{"id":8174,"date":"2006-10-26T16:35:00","date_gmt":"2006-10-26T16:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8174"},"modified":"2006-10-26T16:35:00","modified_gmt":"2006-10-26T16:35:00","slug":"na-teoria-ou-na-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/na-teoria-ou-na-pratica\/","title":{"rendered":"Na teoria ou na pr\u00e1tica?"},"content":{"rendered":"<p>Educar&#8230; Hoje <!--more--> Ringue cor de petr\u00f3leo<\/p>\n<p>Estranhei o M\u00e1rio estar t\u00e3o transpirado. O que aconteceu? Esteve a jogar futebol. Estranhei que o M\u00e1rio conseguisse aproveitar os cinco minutos de intervalo para uma futebolada. <\/p>\n<p>Recordei o meu ringue cor de petr\u00f3leo, que n\u00e3o resistiu ao nosso grito de \u201cFERIADOOOOOO!\u201d, e que se agitou nas m\u00e3os da professora de Hist\u00f3ria, que o confiscara dois minutos antes de entrar na sua sala de aula, quando ele andava a circular pelo corredor, num jogo improvisado. A professora restituiu-nos o ringue. N\u00e3o deu \u201cferiado\u201d aos seus alunos, mas deu-nos a n\u00f3s, seus alunos da\u00ed a 60 minutos, a alegria de jogarmos ao ringue nos p\u00e1tios da escola secund\u00e1ria, que frequent\u00e1vamos entusiasmados, h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas!<\/p>\n<p>Passados 28 anos (!), observei a alegria que, a medo, os alunos sentiram, quando ningu\u00e9m substituiu os professores em greve. Estranhei a aus\u00eancia do \u201cgrito do Ipiranga\u201d: \u201cFERIADOOOOOOO!\u201d j\u00e1 n\u00e3o faz parte da g\u00edria destes alunos. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 ringues cor de petr\u00f3leo, mas as bolas ainda circulam nas escolas, distraidamente nalguns corredores, ajuizadamente no canto de uma sala de aula, freneticamente nos intervalos. Porque \u201cferiados\u201d n\u00e3o h\u00e1. E a ocupa\u00e7\u00e3o de todos os tempos escolares (que antigamente redundava nos tais \u201cferiados\u201d), hoje, incorrectamente apelidada de \u201caulas de substitui\u00e7\u00e3o\u201d, pode ser aproveitada para jogar, sim. Mas s\u00f3 no computador e no telem\u00f3vel. N\u00e3o para jogar \u00e0 bola. Se um aluno se aleijar, de quem \u00e9 a responsabilidade, se n\u00e3o est\u00e3o na aula de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica? Se um aluno entrar em sites menos apropriados, se estabelecer conversas indecorosas com parceiros desconhecidos na internet, de quem \u00e9 a responsabilidade? <\/p>\n<p>O telem\u00f3vel de Isabel<\/p>\n<p>Chamei-lhe a aten\u00e7\u00e3o em duas aulas, noutras tantas fingi que n\u00e3o vi. \u00c0 terceira disparei, calmamente irritada &#8211; O que tens nos joelhos? &#8211; Nada. Mas os movimentos manuais de quem estava a escrever uma mensagem no telem\u00f3vel e, sobretudo, a express\u00e3o facial de quem foi apanhada em flagrante n\u00e3o deixaram d\u00favidas. Continuei: &#8211; N\u00e3o \u00e9 a primeira nem a segunda vez que te digo que n\u00e3o podes estar com o telem\u00f3vel [entenda-se: \u201cmandar e receber mensagens\u201d], fora as vezes em que fiz de conta que n\u00e3o vi! Para a pr\u00f3xima, chamo o teu Encarregado de Educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O telem\u00f3vel deve ter entrado sorrateiramente no saco. Nunca mais o vi, ou pressenti, at\u00e9 ao dia seguinte, \u00e0s 8h30. Isabel entrou na sala, com a pronta informa\u00e7\u00e3o de que o ia guardar. Guardou.<\/p>\n<p>Em caso de reincid\u00eancia, o EE ser\u00e1 chamado, perder\u00e1 umas horas de trabalho, para saber que Isabel usa e abusa do telem\u00f3vel, que ocupa as aulas com mensagens (o EE sabe-o, porque deve ser ele quem lhe paga a conta do telem\u00f3vel). \u00c0 primeira vista, esta conversa ser\u00e1 uma perda de tempo. Vista pelo lado positivo: o EE vai \u00e0 escola e fica a conhecer a Directora de Turma, tentar\u00e3o encontrar formas de combater o desinteresse de Isabel, mostrar\u00e1 \u00e0 escola, e sobretudo a Isabel, que se preocupa com ela. E se o EE n\u00e3o comparecer? Isabel tem 16 anos e ainda est\u00e1 no nono ano! <\/p>\n<p>Teoria e pr\u00e1tica<\/p>\n<p>Teoricamente, as ideias s\u00e3o boas: os alunos n\u00e3o podem ficar sem aulas, mesmo que os professores faltem. Todavia, na pr\u00e1tica, ter um \u201cferiado\u201d \u00e9 o momento privilegiado para uma futebolada, para p\u00f4r as conversas em dia, para passear nos jardins da escola, para descansar. Que bom seria se os alunos pudessem, uma vez por outra, gastar as energias no futebol, nas suas conversas, quando um professor falta, de longe a longe! Depois, talvez se concentrassem e estudassem com mais gosto! E dar aulas \u00e9 bom, sobretudo quando os alunos querem aprender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar&#8230; Hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}