{"id":8121,"date":"2006-10-18T15:45:00","date_gmt":"2006-10-18T15:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8121"},"modified":"2006-10-18T15:45:00","modified_gmt":"2006-10-18T15:45:00","slug":"sopro-de-esperanca-num-compromisso-humanitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sopro-de-esperanca-num-compromisso-humanitario\/","title":{"rendered":"Sopro de esperan\u00e7a num compromisso humanit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Um acontecimento da semana alegrou todos quantos t\u00eam os outros no horizonte da sua vida, mormente se mais marginalizados e sofredores. Muhammad Yunus, um homem de um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, o Bangladesh, porque \u201csoube mostrar que era um l\u00edder capaz de transformar as vis\u00f5es em actos concretos para benef\u00edcio de milh\u00f5es de pessoas\u2026\u201d, foi-lhe atribu\u00eddo o Pr\u00e9mio Nobel da Paz 2006.<\/p>\n<p>N\u00e3o o ganhou por um passe de magia, mas por um sopro de esperan\u00e7a traduzido em compromisso humanizador e que, pela compet\u00eancia cient\u00edfica e sensibilidade do cora\u00e7\u00e3o, se tornou servi\u00e7o efectivo aos menos protegidos da sociedade. O microcr\u00e9dito ficar\u00e1 na hist\u00f3ria como uma das iniciativas mais bem sucedidas e mais humanas, a favor da pobreza que ro\u00e7a a mis\u00e9ria. N\u00e3o se trata de uma teoria bonita, mas de uma pr\u00e1tica concreta e geradora de vida e de confian\u00e7a. De um projecto de desenvolvimento humano e social, nascido da solidariedade que ajuda a entender que a paz \u00e9 fruto da justi\u00e7a e projecto sempre a realizar-se.<\/p>\n<p>Vai-se repetindo, aparentemente com convic\u00e7\u00e3o, que as pessoas s\u00e3o mais importantes que as coisas e o ser est\u00e1 acima do ter. Por\u00e9m, algu\u00e9m disse a prop\u00f3sito, que ningu\u00e9m est\u00e1 totalmente convencido do que diz. Afirma-se o princ\u00edpio, mas logo depois, com serenidade e desfa\u00e7atez, se age em sentido contr\u00e1rio. <\/p>\n<p>Esta atitude que se vai generalizando, mostra bem que a sociedade se envolveu em contradi\u00e7\u00f5es flagrantes a que j\u00e1 n\u00e3o se reage, porque a doen\u00e7a se tornou contagiante.<\/p>\n<p>Quando se toma consci\u00eancia desta contradi\u00e7\u00e3o, a que bem se pode chamar mentira social, umas vezes subtil, outras despudorada, logo se tenta, de mil modos, explicar o que se faz e n\u00e3o se faz. H\u00e1 sempre raz\u00f5es para o justificar, mesmo que n\u00e3o se consiga apagar a evidente contradi\u00e7\u00e3o entre o dizer e o fazer, entre a explica\u00e7\u00e3o e a coer\u00eancia. <\/p>\n<p>Mais preocupante ainda \u00e9 ver que a sociedade se deixou enredar nesta teia e parece estar satisfeita. <\/p>\n<p>As pessoas acima das coisas! Mas como se entende isto numa sociedade corro\u00edda por um consumismo exacerbado, em que o sup\u00e9rfluo de uns n\u00e3o sente o m\u00ednimo inc\u00f3modo com a mis\u00e9ria que mora ao lado? Como, se ouvimos que 250 mil portugueses esperam por um cirurgia e que muitos vir\u00e3o a ser chamados depois de terem morrido? Como, se assistimos a um decl\u00ednio preocupante da natalidade, ao mesmo tempo que quem governa se vai empenhar, pessoalmente e em cheio, na legaliza\u00e7\u00e3o do aborto? Como, se grupos corporativos querem para si o imposs\u00edvel, sem olhar ao dever de fazerem o poss\u00edvel a favor da comunidade? Como, se somos bombardeados com os n\u00fameros que comandam as pol\u00edticas, quebrando sempre a corda pelo lado dos mais fracos? Como, se os bancos, com saldos de milh\u00f5es, s\u00e3o duros e inexor\u00e1veis para com os mais necessitados, tirando-lhes o guarda-chuva, como algu\u00e9m escrevia h\u00e1 dias, precisamente quando come\u00e7a a chover? Como, se em alguns servi\u00e7os p\u00fablicos e mesmo particulares, nem sequer a Igreja \u00e9 sempre modelo, se mant\u00e9m um tratamento diferente para as Marias e para as senhoras Donas Marias? Como, se a pobreza real e diversa deixou de nos incomodar e, em vez de ac\u00e7\u00e3o, se multiplicam raz\u00f5es para n\u00e3o agir? Como, se a obsess\u00e3o dos n\u00fameros da finan\u00e7a comanda a vida e trucida os que j\u00e1 vivem a meias? Como, se o compadrio com os que mais podem desvia a aten\u00e7\u00e3o dos que mais precisam?<\/p>\n<p>Solid\u00e1rios nas trag\u00e9dias ocasionais, todos somos capazes de o ser. Solid\u00e1rios no dia a dia, s\u00e3o bem poucos os que arriscam um tal projecto de vida. Esperamos que o sopro se transforme em vendaval de esperan\u00e7a, porque, quer queiramos ou n\u00e3o, as pessoas valem bem mais que as coisas. N\u00e3o o reconhecer ser\u00e1 uma omiss\u00e3o com muitas consequ\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um acontecimento da semana alegrou todos quantos t\u00eam os outros no horizonte da sua vida, mormente se mais marginalizados e sofredores. 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