{"id":8195,"date":"2006-11-02T15:39:00","date_gmt":"2006-11-02T15:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8195"},"modified":"2006-11-02T15:39:00","modified_gmt":"2006-11-02T15:39:00","slug":"paroquia-lugar-vocacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paroquia-lugar-vocacional\/","title":{"rendered":"Par\u00f3quia, lugar vocacional"},"content":{"rendered":"<p>III F\u00f3rum Nacional das Voca\u00e7\u00f5es <!--more--> Realizou-se, no passado fim-de-semana, em F\u00e1tima, o III F\u00f3rum Nacional das Voca\u00e7\u00f5es, iniciativa da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios. A tem\u00e1tica escolhida \u2013 Par\u00f3quia Lugar Vocacional \u2013 integra-se numa din\u00e2mica de continuidade com os dois anteriores: em 2004, reflectiu-se sobre as \u201cBases para a Pastoral Vocacional\u201d; e em 2005, a tem\u00e1tica versou sobre Diocese e Voca\u00e7\u00e3o, tendo o F\u00f3rum como t\u00edtulo: \u201cDa alegria de ser chamado \u00e0 coragem de Chamar\u201d.<\/p>\n<p>Desta feita, contou com a presen\u00e7a do Pe Amedeo Cencini, que veio reflectir sobre tr\u00eas temas fundamentais: \u201cA pedagogia vocacional na par\u00f3quia\u201d; \u201cOs dinamismos da F\u00e9 e a Pastoral Vocacional\u201d; e \u201cOs Itiner\u00e1rios Vocacionais\u201d. Aqui fica o apanhado de um participante\u2026<\/p>\n<p>\u201cA par\u00f3quia ou \u00e9 vocacional ou n\u00e3o \u00e9 par\u00f3quia\u201d<\/p>\n<p>Entendendo a par\u00f3quia como \u201ctodo o povo de Deus, que brota do lado do Crucificado, vivendo em determinado territ\u00f3rio, na abund\u00e2ncia de carismas e minist\u00e9rios concedidos tendo em conta a edifica\u00e7\u00e3o comum e o an\u00fancio do Evangelho\u201d, foi poss\u00edvel afirmar que a par\u00f3quia ou \u00e9 vocacional ou n\u00e3o \u00e9 par\u00f3quia. <\/p>\n<p>Se se fala de todo o povo de Deus, j\u00e1 se define como um espa\u00e7o de fronteiras alargadas, onde \u00e9 poss\u00edvel uma diversidade de carismas e minist\u00e9rios, diferente da ideia simplista, que ainda vai vingando em algumas consci\u00eancias, de que apenas o Padre \u00e9 \u201cvocacionado\u201d. Mais ainda: se descende do crucificado, ent\u00e3o a consci\u00eancia do alto pre\u00e7o desta descend\u00eancia h\u00e1-de naturalmente desafiar a uma responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal no an\u00fancio e no testemunho; aqueles que t\u00eam consci\u00eancia de terem sido salvos sentir\u00e3o, naturalmente, a necessidade de serem tamb\u00e9m eles ve\u00edculos de salva\u00e7\u00e3o, os que foram evangelizados devem sentir a necessidade de evangelizar. Tudo isto acontecer\u00e1 tamb\u00e9m num territ\u00f3rio mais ou menos definido, que \u00e9 o espa\u00e7o vital dos paroquianos, e que se alarga ent\u00e3o aos ambientes de fronteira, onde a f\u00e9 \u00e9 questionada e onde o crist\u00e3o adulto tem que dar raz\u00f5es da sua pr\u00f3pria f\u00e9. Isto provocar\u00e1 naturalmente a tomada de consci\u00eancia de que o espa\u00e7o paroquial, quer por identidade (dom universal de voca\u00e7\u00e3o), quer por necessidade (ser activo e empreendedor no an\u00fancio), ter\u00e1 que fazer desabrochar uma abund\u00e2ncia de carismas e minist\u00e9rios, que tornar\u00e3o poss\u00edvel a edifica\u00e7\u00e3o do reino, s\u00f3 plenamente conseguida se o an\u00fancio do evangelho for efectivo e alargado. Claro que tudo isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se as comunidades n\u00e3o forem constitu\u00eddas por \u201cconsumidores de sacramentos\u201d. O desafio \u00e9 claro: passar da \u201cpastoral do redil\u201d para a \u201cpastoral das pastagens\u201d (mas esta pastoral s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se todos os crist\u00e3os se sentirem mission\u00e1rios, agentes evangelizadores).<\/p>\n<p>Tr\u00eas problemas<\/p>\n<p>Existem, pois, tr\u00eas problemas que \u00e9 fundamental ultrapassar: o mal da comunica\u00e7\u00e3o; o mal da comunh\u00e3o; e o mal da identidade. O mal da comunica\u00e7\u00e3o reside no facto de n\u00e3o termos capacidade de transmitir ao mundo, sobretudo ao mundo dos jovens, o Dom de que somos portadores. O mal da comunh\u00e3o est\u00e1 ligado aos problemas de relacionamento e de compet\u00eancias, da partilha de dons e carismas. E o problema da identidade prende-se com o facto da par\u00f3quia ainda estar \u00e0 procura de um rosto novo \u2013 estamos em mudan\u00e7a de \u00e9poca, o esquema paroquial tradicional, at\u00e9 por causa da evolu\u00e7\u00e3o do ritmo de vida e do sentido de perten\u00e7a, ter\u00e1 naturalmente que ir evoluindo\u2026<\/p>\n<p>Claro que estes problemas, poder\u00e3o estar ligados ao investimento quase exclusivo que se tem feito, em termos vocacionais, em apenas alguns minist\u00e9rios (o de sacerdote \u2013 pastor e dos que lhes est\u00e3o mais ou menos ligados). A par\u00f3quia estar\u00e1 em crise, porque continua a ser demasiado concebida e constru\u00edda \u00e0 volta da figura do presb\u00edtero.