{"id":8052,"date":"2006-10-12T10:04:00","date_gmt":"2006-10-12T10:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8052"},"modified":"2006-10-12T10:04:00","modified_gmt":"2006-10-12T10:04:00","slug":"somos-todos-candidatos-ao-nobel-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/somos-todos-candidatos-ao-nobel-da-paz\/","title":{"rendered":"&#8220;Somos todos candidatos ao Nobel da Paz&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>D. Ximenes Belo no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura <!--more--> \u201cComo pode um homem falar de paz, quando a sua terra n\u00e3o vive em paz?\u201d D. Ximenes Belo, natural de Baucau, ordenado padre em 1983, bispo em 1988, alvo de tentativas de homic\u00eddio em 1989 e 1991, Nobel da Paz em 1996, falou com serenidade de paz e foi escutado com aten\u00e7\u00e3o por uma centena de pessoas, muitas delas jovens. O Correio do Vouga resume aqui os principais pontos da sess\u00e3o, que decorreu no Centro Universit\u00e1rio, na noite de 4 de Outubro.<\/p>\n<p>4 de Outubro, dia de S. Francisco de Assis, paz com o ambiente<\/p>\n<p>Francisco de Assis foi um santo universal. Com a sua vida e atrav\u00e9s dos seus filhos e filhas, que fazem parte da grande fam\u00edlia franciscana, continua a espalhar pelo mundo a paz e o bem. \u201cIrm\u00e3 morte\u201d, \u201cirm\u00e3o fogo\u201d, \u201cirm\u00e3 terra\u201d, \u201cirm\u00e3 \u00e1gua\u201d \u2013 como ele dizia. Isto diz-nos qu\u00e3o grande amor este santo tinha pela natureza, pela ecologia. Quando falamos de paz, falamos tamb\u00e9m de paz com o ambiente, paz com o universo, paz no respeito pelos rios, pelos mares, pelas montanhas e pelas florestas. Tudo ensinamentos do evangelho e ensinamentos particulares de Francisco de Assis.<\/p>\n<p>Defini\u00e7\u00e3o de paz<\/p>\n<p>A palavra correspondente em hebraico \u00e9 \u201cshalom\u201d. Em \u00e1rabe, \u201cshalam\u201d. N\u00f3s, durante o tempo de ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia, saud\u00e1vamos os nossos irm\u00e3os indon\u00e9sios dizendo \u201cAssalam maleikon\u201d. E eles respondiam \u201cSalam\u201d. A raiz destas palavras \u00e9 \u201cseleimut\u201d, que significa plenitude, perfei\u00e7\u00e3o, felicidade. \u201cShalom\u201d significa isso mesmo. Quando em Israel os rabinos falam de \u201cshalom\u201d, significa uma realidade pr\u00f3xima de Jav\u00e9. Deus \u00e9 sin\u00f3nimo de \u201cshalom\u201d. A paz \u00e9 um dom de Deus e de Jesus Cristo, que depois da ressurrei\u00e7\u00e3o se apresenta dizendo: \u201cDou-vos a paz, a minha paz vos dou\u201d. Ele \u00e9 o princ\u00edpio da paz.<\/p>\n<p>S\u00f3 aus\u00eancia de guerra?<\/p>\n<p>Quando falamos de paz, queremos significar aus\u00eancia da guerra. Por\u00e9m, esta express\u00e3o est\u00e1 muito ultrapassada. Em Portugal, n\u00e3o h\u00e1 guerra. N\u00e3o h\u00e1 rebentamentos de bombas ou morteiros, n\u00e3o h\u00e1 destrui\u00e7\u00e3o de infra-estruturas ou bens necess\u00e1rios. Mas isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja conflitos, n\u00e3o haja viol\u00eancia, n\u00e3o haja \u00f3dio. Quando ligamos a televis\u00e3o, ouvimos falar da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Fala-se dos filhos que batem nos pais, alunos que batem nos professores. Antes, os professores batiam nos alunos. Agora \u00e9 o contr\u00e1rio. H\u00e1 desentendimentos, h\u00e1 desacordos. A paz \u00e9 algo muito mais profundo do que a aus\u00eancia da guerra.