{"id":8109,"date":"2006-10-18T15:20:00","date_gmt":"2006-10-18T15:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8109"},"modified":"2006-10-18T15:20:00","modified_gmt":"2006-10-18T15:20:00","slug":"banqueiro-dos-pobres-ganha-nobel-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/banqueiro-dos-pobres-ganha-nobel-da-paz\/","title":{"rendered":"Banqueiro dos Pobres ganha Nobel da Paz"},"content":{"rendered":"<p>Muhammad Yunus, impulsionador do microcr\u00e9dito <!--more--> \u201cPelos seus contributos em criar desenvolvimento econ\u00f3mico e social a partir de baixo\u201d, o Comit\u00e9 noruegu\u00eas atribuiu o Nobel da Paz 2006 a Muhammad Yunus e ao \u201cBanco da Aldeia\u201d, fundado pelo economista do Bangladesh. O Nobel ser\u00e1 entregue no dia 10 de Dezembro, em Oslo.<\/p>\n<p>27 d\u00f3lares. Muhammad Yunus come\u00e7ou com esta quantia, em 1974, uma experi\u00eancia que hoje afecta positivamente 500 milh\u00f5es de pessoas. A ideia do microcr\u00e9dito \u2013 empr\u00e9stimo de pequenas quantias a pessoas exclu\u00eddas da banca tradicional \u2013 era antiga, mas s\u00f3 com este professor de economia do Bangladesh, formado nos Estados Unidos, foi posta em pr\u00e1tica de modo sustentado. Para isso fundou o Grameen Brank (\u201cBanco da Aldeia\u201d), que at\u00e9 hoje emprestou 4,5 mil milh\u00f5es de euros a 6 milh\u00f5es de pobres. Actualmente, tr\u00eas mil institui\u00e7\u00f5es praticam o empr\u00e9stimo de pequenas quantias a quem n\u00e3o oferece garantias, mas tem vontade e uma ideia (em Portugal: Millennium BCP e Caixa Geral de Dep\u00f3sitos). A l\u00f3gica \u00e9 esta: os pobres precisam de cr\u00e9dito, n\u00e3o de esmolas ou subs\u00eddios. E os resultados t\u00eam sido excelentes. N\u00e3o s\u00f3 os pobres saem da pobreza, como os bancos recuperam o dinheiro. A taxa de cumprimentos dos encargos \u00e9 de 99%, muito superior ao que se passa na banca tradicional. <\/p>\n<p>Numa entrevista que o Correio do Vouga citou na edi\u00e7\u00e3o de 16 de Novembro de 2005, M. Yunus explicou a raz\u00e3o do sucesso do microcr\u00e9dito: \u201cSabe porque falham muitas medidas de combate \u00e0 pobreza? Porque se olham os pobres como gente diminu\u00edda, pouco esperta, for\u00e7osamente pregui\u00e7osa, a precisar de seguir os conselhos dos que s\u00e3o mais ricos. Isso \u00e9 totalmente falso. Os pobres sabem melhor do que ningu\u00e9m do que precisam exactamente, para sair da pobreza. (&#8230;) Quase sempre tiveram apenas menos sorte e menos instru\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o menos inteligentes. Sabem, ali\u00e1s, muito melhor rentabilizar os seus talentos e lutar pela sobrevi\u00eancia. Tal como um rico que queria tornar-se empres\u00e1rio, precisam de cr\u00e9dito, mas dispensam subs\u00eddios e esmolas.\u201d<\/p>\n<p>Muhammad Yunus, 66 anos, defende que os economistas se centrem mais na \u201cpobreza das pessoas\u201d do que na \u201criqueza das na\u00e7\u00f5es\u201d e costuma deixar bem claro que nunca d\u00e1 esmolas, embora desta vez j\u00e1 tenha dito que dar\u00e1 metade da sua parte do Pr\u00e9mio (os 1,1 milh\u00f5es de d\u00f3lares s\u00e3o divididos por Yunus e o Grameen Bank) ao pr\u00f3prio banco. <\/p>\n<p>Microcr\u00e9dito em Portugal<\/p>\n<p>Em Portugal, existe microcr\u00e9dito desde 1998, com a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Direito ao Cr\u00e9dito, mas s\u00f3 em 2005, Ano Internacional do Microcr\u00e9dito, esta pr\u00e1tica conquistou mais visibilidade. Entretanto, o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social prometeu rever o enquadramento legal, de modo a facilitar o microcr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Para saber mais: www.microcredito.com.pt.