{"id":8188,"date":"2006-11-02T15:26:00","date_gmt":"2006-11-02T15:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8188"},"modified":"2006-11-02T15:26:00","modified_gmt":"2006-11-02T15:26:00","slug":"experiencia-missionaria-a-tres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/experiencia-missionaria-a-tres\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia mission\u00e1ria a tr\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>A Augusta, de \u00c1gueda, a Rosa, de Penafiel, e a Lina, de Aguada de Baixo, partilham um pouco da sua experi\u00eancia mission\u00e1ria em Luanda, numa par\u00f3quia geminada com a de \u00c1gueda.<\/p>\n<p>Eram seis e trinta da manh\u00e3 quando aterr\u00e1mos no aeroporto de Luanda. \u00c0 nossa espera estava o Sr. Padre Fraz\u00e3o, mission\u00e1rio da Boa Nova, que nos levou directamente para Santa Ana, n\u00e3o pela melhor estrada, mas, por causa de um desvio imprevisto \u00e0 sa\u00edda do aeroporto, por um bairro que nos preparou imediatamente para o pior cen\u00e1rio \u2013 muito p\u00f3, lama, lixo, tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, vendedores ambulantes e crian\u00e7as a brincar no meio de toda aquela confus\u00e3o.<\/p>\n<p>Fomos acolhidas com o sorriso ternurento da Irm\u00e3 Mafalda, das Irm\u00e3s Teresianas. E foi ali o nosso dormit\u00f3rio, o local de prepara\u00e7\u00e3o de actividades e o nosso ref\u00fagio nos momentos de ang\u00fastia, d\u00favida, confus\u00e3o emocional e at\u00e9 algumas l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>N\u00e3o passou muito tempo at\u00e9 que o Sr. Padre nos \u201cbaptizasse\u201d de as \u201cAUROLI \u201c, pois este trio de volunt\u00e1rias era formado pela Augusta, casada e m\u00e3e de dois filhos, cinquenta anos, professora, da par\u00f3quia de \u00c1gueda, onde \u00e9 catequista e leitora; pela Rosa, solteira, vinte e nove anos, psic\u00f3loga cl\u00ednica que divide o seu tempo entre o Porto e Lousada; e pela Lina, solteira, trinta e cinco anos, professora de biologia e geologia, leitora na par\u00f3quia de Aguada de Baixo, mas mais tempo em S. Pedro do Sul, onde trabalha.<\/p>\n<p>No dia seguinte \u00e0 nossa chegada, come\u00e7\u00e1mos a delinear a Forma\u00e7\u00e3o de Professores das Escolas de Santa Ana, sob a direc\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Teresianas, e da Escola de Santa Teresa, sob a direc\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Escravas do Divino Cora\u00e7\u00e3o. Ao fim da tarde desse segundo dia, t\u00ednhamos a sensa\u00e7\u00e3o de ali estarmos h\u00e1 muito tempo, pois t\u00e3o bem acolhidas e t\u00e3o integradas nos sent\u00edamos que j\u00e1 nos parecia um pouco irreal o cen\u00e1rio inicial.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s duas semanas dedicadas \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o de Professores nas \u00e1reas da Pedagogia e Psicologia do Desenvolvimento e do trabalho directo com um grupo de crian\u00e7as \u2013 uma vez que estavam em \u00e9poca de pausa pedag\u00f3gica \u2013, pass\u00e1mos a dividir o nosso tempo entre as duas Escolas e a trabalhar directamente nas salas de aulas, em substitui\u00e7\u00e3o de professores que faltavam ou a dar apoio a outros. A Rosa trabalhava com algumas crian\u00e7as com comportamentos mais preocupantes. <\/p>\n<p>A nossa vida decorreu dentro dos muros das miss\u00f5es, exceptuando-se as viagens pelas ruas que separavam as duas Escolas.