<\/p>\n<p>Desenvolvimento da pessoa toda e de todas as pessoas<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, a compreens\u00e3o da paz ganhou uma maior dimens\u00e3o. Paulo VI dizia que a paz significa desenvolvimento integral, equilibrado, progressivo, harmonioso, do homem e da mulher. Podemos igualmente falar do desenvolvimento dos povos. Verificamos grandes diferen\u00e7as entre n\u00edveis de civiliza\u00e7\u00e3o e bem-estar entre o Hemisf\u00e9rio Norte, rico, gordo \u2013 mas velho \u2013, e o Hemisf\u00e9rio Sul, com grandes multid\u00f5es de pobres. Mas, mesmo dentro do Norte, h\u00e1 muitos pobres: cidades e bairros de imigrantes, refugiados, marginalizados, anci\u00e3os. Tudo isto faz pensar que a paz n\u00e3o \u00e9 para todos.<\/p>\n<p>Direitos humanos<\/p>\n<p>Depois de 1948, com a aprova\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, quando falamos de paz queremos significar tamb\u00e9m esse respeito pelos direitos do homens e da mulher, da crian\u00e7a, do anci\u00e3o, direito do ambiente, do universo. Tudo isto significa paz.<\/p>\n<p>O \u00e2mbito da paz significa ainda: cidadania, solidariedade entre pessoas e povos, desenvolvimento equilibrado para todas as regi\u00f5es do mundo, coopera\u00e7\u00e3o internacional, pr\u00e1tica da justi\u00e7a. <\/p>\n<p>Onde come\u00e7a a paz<\/p>\n<p>Paz \u00e9, tamb\u00e9m, paz connosco pr\u00f3prios. O orgulho, a vaidade, o \u00f3dio brotam do cora\u00e7\u00e3o do homem, como nos tem dito S\u00e3o Tiago, nas leituras dos \u00faltimos domingos. Por isso, enquanto dentro de n\u00f3s n\u00e3o houver tranquilidade e perfei\u00e7\u00e3o (em japon\u00eas, a palavra paz significa \u201cmar tranquilo\u201d), claro que n\u00e3o haver\u00e1 paz. O segredo todo est\u00e1 em n\u00f3s. Ent\u00e3o haver\u00e1 paz na fam\u00edlia, na escola, no bairro. O esfor\u00e7o que devemos fazer \u00e9 come\u00e7ar a paz por n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Timor<\/p>\n<p>Estar a falar de paz convosco parece uma incongru\u00eancia, quando na minha pr\u00f3pria terra, sobretudo na capital, que \u00e9 Dili, n\u00e3o h\u00e1 paz. H\u00e1 crispa\u00e7\u00e3o de l\u00edderes, h\u00e1 gangs e grupos que incendeiam, atiram pedras, que n\u00e3o deixam as pessoas dormir em paz.<\/p>\n<p>Vendo Timor nesta crise, parece que todo o trabalho foi em v\u00e3o. Foi um momento feliz ver que Timor seguiu o caminho da independ\u00eancia, mas a independ\u00eancia n\u00e3o representa tudo. H\u00e1 muito trabalho para fazer.<\/p>\n<p>Todos somos candidatos ao Nobel<\/p>\n<p>O dom de Deus que \u00e9 a paz exige da nossa parte um esfor\u00e7o muito grande, um esfor\u00e7o cont\u00ednuo. Embora apenas eu tenha ganho o Pr\u00e9mio Nobel da Paz, somos todos candidatos. Por isso, cada um, segundo as suas possibilidades, saber e prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 promotor e agente da paz. O mundo precisa do esfor\u00e7o de cada um.<\/p>\n<p>A luta continua<\/p>\n<p>Vamos continuar a lutar pela paz. Nunca houve um ano completo sem guerra, apesar de tantos tratados e conven\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o podemos desistir. Como dizia a Fretilin ou Fidel Castro, \u201ca luta continua\u201d. Continua para erradicar o mal, para erradicar sementes de \u00f3dio e de viol\u00eancia e semear uma civiliza\u00e7\u00e3o de amor.<\/p>\n<p>A paz cultiva-se<\/p>\n<p>Todas as coisas t\u00eam de ser ensinadas. \u00c9 fundamental que a fam\u00edlia, a escola, as organiza\u00e7\u00f5es e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social eduquem para paz. A \u00e9tica, a cidadania e os valores humanos t\u00eam de ser cultivados. Se cultivamos os campos para ter couves e cenouras, para termos paz, tamb\u00e9m precisamos de gente que saiba cultivar com ci\u00eancia, t\u00e9cnica e virtudes.