o a come\u00e7ar. Seria uma experi\u00eancia mais rica e completa.<\/p>\n<p>Num m\u00eas, como trabalhamos com a juventude e a crian\u00e7ada, eles fazem actividades de tempo livre, refor\u00e7o escolar, apoiam diversos servi\u00e7os da miss\u00e3o, partilham nos grupos juvenis, apoiam na inform\u00e1tica e no ingl\u00eas, enfim, fazem tudo o que est\u00e1 ao alcance deles.<\/p>\n<p>Tem algum significado especial o voluntariado de portugueses em Angola?<\/p>\n<p>Tenho visto como o testemunho de  jovens portugueses cura as feridas de um passado colonial. Muitos angolanos ainda manifestam a dor do tempo colonial. O testemunho de algu\u00e9m que partilha a vida com humildade com as crian\u00e7as cura um conjunto de preconceitos, que s\u00e3o transmitidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. O testemunho de ter convivido com portugueses noutras situa\u00e7\u00f5es, muito positivas, ajuda a curar feridas do passado.<\/p>\n<p>\u00c9 uma experi\u00eancia rica da humanidade e que une os povos. Se mais jovens de Portugal se p\u00f5em ao servi\u00e7o de outras partes do mundo, podem mostrar outro aspecto do cora\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas, capaz de ser solid\u00e1rio, capaz de ser irm\u00e3o, de dar uma m\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas perguntas a Pe Marcelo Siabatti. 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