<\/p>\n<p>Protagonismo dos jovens<\/p>\n<p>Maravilhou-nos o movimento de pessoas e principalmente dos jovens na par\u00f3quia de Santa Ana. Aos fins-de-semana, as salas de aula transformavam-se em salas de reuni\u00e3o de diferentes grupos, desde encontros de catequese de crian\u00e7as, grupos de jovens, casais\u2026 Durante a semana, no fim da Eucaristia da tarde, em que particip\u00e1vamos, havia ensaio de diferentes grupos corais. Por isso, t\u00ednhamos o privil\u00e9gio de jantar ao som daqueles c\u00e2nticos maravilhosos.<\/p>\n<p>O momento mais marcante, para n\u00f3s, em terras de Angola, foi sem d\u00favida a Festa de Santa Ana \u2013 uma semana completa com ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o de diferentes temas, na Igreja, antes da Eucaristia da tarde, dinamizadas por grupos paroquiais. Foi bonito ver tanta gente, de todas as idades, em dias de semana, caminhar para a Igreja e quase a encher (tem lugar para cerca de oitocentas pessoas sentadas). No s\u00e1bado, fez-se uma prociss\u00e3o de velas com mais de um milhar de pessoas \u2013 como nos comoveu ver a alegria e emo\u00e7\u00e3o de tantas \u201cmam\u00e3s\u201d a cantar \u00e0 \u201cMam\u00e3 Santa Ana\u201d \u2013 que terminou com a Igreja a abarrotar de pessoas a ouvir algumas palavras do Sr. Bispo de Luanda, que quis estar presente.<\/p>\n<p>Domingo. Tanta organiza\u00e7\u00e3o, tanta ordem, tanto respeito numa missa campal nunca feita antes. Os jovens foram a pedra fundamental de toda a organiza\u00e7\u00e3o. Do mais novo ao mais velho, todos respeitam as suas indica\u00e7\u00f5es. De novo a presen\u00e7a do Sr. Bispo e, no meio de tanta emo\u00e7\u00e3o, tanta f\u00e9, tanta participa\u00e7\u00e3o, nem faltou o baptismo, a primeira comunh\u00e3o e a confirma\u00e7\u00e3o de uma \u201cmam\u00e3\u201d de cerca de oitenta anos.<\/p>\n<p>\u201cBoa viagem e r\u00e1pido regresso\u201d<\/p>\n<p>No \u00faltimo fim-de-semana que pass\u00e1mos em Santa Ana, um dos corais de jovens desta par\u00f3quia promoveu um Encontro de Coros de M\u00fasica Sacra, que congregou diferentes Igrejas \u2013 Cat\u00f3lica, Anglicana, Pentecostal, Metodista, Baptista. Que maravilha!&#8230;<\/p>\n<p>Poder\u00edamos falar muito mais de emo\u00e7\u00f5es, sentimentos, respeito, vida em comunidade \u2013 coisas que nos maravilharam e que tornaram dif\u00edcil a partida. S\u00f3 a promessa que fizemos aos professores, irm\u00e3s, padres e pessoas com quem partilh\u00e1mos o nosso tempo, de que tudo faremos para voltar no pr\u00f3ximo ano de alguma forma diminuiu a dor do regreso \u00e0s nossas origens.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m se despediu de n\u00f3s dizendo:<\/p>\n<p>&#8211; Boa viagem e r\u00e1pido regresso.<\/p>\n<p>N\u00f3s respondemos:<\/p>\n<p>&#8211; Se Deus quiser, e certamente o deseja, para o ano c\u00e1 estaremos as tr\u00eas, para continuar o trabalho iniciado.<\/p>\n<p>Agradecemos-Te, Deus, esta experi\u00eancia t\u00e3o rica.<\/p>\n<p>AUROLI, AUgusta, ROsa, LIna<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Augusta, de \u00c1gueda, a Rosa, de Penafiel, e a Lina, de Aguada de Baixo, partilham um pouco da sua experi\u00eancia mission\u00e1ria em Luanda, numa par\u00f3quia geminada com a de \u00c1gueda. 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