<\/p>\n<p>Grandes institui\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Depois das guerras mundiais, as na\u00e7\u00f5es concordaram em formar as Na\u00e7\u00f5es Unidas, que t\u00eam como primeiro objectivo trabalhar a paz. Mas t\u00eam de trabalhar eficazmente. Enquanto a ONU for governada por pa\u00edses que querem impor a sua ideologia, quer de direita, quer de esquerda, do socialismo ou do liberalismo, claro que n\u00e3o haver\u00e1 paz. Por outro lado, temos as religi\u00f5es. Hans Kung dizia que, se as religi\u00f5es entrarem em acordo, haver\u00e1 paz. Se n\u00e3o, haver\u00e1 guerra. Os esfor\u00e7os das grandes institui\u00e7\u00f5es s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis gra\u00e7as aos esfor\u00e7os individuais e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da juventude.<\/p>\n<p>A CPLP (Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua oficial Portuguesa) tem sido solid\u00e1ria com Timor. Os pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa apoiaram durante a ocupa\u00e7\u00e3o; e, ap\u00f3s a independ\u00eancia, integraram a for\u00e7a da ONU.<\/p>\n<p>Papel da l\u00edngua portuguesa<\/p>\n<p>Em Portugal, a l\u00edngua \u00e9 uma s\u00f3, apesar dos sotaques e do mirand\u00eas. Em Timor, no tempo colonial, apenas 8% falavam correcta e correntemente o portugu\u00eas. A grande maioria falava um dos 19 dialectos. Na escola, quando eu era jovem, fal\u00e1vamos o portugu\u00eas na aula, mas no recreio e em casa, cada um falava o seu dialecto.<\/p>\n<p>Durante os 24 anos de ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia, a l\u00edngua portuguesa foi totalmente proibida. Quem falasse ou cumprimentasse em portugu\u00eas apanhava uma bofetada da \u201cinteligentzia\u201d; por isso ningu\u00e9m falava portugu\u00eas. Agora a constitui\u00e7\u00e3o consagra o portugu\u00eas a par do tetum como l\u00edngua oficial. A n\u00edvel do b\u00e1sico, a l\u00edngua est\u00e1 a entrar. A juventude ainda tem mais facilidade em exprimir-se em indon\u00e9sio do que em portugu\u00eas. Agora nota-se um esfor\u00e7o de toda a gente. Havendo televis\u00e3o que cubra todo o territ\u00f3rio e jornais, o portugu\u00eas entrar\u00e1 com mais facilidade. Levar\u00e1 tempo.<\/p>\n<p>Conhecer o outro<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para a paz inclui o aspecto activo e din\u00e2mico de respeitar dialogando, respeitar estudando a cultura dos outros. \u00c9 necess\u00e1rio estudar a geografia, a literatura, a psicologia de outros povos. A educa\u00e7\u00e3o exige abertura.<\/p>\n<p>Paz e desenvolvimento econ\u00f3mico<\/p>\n<p>O bem-estar dos povos inclui naturalmente o desenvolvimento econ\u00f3mico. O bem comum inclui habita\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, alimentos, medicamentos, estradas&#8230; Enquanto n\u00e3o houver satisfa\u00e7\u00e3o dos bens fundamentais, h\u00e1 desequil\u00edbrio e injusti\u00e7a social. A Igreja, em muitas dioceses, tem comiss\u00f5es de Justi\u00e7a e Paz e de \u201chuman development\u201d. Mas, se as na\u00e7\u00f5es econ\u00f3mica e politicamente fortes n\u00e3o conseguem resolver as injusti\u00e7as, quanto mais a Igreja, que vive das esmolas dos seus fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Toler\u00e2ncia m\u00fatua<\/p>\n<p>Os cat\u00f3licos, na Indon\u00e9sia, para constru\u00edrem uma capela levam anos, porque t\u00eam de ter a aprova\u00e7\u00e3o de todo o bairro. Por isso, re\u00fanem na casa de um deles, que lentamente se transforma em capela. Mas, quando \u00e9 apanhado, paga multa ou a capela \u00e9 destru\u00edda. Exigem de n\u00f3s toler\u00e2ncia, mas n\u00e3o s\u00e3o tolerantes. O segredo est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o inter-cultural e intercivilizacional.