{"id":8326,"date":"2006-11-15T17:13:00","date_gmt":"2006-11-15T17:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8326"},"modified":"2006-11-15T17:13:00","modified_gmt":"2006-11-15T17:13:00","slug":"aborto-e-crise-social-preocupam-os-bispos-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aborto-e-crise-social-preocupam-os-bispos-portugueses\/","title":{"rendered":"Aborto e crise social preocupam os Bispos portugueses"},"content":{"rendered":"<p>O pr\u00f3ximo referendo sobre o aborto e a crise social que o nosso pa\u00eds atravessa foram duas das principais preocupa\u00e7\u00f5es apresentadas pelo presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, na abertura dos trabalhos da Assembleia Plen\u00e1ria deste organismo. A reuni\u00e3o magna do episcopado decorre em F\u00e1tima, at\u00e9 ao pr\u00f3ximo dia 16 de Novembro.<\/p>\n<p>\u201cA Igreja foi e ser\u00e1 sempre \u2018profeta\u2019 da vida, oferecendo, em perman\u00eancia, raz\u00f5es para a defender\u201d, referiu o Arcebispo de Braga, deixando cr\u00edticas aos sinais de uma \u201ccultura de morte\u201d na nossa sociedade, nos quais incluiu o aborto, o tr\u00e1fico de seres humanos, a explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes, a eutan\u00e1sia, o racismo e a xenofobia, a viol\u00eancia gratuita e as desigualdades econ\u00f3micas, culturais, sociais e tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Sobre a posi\u00e7\u00e3o da Igreja em rela\u00e7\u00e3o ao aborto, o presidente da CEP referiu: \u201c\u00e9 com palavras claras que exprimimos a nossa posi\u00e7\u00e3o, mesmo que nos situem no espa\u00e7o dos retr\u00f3grados em confronto com outros pa\u00edses: somos inequivocamente pela vida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte\u201d. Ao mesmo tempo, acrescentou, \u201cafirmamos o nosso compromisso na resposta a situa\u00e7\u00f5es que se revestem duma peculiar dramaticidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cReafirmamos, uma vez mais, a mal\u00edcia intr\u00ednseca de todo o aborto provocado, pois constitui grav\u00edssimo atentado \u00e0 vida humana inocente e indefesa\u201d, disse ainda.<\/p>\n<p>Para este respons\u00e1vel, \u201ccarece de qualquer razoabilidade e sentido falar do \u2018direito a abortar\u2019 por parte da mulher-m\u00e3e, invocando o direito a dispor arbitrariamente do seu pr\u00f3prio corpo, porque o concebido n\u00e3o \u00e9 \u201cap\u00eandice\u201d da m\u00e3e, mas antes uma realidade humana aut\u00f3noma e, como tal, inviol\u00e1vel\u201d. <\/p>\n<p>Ao Governo fica o alerta de n\u00e3o lhe ser permitido \u201cliberalizar ou descriminalizar o que, por sua natureza, \u00e9 crime\u201d. \u201cNenhuma lei positiva pode transformar em n\u00e3o-mau ou em bom o que \u00e9 mau em si mesmo\u201d, indicou.<\/p>\n<p>D. Jorge Ortiga admite, contudo, que o Estado poder\u00e1 \u201cdesculpabilizar, total ou parcialmente, os que cometem determinada ac\u00e7\u00e3o m\u00e1, atendendo \u00e0s m\u00faltiplas circunst\u00e2ncias atenuantes concretas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAo Estado, porque pessoa de bem, compete elaborar uma regulamenta\u00e7\u00e3o legislativa justa e equilibrada, que n\u00e3o silencie, n\u00e3o subalternize, nem subestime os direitos dos mais d\u00e9beis e indefesos\u201d, acrescentou. <\/p>\n<p>Adivinhando as cr\u00edticas que a posi\u00e7\u00e3o da Igreja sobre esta mat\u00e9ria poder\u00e1 gerar, D. Jorge Ortiga aponta que a laicidade n\u00e3o significa calar os respons\u00e1veis cat\u00f3licos, mas, pelo contr\u00e1rio, dar-lhes a \u201c possibilidade de marcar a nossa presen\u00e7a e expressar o nosso pensamento numa sociedade onde pululam as propostas e os confrontos doutrinais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA cultura hodierna, algo perdida ou confusa, exige palavras claras, ainda que humildes, porque conscientes de n\u00e3o sermos donos absolutos da verdade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n<p>Trabalho digno<\/p>\n<p>O presidente da CEP manifestou a sua preocupa\u00e7\u00e3o perante a precariedade do emprego, que atinge um n\u00famero cada vez maior de trabalhadores e de fam\u00edlias portuguesas, a qual \u201ccontraria as aspira\u00e7\u00f5es mais profundas das pessoas, sacrifica os seus leg\u00edtimos direitos na mesa do lucro e da competitividade a qualquer pre\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 oportuno interrogarmo-nos at\u00e9 que ponto a economia, organizada \u00e0 volta da competitividade a qualquer pre\u00e7o, com o resultado de deslocaliza\u00e7\u00f5es de empresas, de fus\u00f5es e de concentra\u00e7\u00e3o de grupos econ\u00f3micos, n\u00e3o lan\u00e7a no desemprego popula\u00e7\u00f5es e fam\u00edlias inteiras sem as qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para rapidamente regressarem ao mercado de emprego\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Durante os pr\u00f3ximos dias a CEP ir\u00e1 discutir um documento sobre Procria\u00e7\u00e3o Medicamente Assistida. Da agenda desta assembleia plen\u00e1ria fazem ainda parte a discuss\u00e3o de um documento sobre \u201cA transmiss\u00e3o da F\u00e9 \u2013 Fam\u00edlia, Escola, Universidade e Forma\u00e7\u00e3o Crist\u00e3\u201d, bem como uma reflex\u00e3o sobre o ensino da Teologia em Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pr\u00f3ximo referendo sobre o aborto e a crise social que o nosso pa\u00eds atravessa foram duas das principais preocupa\u00e7\u00f5es apresentadas pelo presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, na abertura dos trabalhos da Assembleia Plen\u00e1ria deste organismo. A reuni\u00e3o magna do episcopado decorre em F\u00e1tima, at\u00e9 ao pr\u00f3ximo dia 16 de Novembro. 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