{"id":8153,"date":"2006-10-26T15:53:00","date_gmt":"2006-10-26T15:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8153"},"modified":"2006-10-26T15:53:00","modified_gmt":"2006-10-26T15:53:00","slug":"e-preciso-relembrar-a-beleza-do-casamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-preciso-relembrar-a-beleza-do-casamento\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 preciso relembrar a beleza do casamento&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa e D\u00e1rio Tavares, pais de tr\u00eas rapazes (14, 6 e 4 anos), ela professora de Ci\u00eancias Naturais, ele vice-director pedag\u00f3gico do Col\u00e9gio Salesiano de S. Jo\u00e3o Bosco &#8211; Mogofores, colaboram na prepara\u00e7\u00e3o de casais para o matrim\u00f3nio cat\u00f3lico h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Desde o fim de Fevereiro, o casal coordena o CPM (Centro de Prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio), na diocese de Aveiro.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o CPM?<\/p>\n<p>Lu\u00edsa Tavares (LT) \u2013 \u00c9 um movimento de leigos cat\u00f3licos, assistidos por sacerdotes, que tem como finalidade principal a promo\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es de prepara\u00e7\u00e3o de noivos para o matrim\u00f3nio. N\u00f3s coordenamos a equipa diocesana, que \u00e9 constitu\u00edda por cinco casais.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma s\u00e9rie de equipas CPM a funcionar na diocese de Aveiro. Como equipa diocesana, estamos ainda numa fase de diagn\u00f3stico, procurando conhecer a realidade que envolve cada equipa da Diocese.<\/p>\n<p>Todos os que pretendem casar passam pelo CPM?<\/p>\n<p>D\u00e1rio Tavares (DT) \u2013 Nem todos. Prestamos este servi\u00e7o a todos os noivos que nos procurem ou nos sejam encaminhados. Existem na diocese outros tipos de prepara\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Como \u00e9 ajudar a preparar o casamento?<\/p>\n<p>LT \u2013 \u00c9 um trabalho importante para eles e para n\u00f3s. Quando, no final, lemos as avalia\u00e7\u00f5es feitas pelos noivos, percebemos que o CPM lhes proporciona uma reflex\u00e3o que ainda n\u00e3o tinham feito. Quando chegam ao CPM, pensam que j\u00e1 abordaram todas as quest\u00f5es no seu namoro. Depois, apercebem-se que h\u00e1 uma s\u00e9rie de assuntos, desde o n\u00famero de filhos \u00e0 sua educa\u00e7\u00e3o, que nunca foram abordados. Outros nunca tinham pensado, por exemplo, nisto: \u201cO que \u00e9 que Deus tem a ver com o nosso relacionamento e casamento?\u201d Nesse confronto de ideias, revelam-se aspectos da personalidade ou dos projectos que nunca tinham sido pensados.<\/p>\n<p>Vai ganhando for\u00e7a a ideia de que, quando os noivos chegam \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 tarde de mais. Concordam?<\/p>\n<p>DT \u2013 A prepara\u00e7\u00e3o para o casamento passa por tr\u00eas etapas. A primeira \u00e9 a Fam\u00edlia. \u00c9 no ber\u00e7o, quando, como pedia o Papa Jo\u00e3o Paulo II, a Fam\u00edlia se torna aquilo que \u00e9, que se entende o Amor e se descobre Deus, se aprende a conhecer e a aceitar o outro como ele \u00e9, a reconhecer o seu lugar e o dos outros, a cuidar dos que mais precisam, os princ\u00edpios b\u00e1sicos da ecologia. Ou seja, aprendemos os valores mais importantes para viver e ser Fam\u00edlia. Depois, h\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o na adolesc\u00eancia e juventude. <\/p>\n<p>Na Inglaterra, Tony Blair sentiu essa necessidade e criou uma quase \u201cdisciplina de CPM\u201d na pr\u00f3pria escola. Na nossa sociedade, \u00e9 frequente pensar-se que todos temos voca\u00e7\u00e3o para o casamento. Portanto, n\u00e3o se sente a necessidade de uma prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. <\/p>\n<p>LT &#8211; Dedicamos tantos anos a adquirir as compet\u00eancias t\u00e9cnicas, profissionais ou acad\u00e9micas e