{"id":8111,"date":"2006-10-18T15:23:00","date_gmt":"2006-10-18T15:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8111"},"modified":"2006-10-18T15:23:00","modified_gmt":"2006-10-18T15:23:00","slug":"pais-que-mimam-de-mais-sao-maus-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pais-que-mimam-de-mais-sao-maus-pais\/","title":{"rendered":"Pais que mimam de mais s\u00e3o maus pais"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> Dizer que os pais mimam de mais os seus filhos pode parecer uma afirma\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m apegado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o tradicional, baseada na autoridade, disciplina e exig\u00eancia. Mas diz\u00ea-lo depois em 300 p\u00e1ginas recheadas de exemplos, estudos e casos, j\u00e1 n\u00e3o transmite uma imagem de retrocesso ou conservadorismo.<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos e s\u00e9culos, a viol\u00eancia f\u00edsica fez parte dos m\u00e9todos educativos. Basta lembrar um preceito b\u00edblico de entre muitos poss\u00edveis: \u201cA vara e a correc\u00e7\u00e3o d\u00e3o sabedoria; mas o jovem abandonado \u00e0 sua vontade \u00e9 a vergonha da sua m\u00e3e\u201d (Prov\u00e9rbios 29,15). Depois passou-se para o extremo oposto. Da educa\u00e7\u00e3o desapareceu a viol\u00eancia (ainda bem!) e, com ela, a autoridade (ainda mal). E o que ficou? Ficaram pais que n\u00e3o sabem estabelecer limites nem impor disciplina, pais que n\u00e3o sabem dizer \u201cn\u00e3o\u201d, porque pensam que \u201cpor levantarem a m\u00e3o ou at\u00e9 a voz para um filho correm o risco de fracassar miseravelmente como pais e de destruir a crian\u00e7a\u201d. Ficaram filhos que \u2013 \u00e9 um caso \u2013 aos doze anos contratam advogados para levar os pais a tribunal&#8230;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 esse o \u00fanico problema dos pais que mimam de mais. H\u00e1 o \u201ccomplexo de Tarza num liana\u201d, isto \u00e9, pais que balan\u00e7am desvairadamente entre o nunca estar suficientemente presente (por causa da carreira, por exemplo) e o estar demasiado presente. E pais obcecados com o sucesso dos filhos: contratam explicadores de matem\u00e1tica e de leitura, para crian\u00e7as de quatro anos; consultam o psic\u00f3logo sobre qual a melhor pr\u00e9-prim\u00e1ria para o filho de um ano; estudam toda a noite com os filhos para o teste; enfim, foram apanhados pela \u201cepidemia de ansiedade parental cr\u00f3nica na busca da perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Outro dos mimos prejudiciais para as crian\u00e7as \u00e9 a constante preocupa\u00e7\u00e3o com a auto-estima, especialmente presente no ensino: \u201cQueremos eliminar quaisquer sentimentos negativos que as pessoas possam ter relativamente ao n\u00edvel do seu desempenho, independentemente desse desempenho\u201d. E surgem assim os \u201crefor\u00e7os positivos\u201d, como aplausos por palavras ditas, a medalha por ir a um acampamento, uma estrela por ter participado num trabalho escolar&#8230; Acontece que as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o parvas. E, quando \u201ctodos os acontecimentos n\u00e3o importantes se tornam no equivalente a escalar o Evereste\u201d, ela percebe que est\u00e1 diante de uma farsa, e os elogios, em vez de aumentarem, diminuem a no\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias proezas.<\/p>\n<p>Consequ\u00eancia dos pais que mimam de mais e da obsess\u00e3o com o sucesso dos filhos (porque \u201cos nossos filhos s\u00e3o os mais espertos, os mais bonitos, os mais extraordin\u00e1rios do mundo inteiro\u201d) \u00e9 o desaparecimento da brincadeira, a verda-deira profiss\u00e3o das crian\u00e7as. Inscritas em todas as actividades poss\u00edveis e imagin\u00e1rias, n\u00e3o resta tempo para ser crian\u00e7a. \u201cBrincas com a Barbie?\u201d \u2013 pergunta uma m\u00e3e \u00e0 amiga da filha. \u201cOh, n\u00e3o, ando demasiado ocupada para brincar com a Barbie\u201d \u2013 responde a menina de seis anos. Conclui a autora: \u201cValorizamos muit\u00edssimo a felicidade como sendo um objectivo para os nosso filhos, mas perdemos de vista os ingredientes que criam essa felicidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPais que mimam de mais\u201d reflecte em primeiro lugar a realidade norte-americana, mas n\u00e3o est\u00e1 muito distante da realidade portuguesa. O hor\u00e1rio superpreenchido das crian\u00e7as, a preocupa\u00e7\u00e3o pela seguran\u00e7a (que faz a crian\u00e7a andar de adulto em adulto, de m\u00e3o em m\u00e3o), a transfer\u00eancia da ansiedade dos pais para os filhos (na abertura das aulas, por exemplo), o quarto dos brinquedos (al\u00e9m do quarto normal, j\u00e1 igualmente cheio de brinquedos), os \u201cpequenos dita-dores\u201d&#8230; s\u00e3o tudo situa\u00e7\u00f5es facilmente identific\u00e1veis nos nossos meios.<\/p>\n<p>Muitos pais, temendo que a op\u00e7\u00e3o por uma educa\u00e7\u00e3o com disciplina e autoridade (e n\u00e3o viol\u00eancia) seja catalogada como \u201ctradicionalista\u201d, t\u00eam aqui uma \u00f3ptima justifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o mais avan\u00e7ados do que os que mimam de mais.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Pais que mimam de mais<\/p>\n<p>Diane Ehrensaft<\/p>\n<p>Lua de Papel<\/p>\n<p>320 p\u00e1ginas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-8111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8111\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}