{"id":8178,"date":"2006-10-26T16:41:00","date_gmt":"2006-10-26T16:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8178"},"modified":"2006-10-26T16:41:00","modified_gmt":"2006-10-26T16:41:00","slug":"a-vida-humana-nos-caminhos-da-nossa-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-vida-humana-nos-caminhos-da-nossa-democracia\/","title":{"rendered":"A vida humana nos caminhos da nossa democracia"},"content":{"rendered":"<p>Governantes despiram as batas de trabalho, vestiram togas de mestres partid\u00e1rios, amaciaram a voz, criaram empatia com as mulheres humilhadas deste reino, fizeram distin\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas e jur\u00eddicas para sossegar o povo, rodearam-se de s\u00e1bios para incomodar outros s\u00e1bios menos consonantes, garantiram os jornalistas de turno, abriram o microfone a chocas de outras terras e na\u00e7\u00f5es e peroraram quanto baste. Para refor\u00e7ar a democracia e dar sentido de estado ao referendo que a\u00ed vem\u2026 <\/p>\n<p>\u00c0 baila vieram os chav\u00f5es de sempre: estar ao n\u00edvel dos pa\u00edses avan\u00e7ados da Uni\u00e3o Europeia, erradicar o aborto clandestino, a nossa grande humilha\u00e7\u00e3o, insistir no farise\u00edsmo dos que n\u00e3o pensam como n\u00f3s, apontar de onde vem o perigo, a Igreja dominante mesmo se os maiorais parecem n\u00e3o estar de acordo, ridicularizar os movimentos pelo \u201cn\u00e3o\u201d, sem os atacar, gritar que se o povo d\u00e1 maioria nas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 para se fazer o que se prometeu. E j\u00e1 se desenham hip\u00f3teses de ac\u00e7\u00e3o, se ainda n\u00e3o for desta, e j\u00e1 espreitam cl\u00ednicas estrangeiras com nomes e pre\u00e7\u00e1rios\u2026<\/p>\n<p>Agora, mais um passo curioso. M\u00e9dicos conhecidos pelo nome ou pelo cargo associam-se a favor do aborto, pedem \u00e0 sua Ordem que se actualize, dizem que a objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, se h\u00e1 uma lei que permite abortar, n\u00e3o tem mais sentido, faz-se a defesa pela negativa, porque, se n\u00e3o se sabe quando come\u00e7a a vida, n\u00e3o h\u00e1 que ter respeito pelos embri\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>E assim, democraticamente, se vai dando motivo para fracturas e divis\u00f5es entre pessoas, grupos e partidos. Por\u00e9m, o que precisamos com urg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 de um clima de serena reflex\u00e3o, onde todos possam ter espa\u00e7o e ocasi\u00e3o para serem esclarecidos com honestidade, dizerem livremente o que pensam e querem, sem que, por isso, sejam rotulados, incomodados ou passados a cidad\u00e3os de terceira num pa\u00eds democr\u00e1tico? <\/p>\n<p>E que dizer do desprop\u00f3sito da vinda de deputadas de fora, para dar senten\u00e7as e formular ju\u00edzos morais sobre o pa\u00eds, e da interven\u00e7\u00e3o de governantes estrangeiros, camaradas de partido, a ensinar como se defendem as mulheres que querem abortar?<\/p>\n<p>Os nossos problemas somos n\u00f3s que temos de os solucionar. No pedir ou no acolher tais ajudas, o partido no poder parece n\u00e3o estar convicto de que esta mistura \u00e9 negativa. Os problemas n\u00e3o se resolvem com imposi\u00e7\u00f5es de dentro ou de fora e, menos ainda, com o a\u00e7aimar das pessoas. N\u00e3o se resolvem com slogans estafados. Perante problemas t\u00e3o s\u00e9rios como o da vida nascente, o caminho est\u00e1 em proporcionar a todos os de c\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o alargada e respeitada. Ouvindo-se com respeito, todos podemos enriquecer-nos. Portugal n\u00e3o \u00e9 um circo. \u00c9 um pa\u00eds livre, com hist\u00f3ria e cultura pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 que aprender com os pa\u00edses mais avan\u00e7ados, diz-se por a\u00ed. Tudo bem. E porque n\u00e3o copiar o que se faz com o acesso \u00e0 sa\u00fade, o ordenado m\u00ednimo, a liberdade e gratuidade do ensino, o pre\u00e7o dos combust\u00edveis e da energia, o cativar dos melhores, a fidelidade e a justi\u00e7a no trabalho, e sei l\u00e1 quantas coisas mais? Estamos longe dos que v\u00e3o adiante no que tem a ver com o bem comum poss\u00edvel. Poucos falam disto. Liberalizar o aborto, no fundo \u00e9 disto mesmo que se trata, dar assentimento a desejos de minorias teimosas, \u00e9 o que teremos de imitar dos outros? <\/p>\n<p>Que pobreza de horizontes, que falta de realismo sadio, que cegueira acr\u00edtica, que mundo vazio de valores, que pobreza cultural e afectiva! <\/p>\n<p>\u00c9 normal e at\u00e9 salutar que haja opini\u00f5es diferentes sobre os problemas. Serve para ajudar a discernir e a valorar. N\u00e3o pode passar ao lado dos que det\u00eam o poder, pois a eles compete  procurar o maior bem de todos e n\u00e3o apenas considerar alguns que se sentem bem \u00e0 margem das leis comuns e exigem, s\u00f3 para si, a sua pr\u00f3pria lei.<\/p>\n<p>Servir n\u00e3o \u00e9 calar e dominar os que incomodam. S\u00f3 a aceita\u00e7\u00e3o do valor de cada um e de todos gera convic\u00e7\u00f5es fortes. T\u00eam-se dado passos v\u00e1lidos e louv\u00e1veis. H\u00e1 que reconhecer. Mas, se n\u00e3o se respeita o fundamental, o pa\u00eds entra em derrapagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governantes despiram as batas de trabalho, vestiram togas de mestres partid\u00e1rios, amaciaram a voz, criaram empatia com as mulheres humilhadas deste reino, fizeram distin\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas e jur\u00eddicas para sossegar o povo, rodearam-se de s\u00e1bios para incomodar outros s\u00e1bios menos consonantes, garantiram os jornalistas de turno, abriram o microfone a chocas de outras terras e na\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8178","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8178"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8178\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}