{"id":833,"date":"2010-03-03T16:39:00","date_gmt":"2010-03-03T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=833"},"modified":"2010-03-03T16:39:00","modified_gmt":"2010-03-03T16:39:00","slug":"quem-pede-responsabilidades-a-quem-manda-e-decide-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-pede-responsabilidades-a-quem-manda-e-decide-mal\/","title":{"rendered":"Quem pede responsabilidades a quem manda e decide mal?"},"content":{"rendered":"<p>Mandar sempre bem nunca ter\u00e1 sido f\u00e1cil, porque \u00e9 mais do que dar ordens, fazer leis ou proclamar, em diversos  tons: \u201cQuem manda sou eu!\u201d<\/p>\n<p>Dif\u00edcil, por certo, em todos os sectores da vida: na fam\u00edlia, na escola, no governo e nas autarquias, na par\u00f3quia e na diocese, na empresa e na sec\u00e7\u00e3o da mesma. <\/p>\n<p>H\u00e1 sempre quem goste de mandar. Normalmente quem gosta e faz tudo para ser o primeiro, n\u00e3o \u00e9 quem manda melhor nem quem faz da autoridade um servi\u00e7o aos outros.<\/p>\n<p>Nos campos mais largos de qualquer ordem, vamos vendo como se multiplicam os efeitos limitados, quando n\u00e3o nocivos, de quem n\u00e3o soube fazer do exerc\u00edcio da autoridade, ainda que leg\u00edtima, um servi\u00e7o inteligente e generoso. <\/p>\n<p>Os erros do agora comprometem sempre o amanh\u00e3, porque se fugiu, ou n\u00e3o se atendeu, \u00e0 l\u00f3gica sequencial do ver, escutar, prever, prevenir e, s\u00f3 depois, decidir.<\/p>\n<p>Muitas vezes \u00e9 ignor\u00e2ncia do que se quer e com o que se conta. A legitimidade n\u00e3o gera intelig\u00eancia nem sensatez. Quem n\u00e3o \u00e9 capaz de prever consequ\u00eancias, nunca poder\u00e1 decidir bem.<\/p>\n<p>Toda esta reflex\u00e3o me veio ao sentido ao ver as tristes consequ\u00eancias de algumas leis infelizes da Assembleia da Rep\u00fablica. \u00c9 mais do que evidente o que passa com a lei facilitadora do div\u00f3rcio. Seria \u00fatil, haja quem o fa\u00e7a, tentar um levantamento dos casos em tribunal ou que j\u00e1 por l\u00e1 passaram, como express\u00e3o dos dramas e das ru\u00ednas causadas por tal lei. E muitos casos n\u00e3o v\u00e3o a tribunal\u2026 Apenas se verificam os destro\u00e7os irrepar\u00e1veis nos esposos, nos filhos, nos demais familiares e ainda outros, n\u00e3o menos graves, pelo destruir de uma vis\u00e3o positiva do casamento, pela crescente desafei\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo, por parte dos mais novos, v\u00edtimas inocentes destas situa\u00e7\u00f5es, pelo anular de valores como o perd\u00e3o, a paci\u00eancia, a capacidade de ultrapassar momentos dif\u00edceis, mas normais, na vida de cada um e de cada casal, por retirar \u00e0 fam\u00edlia a for\u00e7a natural que comporta com decis\u00e3o de sempre de n\u00e3o desanimar.<\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s, advogados e ju\u00edzes aconselhavam os esposos desavindos ou em dificuldade, davam tempo para pensar, mostravam as consequ\u00eancias do div\u00f3rcio, recordavam que a vida em comum sempre exige esfor\u00e7o e que o amor \u00e9 um bem a n\u00e3o perder e a recuperar. Hoje n\u00e3o faltam advogados a dizer: \u201cVai para outra n\u00e3o sejas tolo ou tola\u201d. Aos ju\u00edzes, j\u00e1 n\u00e3o se chega sen\u00e3o em casos especiais, porque surge o problema da ruptura e decreta-se o div\u00f3rcio rapidamente ali na conservat\u00f3ria da esquina. Qualquer dia nem \u00e9 preciso ir l\u00e1.<\/p>\n<p>Quem pede responsabilidade a legisladores imponderados que olharam apenas a grupos press\u00e3o e opress\u00e3o, procuram votos para o partido ou, qui\u00e7\u00e1, uma porta de sa\u00edda para eles pr\u00f3prios, esquecidos que legislar bem \u00e9 um acto fundamental para que se consiga o bem comum, a paz e progresso social, a salvaguarda dos valores sociais fundamentais?  <\/p>\n<p>O pragmatismo sem pondera\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre nocivo. Os mais novos e os mais velhos imaturos raramente v\u00e3o al\u00e9m do \u201cagora\u201d e, mesmo este, sem uma dimens\u00e3o realista. O \u201camanh\u00e3\u201d pouco ou nada lhes interessa, como n\u00e3o vale a pena pensar nas poss\u00edveis consequ\u00eancias de decis\u00f5es pouco ou nada ponderadas. <\/p>\n<p>O pa\u00eds enfrenta um drama que n\u00e3o \u00e9 de menor import\u00e2ncia: a prolifera\u00e7\u00e3o crescente de incompetentes nos lugares de comando, a superficialidade na an\u00e1lise dos problemas, a aus\u00eancia de gente preparada e capaz. Esta n\u00e3o se sente vocacionada para actora de dramas, de com\u00e9dias e palha\u00e7adas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica barata e as zangas e disputas no futebol tomaram conta deste pa\u00eds. Por este caminho n\u00e3o vamos longe. O beco j\u00e1 se vislumbra. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mandar sempre bem nunca ter\u00e1 sido f\u00e1cil, porque \u00e9 mais do que dar ordens, fazer leis ou proclamar, em diversos tons: \u201cQuem manda sou eu!\u201d Dif\u00edcil, por certo, em todos os sectores da vida: na fam\u00edlia, na escola, no governo e nas autarquias, na par\u00f3quia e na diocese, na empresa e na sec\u00e7\u00e3o da mesma. 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