{"id":8327,"date":"2006-11-15T17:21:00","date_gmt":"2006-11-15T17:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8327"},"modified":"2006-11-15T17:21:00","modified_gmt":"2006-11-15T17:21:00","slug":"d-joao-evamgelista-de-lima-vidal-administrador-apostolico-e-bispo-de-aveiro-de-1938-a-1958","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/d-joao-evamgelista-de-lima-vidal-administrador-apostolico-e-bispo-de-aveiro-de-1938-a-1958\/","title":{"rendered":"D. Jo\u00e3o Evamgelista de Lima Vidal &#8211; Administrador Apost\u00f3lico e Bispo de Aveiro de 1938 a 1958"},"content":{"rendered":"<p>Ainda recordado por muitos como \u201co Senhor Arcebispo\u201d, D. Jo\u00e3o Evangelista assumiu o desejo dos que queriam a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese e liderou de forma not\u00e1vel a Igreja de Aveiro durante duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista morreu no dia 5 de Janeiro de 1958, no Hospital da Miseric\u00f3rdia de Aveiro. O Correio do Vouga classificou-o como \u201cum dos grandes Bispos do nosso s\u00e9culo\u201d (CV, 15-02-1959) e com essas palavras exprimiu muitos mais sentimentos do que os dos aveirenses, como atesta o percurso do \u201csenhor arcebispo\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal nasceu no dia 2 de Abril de 1874, em Aveiro, numa casa da Rua do Gravito, devidamente assinalada com uma l\u00e1pide. Depois de estudar no Semin\u00e1rio de Coimbra, vai para Roma com apenas 16 anos. Na cidade eterna \u00e9 colega de Eug\u00e9nio Pacelli (Pio XII) e torna-se doutor em Filosofia e Teologia e bacharel em Direito Can\u00f3nico. \u00c9 ordenado padre em Coimbra, por D. Manuel Correia Bastos de Pina, no dia 19 de Dezembro de 1896, no velho pa\u00e7o episcopal. Nessa cidade, o Pe Jo\u00e3o Evangelista \u00e9 professor do Semin\u00e1rio, director espiritual e c\u00f3nego da S\u00e9, por decreto r\u00e9gio de D. Carlos.<\/p>\n<p>Em 1909, \u00e9 nomeado Bispo de Angola e Congo e ordenado bispo na S\u00e9 de Coimbra. Ainda nesse ano, parte para Angola. No ano seguinte, inicia em Cabinda uma visita pastoral que duraria todo um ano. Em 1914, regressa a Portugal e faz sentir \u00e0s autoridades a necessidade de abrir um semin\u00e1rio para formar o clero destinado \u00e0s miss\u00f5es. Esse desejo, de alguma forma ser\u00e1 realizado na Sociedade Mission\u00e1ria Boa Nova (\u201cMission\u00e1rios de Cucuj\u00e3es\u201d), criada em 1930, e de que D. Jo\u00e3o Evangelista ser\u00e1 primeiro superior-geral.<\/p>\n<p>Em 1915, \u00e9 designado arcebispo de Mitilene, por ter sido convidado pelo Cardeal Patriarca D. Ant\u00f3nio Mendes Belo para vig\u00e1rio geral de Lisboa. Em 1923, deixa a capital de Portugal, onde ainda principiou o inqu\u00e9rito sobre as apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima (a diocese de Leira ainda n\u00e3o estava restaurada), para ser bispo de Vila Real, onde visitou todas as freguesias e iniciou a constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio. Nesta diocese, criou as \u201cFlorinhas da Neve\u201d, como j\u00e1 tinha criado em Lisboa as \u201cFlorinhas da Rua\u201d e viria a criar em Aveiro as \u201cFlorinhas do Vouga\u201d. Pio XI nomeou-o, em 1930, superior da Sociedade Portuguesa das Miss\u00f5es Cat\u00f3licas Ultramarinas.