considera-se excessivo passar algumas horas a reflectir e dialogar sobre a Fam\u00edlia que queremos construir. <\/p>\n<p>Apesar de alguns noivos participarem no CPM em data muito pr\u00f3xima do seu casamento, chegam sempre a tempo. Nenhum casal deveria dispensar esta prepara\u00e7\u00e3o para o casamento, pois n\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica ou religiosa o garante das condi\u00e7\u00f5es para o sucesso de um matrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que nenhum casal vai deixar de casar depois de fazer o CPM? J\u00e1 est\u00e1 tudo decidido&#8230;<\/p>\n<p>LT &#8211; N\u00e3o \u00e9 bem assim. Tivemos casais que j\u00e1 nos apareceram duas vezes no CPM. Da primeira vez, n\u00e3o casaram. Chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que algo n\u00e3o estava bem. E voltaram mais tarde, mas com outros noivos.<\/p>\n<p>Do vosso ponto de vista, o que falha na prepara\u00e7\u00e3o para o casamento?<\/p>\n<p>DT \u2013 Passa-se com os noivos o que acontece com muitos crist\u00e3os: a falta de catequese, e, \u00e0s vezes, a ignor\u00e2ncia completa. O Pe. Ant\u00f3nio Torr\u00e3o costuma brincar com uma situa\u00e7\u00e3o. Nos question\u00e1rios que lan\u00e7amos, alguns noivos respondem que t\u00eam todos os sacramentos. \u201cTenho aqui muitos colegas\u201d, diz o Pe Torr\u00e3o, pois se eles t\u00eam os sacramentos todos, t\u00eam tamb\u00e9m o da Ordem&#8230; O problema est\u00e1 na falta de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Precisamos de comunidades vivas que transmitam os valores do Evangelho. Nestas comunidades, a prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio \u00e9 espont\u00e2nea. O CPM ser\u00e1 a\u00ed a \u00abcereja no bolo\u00bb. <\/p>\n<p>LT &#8211; Por outro lado, na cultura dominante, o modelo de \u00abfam\u00edlia\u00bb cultivado diariamente nas telenovelas e filmes, \u00abformadores\u00bb de sucessivas gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o convida \u00e0 vida de fam\u00edlia, apresentando-a como modelo desacreditado e falhado. Que jovem querer\u00e1 isso para si?<\/p>\n<p>O que \u00e9 mais determinante, a mensagem social contra a fam\u00edlia ou a deficiente forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos noivos?<\/p>\n<p>DT \u2013 Fundamentalmente tem que ver com os valores da sociedade. A pessoa casa-se centrada em si pr\u00f3pria. O casamento n\u00e3o sobrevive a isso. Se eu n\u00e3o estou disposto a centrar-me no outro, \u00e9 dif\u00edcil que o casamento funcione. Falta este crescimento. As pessoas crescem fisicamente, mas muitos, com vinte ou trinta anos, continuam infantis ao n\u00edvel dos sentimentos e afectos. Quando se fala da dificuldade de viver o casamento, tem a ver com isto.<\/p>\n<p>E o derrotismo atinge todos&#8230;<\/p>\n<p>DT \u2013 N\u00e3o diria tanto. Mesmo entre casais crist\u00e3os, a beleza do casamento parece esquecida. \u00c9 verdade que \u00e9 dif\u00edcil morrer para si pr\u00f3prio, para gerar a Vida na Fam\u00edlia. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil deixar o seu pr\u00f3prio projecto de vida e construir o projecto de casal. Mas os casais que o fazem e realizam na Fam\u00edlia a sua voca\u00e7\u00e3o d\u00e3o o testemunho de quem vive em plenitude, vivendo sempre em constante P\u00e1scoa, passando da morte \u00e0 vida, antecipando o Para\u00edso.<\/p>\n<p>Os casais procuram casamento cat\u00f3lico sem saberem o que isso significa?<\/p>\n<p>LT \u2013 Alguns sim. Sentem a press\u00e3o familiar, para que o casamento seja religioso; outros, que j\u00e1 vivem juntos, procuram-no para refazer a sua situa\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m existem casais crist\u00e3os que preparam o seu matrim\u00f3nio com toda a convic\u00e7\u00e3o e que a vivem com profundidade e festa.