<\/p>\n<p>Justifica\u00e7\u00e3o do comit\u00e9 do Nobel<\/p>\n<p>\u201cMuhammad Yunus revelou ser um l\u00edder capaz de transformar a sua vis\u00e3o em ac\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o benef\u00edcio de milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o apenas no Bangladesh, mas em muitos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Conceder empr\u00e9stimos a pessoas pobres sem qualquer garantia financeira parecera uma ideia imposs\u00edvel (&#8230;)<\/p>\n<p>Todos os indiv\u00edduos t\u00eam o potencial e o direito de viver uma vida decente. Em muitas culturas e civiliza\u00e7\u00f5es, Yunus e o Grameen Bank mostraram que at\u00e9 o mais pobre dos pobres pode trabalhar para alcan\u00e7ar o seu desenvolvimento. (&#8230;)<\/p>\n<p>O microcr\u00e9dito revelou-se uma for\u00e7a libertadora em que sobretudo as mulheres t\u00eam de bater-se contra condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e sociais repressivas. (&#8230;)\u201d<\/p>\n<p>Erradicar a pobreza e a exclus\u00e3o social<\/p>\n<p>A erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da exclus\u00e3o social \u00e9 indiscutivelmente um dos principais desafios do desenvolvimento e dos direitos humanos do nosso s\u00e9culo, havendo uma consciencializa\u00e7\u00e3o crescente que \u00e9 imperioso conciliar o desenvolvimento econ\u00f3mico com a coes\u00e3o e justi\u00e7a social. (\u2026)<\/p>\n<p>Portugal det\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds mais desigual na UE e de portador de maior \u00edndice de pobreza relativa, com (\u2026) 2 milh\u00f5es de portugueses a viver em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. (\u2026)<\/p>\n<p>Importa caminhar na luta contra a pobreza e exclus\u00e3o com um des\u00edgnio expl\u00edcito: de que \u00e9 poss\u00edvel atingir a meta da erradica\u00e7\u00e3o! A erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da exclus\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 um mito, n\u00e3o \u00e9 uma utopia, \u00e9 um desafio e um des\u00edgnio que exige o compromisso de todos!<\/p>\n<p>Excertos da mensagem da REAPN (Rede Europeia Anti Pobreza \/ Portugal) para o Dia Internacional para a Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza, 17 de Outubro<\/p>\n<p>Coment\u00e1rios<\/p>\n<p>O que Muhammad Yunus viu nas pessoas do bairro de lata pelo qual tinha de passar todos os dias a caminho da universidade de Daca [Bangladesh], foi pessoas trabalhadoras, engenhosas e empreendedoras, limitadas no seu crescimento pela gan\u00e2ncia de usur\u00e1rios, ou dos fornecedores de mat\u00e9rias-primas. (&#8230;) Ver a realidade para al\u00e9m dos clich\u00e9s culturais, cient\u00edficos ou outros que a justificam e impedem de ver nela as potencialidades que a podem transformar, \u00e9 um modo de olhar habitualmente reservado aos g\u00e9nios, aos artistas, aos criadores. (&#8230;) Antecipo que o discurso de Yunus na cerim\u00f3nia de entrega do Nobel da Paz ser\u00e1 um texto memor\u00e1vel. Simples, bem-humorado, certeiro. Atrav\u00e9s dele ser\u00e3o muitos milh\u00f5es de seres humanos a festejar o caminho que trilharam para sair da pobreza.<\/p>\n<p>Jorge Wemans, fundador da ANDC<\/p>\n<p>P\u00fablico, 14-10-06<\/p>\n<p>\u201cPaulo VI afirmou que \u00abo novo nome da Paz \u00e9 o desenvolvimento\u00bb, e o microcr\u00e9dito tem essa filosofia\u201d (\u2026) N\u00e3o se trata apenas de \u201cmanter a subsist\u00eancia das pessoas, mas dar-lhes mecanismos para que elas consigam progredir. (\u2026) A micro-economia \u2013 aquela que recebe um pequeno empr\u00e9stimo para o relan\u00e7amento na vida \u2013 consegue fazer mais maravilhas que a macro-economia\u201d. <\/p>\n<p>Eug\u00e9nio da Fonseca, Presidente da C\u00e1ritas Portuguesa, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ecclesia<\/p>\n<p>O Pr\u00e9mio Nobel da Paz n\u00e3o poderia ser mais bem atribu\u00eddo. Sem p\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 paz, sem paz n\u00e3o h\u00e1 direitos individuais. (&#8230;) [Os bancos tradicionais] s\u00e3o conhecidos por \u201cemprestar um guarda-chuva quando est\u00e1 sol e pedir que o devolvam quando come\u00e7a a chover\u201d. (&#8230;) O Grameen Bank, fundado por Muhammad Yunus, empresta o guarda-chuva quando a tempestade \u00e9 violent\u00edssima. E tem garantido o pagamento de 99% dos seus empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Helena Garrido<\/p>\n<p>Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 14-10-06<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muhammad Yunus, impulsionador do microcr\u00e9dito<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-8109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}