<\/p>\n<p>Entretanto, conforme relata no seu di\u00e1rio, na entrada de 28 de Abril de 1928, \u201cno regresso [de ter rezado ao p\u00e9 do t\u00famulo de Santa Joana], ao passar junto do largo municipal, pararam perto de mim duas pessoas que se interessam pela cria\u00e7\u00e3o da Diocese e, da\u00ed a pouco, o grupo engrossou at\u00e9 dar nas vistas. O que eles queriam! Queriam que eu trabalhasse para a cria\u00e7\u00e3o da Diocese, queriam depois que eu fosse bispo de Aveiro! Valha-me Nossa Senhora! A minha esposa, a pobrezinha de Vila Real, onde eu tenho tido dores t\u00e3o atrozes e t\u00e3o profundas conso-la\u00e7\u00f5es, eu deixava-a l\u00e1 por coisa nenhuma do mundo! E depois, \u00f3 cora\u00e7\u00f5es superficiais, v\u00f3s nunca ouvistes dizer que ningu\u00e9m \u00e9 profeta na sua terra?! E um deles n\u00e3o me deixava, enquanto o carro n\u00e3o abalou. E pela estrada fora, cortado de frio, a minha alma chorava e sorria\u201d.<\/p>\n<p>Sem se invocar agora as raz\u00f5es que levaram \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o da Diocese de Aveiro, tal veio a acontecer no dia 11 de Dezembro de 1938, sendo administrador apost\u00f3lico precisamente o bispo natural da cidade da Ria.<\/p>\n<p>Como Bispo de Aveiro (a partir de 12 de Janeiro de 1940), D. Jo\u00e3o \u201ctornou-se o ap\u00f3stolo incans\u00e1vel da constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio de Santa Joana Princesa [inaugurado a 14 de Novembro de 1951], fomentou o culto da Padroeira de Aveiro, fundou as Florinhas do Vouga para acolhimento de crian\u00e7as pobres, realizou cinco congressos eucar\u00edsticos em anos seguidos, a partir de 1940; reuniu o S\u00ednodo diocesano a 21 de Maio de 1944 (&#8230;); presidiu a peregrina\u00e7\u00f5es e promoveu, em 1951, uma triunfal jornada da imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima atrav\u00e9s de todas as freguesias, al\u00e9m das visitas pastorais que fez em toda a Diocese\u201d (Mons. Jo\u00e3o Gaspar in \u201cA Diocese de Aveiro\u201d). O arcebispo escreveu ainda as pastorais sobre o Semin\u00e1rio (1918, 1952 e 1954), a catequese (1953) e a Virgem Peregrina (1957). Tratou-se de \u201cerguer uma diocese, de dar coes\u00e3o a parcelas provindas das dioceses lim\u00edtrofes (Porto, Viseu e Coimbra) e de a dotar com estruturas s\u00f3lidas e funcionais\u201d, resume Georgino Rocha.<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal tinha \u201calma de artista\u201d e grande sensibilidade liter\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia acertada de Aveiro na primeira metade do s\u00e9c. XX sem ler os seus textos, recolhidos por Mons. Jo\u00e3o Gaspar em \u201c\u00daltimas p\u00e1ginas\u201d (1969), \u201cAveiro, suas gentes, terras e costumes\u201d (1967) ou \u201cA Alma e a Pena do Arcebispo\u201d (1977).<\/p>\n<p>Palavras de D. Jo\u00e3o sobre o Semin\u00e1rio<\/p>\n<p>\u201cA vida dum bispo \u00e9 uma vida dif\u00edcil e cheia de inquieta\u00e7\u00f5es e de responsabilidades em todos os lugares e em todos os tempos; mas estou certo de que ela n\u00e3o tem nada de mais cruel e de mais pungente do que este agonia de n\u00e3o haver sacerdotes em n\u00famero suficiente para o minist\u00e9rio das almas\u201d.