{"id":8118,"date":"2006-10-18T15:39:00","date_gmt":"2006-10-18T15:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8118"},"modified":"2006-10-18T15:39:00","modified_gmt":"2006-10-18T15:39:00","slug":"o-verbo-permanecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-verbo-permanecer\/","title":{"rendered":"O verbo permanecer"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia <!--more--> \u00c9 dif\u00edcil permanecer livre perante n\u00f3s mesmos e perante os outros. Ali\u00e1s, o verbo permanecer \u00e9 um dos mais \u00e1rduos de conjugar. Permanecer livre, permanecer fiel, permanecer atento ou permanecer firme numa decis\u00e3o, s\u00e3o atitudes extraordinariamente exigentes e, da\u00ed, a import\u00e2ncia do olhar dos outros. <\/p>\n<p>Permanecer no amor \u00e9, porventura, o maior desafio de todos, mas \u00e9, tamb\u00e9m, o que nos leva mais longe. Falo do amor no sentido total e n\u00e3o apenas do amor rom\u00e2ntico, embora este desperte em n\u00f3s sentimentos mais imediatos e urgentes, por assim dizer. <\/p>\n<p>E tamb\u00e9m falo do amor, porque o tema desta semana mostra claramente que tudo come\u00e7a e acaba no amor.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo do amor, vale a pena escrever s\u00f3 mais umas linhas para lembrar que, se nos amarmos mal a n\u00f3s pr\u00f3prios, tamb\u00e9m n\u00e3o seremos capazes de amar bem os outros. Importa, por isso, determo-nos na qualidade do amor que trazemos em n\u00f3s e focar melhor o olhar. Para dentro e para fora, quero dizer.<\/p>\n<p>Ver com olhos de ver implica desistir de nos procurarmos onde n\u00e3o estamos e de nos vermos como n\u00e3o somos. Complicado? Talvez nem tanto.<\/p>\n<p>Purificar a imagem que temos  de n\u00f3s pr\u00f3prios e dos que est\u00e3o \u00e0 nossa volta passa por limpar o olhar e isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com dist\u00e2ncia cr\u00edtica e liberdade interior.<\/p>\n<p>O facto de termos tantas vezes um olhar distorcido sobre a realidade faz com que se multipliquem os equ\u00edvocos. Como \u00e9 dos equ\u00edvocos que nasce muita intoler\u00e2ncia, \u00e9 grave persistir no erro de n\u00e3o tentar perceber o que mais nos distorce o olhar. Falo do que nos condiciona, de tudo o que limita e, em especial, das ideias pr\u00e9-concebidas. Ter preconceitos \u00e9, porventura, a pior armadilha de todas.<\/p>\n<p>Olhar para n\u00f3s, pegar naquilo que somos, tantas vezes ca\u00f3ticos e contradit\u00f3rios e sermos capazes de assumir os nossos conflitos mais \u00edntimos, tentando sair deles da maneira mais certa \u00e9 um acto de grande coragem. A tenta\u00e7\u00e3o comum, no entanto, \u00e9 \u201cpassar ao lado\u201d ou fingir que n\u00e3o temos todos estes dilemas interiores. O pior \u00e9 que, sempre que olhamos para n\u00f3s de maneira errada, tamb\u00e9m erramos mais em rela\u00e7\u00e3o aos outros. E ficamos com menos margem de liberdade.<\/p>\n<p>Por tudo isto, aproveita-nos mais ver com olhos de ver, identificando o bom, o mau e o assim-assim, do que manter uma esp\u00e9cie de cegueira mais ou menos obstinada.<\/p>\n<p>Claro que nada disto \u00e9 evidente, mas, como algu\u00e9m dizia, \u201co pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver\u201d. \u00c9 aquele que prefere conservar uma atitude autista ou desfocada.<\/p>\n<p>Voltando ao in\u00edcio, \u00e0 quest\u00e3o da liberdade perante n\u00f3s mesmos e os outros, s\u00f3 atrav\u00e9s de um olhar purificado conseguimos ser mais verdadeiros e s\u00f3 sendo mais verdadeiros somos capazes de permanecer fi\u00e9is. A n\u00f3s e \u00e0s nossas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}