{"id":8182,"date":"2006-11-02T15:13:00","date_gmt":"2006-11-02T15:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8182"},"modified":"2006-11-02T15:13:00","modified_gmt":"2006-11-02T15:13:00","slug":"nao-ha-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nao-ha-mortos\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 mortos!"},"content":{"rendered":"<p>A f\u00e9 n\u00e3o nos torna insens\u00edveis perante a morte. Tamb\u00e9m para os crentes ela \u00e9 um mist\u00e9rio de sil\u00eancio, de priva\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o. A dor e a saudade, que este transpor do limiar dos dias deste mundo acarreta, tocam a todos, embora de maneira diversa. E s\u00e3o leg\u00edtimas. Todavia, \u00e0 luz da vida de Jesus Cristo, acolhendo os Seus ensinamentos, n\u00f3s temos possibilidade de olhar para esta realidade da vida de todos com outros olhos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 mortos. Todos estamos vivos. Uns ainda nesta vida terrena, comendo, bebendo, trabalhando, sofrendo, alegrando-se, etc. Outros, verdadeiramente vivos, do outro lado da morte, que \u00e9 passagem para a eternidade sem fim. Vivos em Deus\u201d. Estas palavras, verdadeiramente sugeridas por Deus, d\u00e3o o mote para uma reflex\u00e3o serena sobre a morte; sugerem as atitudes a termos no \u201cculto dos mortos\u201d.<\/p>\n<p>Os nossos cemit\u00e9rios enchem-se, por estes dias, de velas e flores. Multid\u00f5es acorrem a zelar as campas dos seus familiares e amigos. Tamb\u00e9m \u00e9 certo que se multiplicam as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e muitos acolhem esses momentos como ocasi\u00e3o de verdadeira intimidade com aqueles junto de cujos restos mortais &#8211; como mem\u00f3ria da vida neste mundo &#8211; passam um bocadinho desses dias.\t<\/p>\n<p>Fundamental \u00e9 considerarmos que todos fomos criados para a eternidade. \u201cA vida n\u00e3o acaba; apenas se transforma\u201d. A morte \u00e9 a porta que nos abre a vida em plenitude, \u00e0 qual amorosamente fomos chamados por Deus. Assim sendo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante a homenagem aos restos mortais como a caridade crist\u00e3 com aqueles que continuam vivos, a precisar do fluxo do \u201csangue\u201d da nossa f\u00e9, da nossa ora\u00e7\u00e3o, da nossa vida de santidade.\t<\/p>\n<p>Sabendo que Jesus Cristo assumiu a nossa natureza humana fr\u00e1gil, vulner\u00e1vel, para, unida pessoalmente \u00e0 Sua divindade, a fazer ultrapassar, pela Sua ressurrei\u00e7\u00e3o, o limiar da morte, consolida-se em n\u00f3s a certeza de que a morte \u00e9 a dormi\u00e7\u00e3o serena, \u00e0 espera da festa final com o Cordeiro. Assim sendo, os que partiram est\u00e3o vivos, integram a mesma humanidade assumida por Jesus Cristo, s\u00e3o o mesmo Corpo &#8211; a Igreja, do lado de c\u00e1 ou do lado de l\u00e1 da morte.\t<\/p>\n<p>Podemos considerar, assim, como Santo Agostinho, que os n\u00e3o perdemos. Deixam de estar ao nosso lado, para estarem agora dentro de n\u00f3s, mais \u00edntimos ao nosso \u00edntimo, porque mais \u00edntimos ao pr\u00f3prio Cristo. Nesse sentido, a nossa comunh\u00e3o com eles &#8211; verdadeira comunh\u00e3o de santos, intensifica-se pela nossa comunh\u00e3o com Cristo. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o perguntemos: N\u00e3o estar\u00edamos mais pr\u00f3ximos de Jesus Cristo, se nos prepar\u00e1ssemos e comung\u00e1ssemos em uni\u00e3o com os nossos defuntos? Participar na Eucaristia n\u00e3o seria uma caridade muito mais verdadeira com eles do que cobrirmos-lhes as campas de flores? Viver a nossa vida crist\u00e3 quotidiana em fidelidade \u00e0 gra\u00e7a baptismal n\u00e3o nos traria uma intimidade muito mais serena e convicta com eles?&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o fica mal zelar os nossos cemit\u00e9rios, manifestar o nosso respeito pelos defuntos com a limpeza das suas campas, com uma flor simples de decora\u00e7\u00e3o. Mas eles n\u00e3o est\u00e3o ali. N\u00e3o h\u00e1 mortos! Ent\u00e3o, \u00e9 preciso estar com eles na vida em que eles se encontram: na comunh\u00e3o dos santos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A f\u00e9 n\u00e3o nos torna insens\u00edveis perante a morte. Tamb\u00e9m para os crentes ela \u00e9 um mist\u00e9rio de sil\u00eancio, de priva\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o. A dor e a saudade, que este transpor do limiar dos dias deste mundo acarreta, tocam a todos, embora de maneira diversa. E s\u00e3o leg\u00edtimas. 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