<\/p>\n<p>Correio do Vouga, 18-03-1939<\/p>\n<p>Como se p\u00f4de amontoar esta soma [o dinheiro necess\u00e1rio para amplia\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es do primeiro semin\u00e1rio, que ficava no in\u00edcio da Av. Artur Ravara, junto ao Parque], ao lado de outras enormes que j\u00e1 foram gastas? Fui eu, \u00e9 verdade, o primeiro a despir-me; a Diocese nunca poder\u00e1 dizer que o seu pastor, conservando-se quentinho no seu abafo, s\u00f3 arranca a l\u00e3 das suas ovelhas para a gola do Semin\u00e1rio; n\u00e3o, a sua pr\u00f3pria l\u00e3, a sua pr\u00f3pria pele, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o desde os primeiros dias da sua guarda.<\/p>\n<p>Carta aos Padres, 07-10-1939<\/p>\n<p>Eis o meu pensamento; que n\u00e3o haja ningu\u00e9m, na Diocese (eu ia quase a dizer mesmo: &#8211; ainda que seja pag\u00e3o desde os p\u00e9s at\u00e9 \u00e0 cabe\u00e7a, ainda que seja a triste flor da valeta), ou t\u00e3o velho que adorme\u00e7a por assim dizer \u00e0 beira da cova, ou bot\u00e3o de rosa que comece a desabrochar \u00e0 luz do sol e a todos os perfumes da natureza, que n\u00e3o haja ningu\u00e9m, desde o pequenito gravoche que anda por a\u00ed s\u00f3 com uma al\u00e7a nas cal\u00e7as e com os pezitos na lama, at\u00e9 ao fidalguinho a quem n\u00e3o falta nada na sua casa e fora dela, aos amimados da sorte, desde aquele que n\u00e3o sabe onde arrecadar os seus dinheiros para os livrar dos ladr\u00f5es ou da tinha, at\u00e9 \u00e0queles que t\u00eam por \u00fanico cofre, sempre vazio, o bolso da cal\u00e7as, ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, se deve considerar desobrigado de contribuir, ainda que n\u00e3o seja sen\u00e3o com um gr\u00e3o de areia colhido \u00e0 beira do nosso Vouga, para a constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio. Eu quereria que todos, ao passarem por l\u00e1, dissessem de fronte erguida, com uma esp\u00e9cie de orgulho celeste: &#8211; Eu tamb\u00e9m dei. Se procurarem bem, l\u00e1 encontrar\u00e3o um bocado de pedra, que fui eu que a dei \u2013 sabeis? \u2013 fui eu que a dei. L\u00e1 est\u00e1 a minha assinatura, que s\u00f3 Deus sabe ler.<\/p>\n<p>In Pastoral sobre o Semin\u00e1rio<\/p>\n<p>Desde o princ\u00edpio, desde que senti no peito o gume que o feriu, logo come\u00e7ou a correr pelas minhas vestes de sacerdote a onda vermelha da imola\u00e7\u00e3o, e quando mais tarde, no banco [do Hospital] de S. Jos\u00e9, descobri (&#8230;) mais feridas, mais sangue, Tu ouviste, \u00f3 Senhor, o murm\u00fario da minha alma: se ele \u00e9 preciso, este sangue, para a Diocese, para o Semin\u00e1rio, deixa-o correr, eu dou-o todo; para que mais o havia de querer eu?<\/p>\n<p>CV, 08-02-1941. Relato sobre o atentado que D. Jo\u00e3o sofreu na Sociedade de Geografia, em Lisboa, no dia 11 de Novembro de 1940. Amadeu Ferreira da Piedade, com uma faca, golpeia o arcebispo no lado esquerdo do peito. Julga-se que o criminoso actuava a mando de terceiros, mas nunca tal veio a ser esclarecido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda recordado por muitos como \u201co Senhor Arcebispo\u201d, D. Jo\u00e3o Evangelista assumiu o desejo dos que queriam a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese e liderou de forma not\u00e1vel a Igreja de Aveiro durante duas d\u00e9cadas. D. Jo\u00e3o Evangelista morreu no dia 5 de Janeiro de 1958, no Hospital da Miseric\u00f3rdia de Aveiro. 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