<\/p>\n<p>O dinheiro e a pol\u00edtica s\u00e3o importantes<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 desastres naturais ou guerras, de onde v\u00eam as primeiras ajudas? V\u00eam da Europa e da Am\u00e9rica do Norte. Da \u00c1sia quanto vem? O capital, o dinheiro, tem a sua raz\u00e3o de ser. \u00c9 importante. Mas \u00e9 importante a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos cidad\u00e3os, a forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes e elites segundo valores humanistas, se queremos revolucionar o mundo.<\/p>\n<p>A paz tem de passar pela ci\u00eancia e pela cultura, mas tamb\u00e9m pela pol\u00edtica, que \u00e1 a vida pr\u00e1tica de cada dia, da \u201cpolis\u201d [cidade], da aldeia, do bairro.<\/p>\n<p>Paz e \u201cmedia\u201d<\/p>\n<p>Os \u201cmedia\u201d s\u00e3o variados e dependem de ideologias e dos meios financeiros. Apenas esperamos que foquem igualmente aspectos positivos. Os aspectos positivos atiram-nos para cima. Ajudam-nos a ultrapassar-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Paz e economia de mercado<\/p>\n<p>Para j\u00e1 temos um grande rio que \u00e9 a economia da concorr\u00eancia. Espero que caminhemos para a economia da solidariedade e da comunh\u00e3o entre os povos do Norte e do Sul. Se falamos da forma\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, devemos tamb\u00e9m falar da forma\u00e7\u00e3o dos economistas.<\/p>\n<p>\u201cUm rapaz do terceiro mundo\u201d<\/p>\n<p>Tive uma juventude pobre. O meu pai morreu cedo. Eu tinha dois anos. Jog\u00e1vamos \u00e0 bola com uma meia ou pap\u00e9is atados com um cordel. Mas tamb\u00e9m jogava ao murro com os meus colegas! N\u00e3o tinha paz! Trabalhava nos nossos campos de arroz e era pastor de b\u00fafalos. A nossa m\u00e3e recordava-nos: \u201cHoje \u00e9 domingo\u201d. E n\u00f3s faz\u00edamos 30 ou 40 km para ir \u00e0 missa. Todas as noites rez\u00e1vamos o ter\u00e7o ajoelhados, diante do orat\u00f3rio. Rez\u00e1vamos, por exemplo, pela paz na Hungria, em 1955\/56. No meio disto, surgiu a ideia de ser padre. Foi a adolesc\u00eancia de um rapaz do terceiro mundo.<\/p>\n<p>O Nobel<\/p>\n<p>Quando anunciaram o Nobel da Paz, eram seis horas em Timor. Eu estava a presidir \u00e0 Eucaristia. Depois da homilia, num momento de sil\u00eancio, entrou um irm\u00e3o coadjutor trazendo um bilhetinho onde estava escrito: \u201cTu ganhaste o pr\u00e9mio Nobel da Paz. A r\u00e1dio acabou de anunciar\u201d. Peguei no bilhete, meti-o no bolso e vamos l\u00e1 de con-tinuar a missa. Depois da comunh\u00e3o, tamb\u00e9m no momento de sil\u00eancio, aparece o vig\u00e1rio-geral e sugere que se diga \u00e0s pessoas que est\u00e3o na missa. \u201cSr. Padre, faz favor de n\u00e3o dizer nada. Acabamos a missa e vamos para casa\u201d, disse eu. Est\u00e1vamos num momento dif\u00edcil. Sabia que isso seria um trunfo nas m\u00e3os dos jovens timorenses, que come\u00e7ariam a gritar \u201cViva a liberdade!\u201d, \u201cViva Xanana Gusm\u00e3o!\u201d e a reac\u00e7\u00e3o podia ser pior. Por isso \u00e9 que actuei desta maneira, at\u00e9 \u00e0 recep\u00e7\u00e3o do pr\u00e9mio, no dia 10 de Dezembro. <\/p>\n<p>Pr\u00f3xima sess\u00e3o do F\u00f3rum Universal:<\/p>\n<p>8 de Novembro, \u00e0s 21h00, no CUFC. Jo\u00e3o de Deus Ramos, ex-embaixador de Portugal na China, \u00e9 o convidado. <\/p>\n<p>Tema: \u201cQue \u2018sonho\u2019 comanda a China?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ximenes Belo no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":["post-8052","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-forum-universal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}