<\/p>\n<p>O mais l\u00f3gico seria que muitos n\u00e3o se casassem pela Igreja&#8230;<\/p>\n<p>DT \u2013 \u00c9. Claramente, \u00e9. Muitas vezes, somos confrontados com isso. H\u00e1 casais a quem apetece dizer: \u201cEste, pela Igreja, n\u00e3o. N\u00e3o se identifica\u201d. \u00c0s vezes, pode um querer e o outro n\u00e3o querer, mas muitas vezes acontece com os dois. Est\u00e3o ali e ningu\u00e9m sabe bem porqu\u00ea.<\/p>\n<p>No entanto, como quiseram casar pela Igreja, ningu\u00e9m os pode impedir&#8230;<\/p>\n<p>DT \u2013 Sim. Mas parece haver motivos, \u00e0 partida, para excluir o casamento. Se um casal casa pela Igreja a ver \u00abse aquilo d\u00e1 ou n\u00e3o d\u00e1\u00bb, de certeza que n\u00e3o vai dar. S\u00e3o candidatos ao div\u00f3rcio. Quando come\u00e7\u00e1mos no CPM, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, diz\u00edamos: aten\u00e7\u00e3o que um quarto dos que est\u00e3o aqui, de acordo com as estat\u00edsticas, vai divorciar-se. Agora dizemos: Aten\u00e7\u00e3o que metade dos que est\u00e3o aqui&#8230;<\/p>\n<p>LT \u2013 E o n\u00famero de casamentos est\u00e1 claramente a diminuir. Quando come\u00e7amos neste trabalho, os grupos de prepara\u00e7\u00e3o eram constitu\u00eddos por seis equipas de treze casais de noivos cada. Agora, cada grupo tem quatro ou cinco casais&#8230;<\/p>\n<p>Na prepara\u00e7\u00e3o do CPM falam da sexualidade. E a\u00ed h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre o planeamento familiar que a Igreja prop\u00f5e e o que os casais seguem&#8230;<\/p>\n<p>DT \u2013 Falamos muito claramente, distinguindo o planeamento familiar da contracep\u00e7\u00e3o. Planeamento familiar faz parte do projecto de vida do casal. Neste projecto, est\u00e3o os filhos, a casa, o trabalho, toda a vida. Nele, \u00e9 preciso pensar a conviv\u00eancia com a fertilidade. Este \u00e9 o primeiro aspecto da quest\u00e3o, porque h\u00e1 uma grande confus\u00e3o entre os dois conceitos. Aceita-se a contracep\u00e7\u00e3o como sendo planea-mento familiar \u2013 e n\u00e3o \u00e9. <\/p>\n<p>Como procedem?<\/p>\n<p>DT \u2013 Um dos temas \u00e9 dedicado ao planeamento familiar. Reflectimos sobre o exerc\u00edcio da maternidade e paternidade respons\u00e1veis. Apresentamos os diferentes m\u00e9todos de controlo da natalidade, incidindo nas vantagens e desvantagens de cada um. Pois consideramos que a decis\u00e3o do casal deve ser uma op\u00e7\u00e3o informada.<\/p>\n<p>Damos testemunho da nossa realidade de casal, da alegria em viver a sexualidade integrada no nosso projecto de vida. Partilhamos com os casais a nossa op\u00e7\u00e3o pelos m\u00e9todos de Planeamento Familiar Naturais e como essa escolha enriqueceu a nossa vida de casal.<\/p>\n<p>Mas sobre os m\u00e9todos naturais paira grande desconfian\u00e7a e ignor\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n<p>LT \u2013Em geral as pessoas n\u00e3o conhecem os m\u00e9todos de planeamento familiar ou, quando muito, t\u00eam destes uma vis\u00e3o de meados do s\u00e9culo passado, desconhecendo os progressos cient\u00edficos entretanto alcan\u00e7ados, bem como a sua efic\u00e1cia. <\/p>\n<p>O contacto com os noivos termina com o CPM?<\/p>\n<p>LT \u2013 Acabam as sess\u00f5es, mas a rela\u00e7\u00e3o com alguns casais novos continua. Encontramo-nos, tomamos caf\u00e9 juntos&#8230; Por vezes, os grupos reencontram-se passado um ano. Alguns casais disponibilizam-se para participar noutros encontros como formadores de CPM e vamos tentar que o maior n\u00famero poss\u00edvel se integre depois nos diferentes movimentos de casais que a Igreja oferece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa e D\u00e1rio Tavares, pais de tr\u00eas rapazes (14, 6 e 4 anos), ela professora de Ci\u00eancias Naturais, ele vice-director pedag\u00f3gico do Col\u00e9gio Salesiano de S. Jo\u00e3o Bosco &#8211; Mogofores, colaboram na prepara\u00e7\u00e3o de casais para o matrim\u00f3nio cat\u00f3lico h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. 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