{"id":8176,"date":"2006-10-26T16:40:00","date_gmt":"2006-10-26T16:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8176"},"modified":"2006-10-26T16:40:00","modified_gmt":"2006-10-26T16:40:00","slug":"estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/estado\/","title":{"rendered":"Estado"},"content":{"rendered":"<p>Como se sabe, o Estado integra tr\u00eas componentes b\u00e1sicas: o povo, o territ\u00f3rio e o poder soberano. Consagrou-se, h\u00e1 muito, a express\u00e3o \u201chomem de Estado\u201d para designar as pessoas (homens ou mulheres) que sabem assumir a realidade \u201cEstado\u201d, independentemente de posi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias ou quaisquer outras.<\/p>\n<p>N\u00e3o parece muito elevado o n\u00famero destas pessoas, enquanto pelo contr\u00e1rio superabundam as que actuam na corros\u00e3o e liquida\u00e7\u00e3o do Estado. A maior parte actuar\u00e1 de maneira inconsciente e involunt\u00e1ria, mas os preju\u00edzos causados n\u00e3o se configuram menos graves por isso.<\/p>\n<p>Na vasta gama de movimentos difusos contra o Estado, sobressaem tr\u00eas. Dois prov\u00eam do povo, e o terceiro do pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p>Um desses movimentos caracteriza-se pela reivindica\u00e7\u00e3o permanente de direitos perante o Estado, como se os respectivos meios financeiros, e outros, de resposta fossem ilimitados. Com este movimento, o povo \u00e9 duplamente prejudicado: porque tem de financiar, atrav\u00e9s de impostos, a satisfa\u00e7\u00e3o de tais reivindica\u00e7\u00f5es; e porque estas v\u00e3o suscitando, por reac\u00e7\u00e3o, uma tend\u00eancia para a redu\u00e7\u00e3o incondicional, e brutal, da despesa p\u00fablica e, da\u00ed, para a redu\u00e7\u00e3o dos direitos sociais.<\/p>\n<p>O segundo movimento contra o Estado orienta-se pela toler\u00e2ncia perante a viol\u00eancia destruidora de vidas e de bens. Designe-se ela \u201ccrime\u201d, organizado ou n\u00e3o, \u201cterrorismo\u201d, \u201crebeli\u00e3o\u201d, \u201cinsurrei\u00e7\u00e3o\u201d ou de qualquer outro modo, a sua identidade b\u00e1sica \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>Criou-se o preconceito de que o Estado \u00e9 o primeiro respons\u00e1vel pelas situa\u00e7\u00f5es que geram viol\u00eancia e, indirectamente, pela pr\u00f3pria viol\u00eancia. Portanto, segundo essas correntes de opini\u00e3o, deve ser tolerante at\u00e9 ao extremo, e reduzir ao m\u00ednimo, ou a nada, o exerc\u00edcio da sua contrariedade nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>O terceiro movimento contra o Estado situa-se dentro dele pr\u00f3prio: nos seus diferentes \u00f3rg\u00e3os, servi\u00e7os e organismos e na pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o. Salvo raras excep\u00e7\u00f5es, nenhuma destas realidades se coloca sistematicamente ao lado das pessoas, fam\u00edlias, institui\u00e7\u00f5es, empresas e outras entidades, facilitando-lhes a vida e cooperando na solu\u00e7\u00e3o dos seus problemas. Ao contr\u00e1rio desta orienta\u00e7\u00e3o recomend\u00e1vel, prevalece a exig\u00eancia, o controlo, a incompreens\u00e3o, a sobranceria, e o julgamento injusto\u2026<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o Congresso do PS vai deixar bem clara uma verdadeira postura de Estado?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se sabe, o Estado integra tr\u00eas componentes b\u00e1sicas: o povo, o territ\u00f3rio e o poder soberano. Consagrou-se, h\u00e1 muito, a express\u00e3o \u201chomem de Estado\u201d para designar as pessoas (homens ou mulheres) que sabem assumir a realidade \u201cEstado\u201d, independentemente de posi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias ou quaisquer outras. 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