<\/p>\n<p>Da f\u00e9 \u00e0 consci\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u2013 Do formador ao educador<\/p>\n<p>O protagonista do acto vocacional ter\u00e1 que ser naturalmente o Crist\u00e3o Adulto. Aquele que fez uma caminhada de f\u00e9 estruturante da sua pessoa e estruturadora da sua ac\u00e7\u00e3o na comunidade. Quando se fala de voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata apenas das voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o (ali\u00e1s, o que \u00e9 que torna essas voca\u00e7\u00f5es especiais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras?), mas da cria\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia vocacional de fundo: \u00e0 vida, ao baptismo, ao ser crist\u00e3o, independentemente das op\u00e7\u00f5es pessoais dentro do sonho de amor que \u00e9 o projecto de Deus. <\/p>\n<p>Para que a pastoral vocacional n\u00e3o se confunda com \u201cangaria\u00e7\u00e3o vocacional\u201d, naturalmente que o caminho tem que se centrar na cria\u00e7\u00e3o de possibilidades para que os crist\u00e3os atinjam a dita maturidade da f\u00e9. Por arrastamento, e se a f\u00e9 \u00e9 aut\u00eantica, a vontade de responder ao acto de Amor Primeiro torna-se uma necessidade n\u00e3o imposta, mas livremente aceite.<\/p>\n<p>Para que isto seja poss\u00edvel, \u00e9 necess\u00e1rio que se desenvolva todo um trabalho de fundo, pr\u00e9vio ao desafio em rela\u00e7\u00e3o a qualquer voca\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica: consagra\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio ordenado, matrim\u00f3nio\u2026 Assim, o dinamizador vocacional tem que ser mais um educador que um formador. Um educador para os valores da vida, para a sensibilidade do disc\u00edpulo, para a consci\u00eancia eclesial, numa abordagem mais englobante que visa a maturidade da pessoa toda. N\u00e3o tanto um formador que debita conte\u00fados t\u00e9cnicos, ou demasiado espec\u00edficos, para quem ainda n\u00e3o tem os horizontes alargados mas simultaneamente cimentados.<\/p>\n<p>A pedagogia vocacional sup\u00f5e um bom mediador, que o come\u00e7a a ser quando tem consci\u00eancia de ser apenas mediador. O que \u00e9 belo n\u00e3o se imp\u00f5e (e ser chamado por Deus \u00e9 profundamente belo); mas para que apare\u00e7a como belo, a comunidade crist\u00e3 tem que naturalmente manifestar a alegria proveniente da certeza de ter sido convocada (chamada). O que lhe transmite a necessidade de provocar (ela pr\u00f3pria chamar).<\/p>\n<p>P. Rui Barnab\u00e9<\/p>\n<p>Director do Secretariado Diocesano de Pastoral Juvenil e Vocacional<\/p>\n<p>Amedeo Cencini <\/p>\n<p>Amedeo Cencini nasceu em Senigallia (It\u00e1lia) em 1948. \u00c9 sacerdote canossiano desde 1971, mestre em ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Salesiana de Roma e doutor em psicologia pela Universidade Gregoriana da mesma cidade. Especializou-se em psicologia no Instituto Superior de Psicoterapia Anal\u00edtica. <\/p>\n<p>Actualmente, \u00e9 professor de Pastoral Vocacional na Universidade Salesiana e de Acompanhamento Pessoal no Curso de Teologia e Direito da Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apost\u00f3lica. Desde Maio de 1995, \u00e9 consultor da dita Congrega\u00e7\u00e3o Vaticana.<\/p>\n<p>Da vasta obra publicada, j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis em Portugu\u00eas: \u201cO Pai Pr\u00f3digo \u2013 Hist\u00f3ria de uma voca\u00e7\u00e3o perdida e reencontrada\u201d; \u201cQuando a Carne \u00e9 d\u00e9bil \u2013 O discernimento vocacional face \u00e0 imaturidade e patologias do desenvolvimento afectivo-sexual\u201d; \u201cUm Deus para amar \u2013 A voca\u00e7\u00e3o de todos \u00e0 virgindade\u201d; \u201cUma Par\u00f3quia Vocacional \u2013 Que pedagogia vocacional aplicar na comunidade paroquial\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>III F\u00f3rum Nacional das Voca\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-8195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}