{"id":8340,"date":"2006-11-15T17:56:00","date_gmt":"2006-11-15T17:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8340"},"modified":"2006-11-15T17:56:00","modified_gmt":"2006-11-15T17:56:00","slug":"sonhos-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sonhos-da-china\/","title":{"rendered":"Sonhos da China"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o de Deus Ramos, no F\u00f3rum :: Universal <!--more--> \u201cCom uma vis\u00e3o privilegiada de historiador, diplomata, formado em Direito, e de membro da Funda\u00e7\u00e3o Oriente\u201d \u2013 para usar as palavras do professor da Universidade de Aveiro Serrano Pinto \u2013 Jo\u00e3o de Deus Ramos proporcionou \u00e0 meia centena de pessoas que se deslocou ao Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura (n\u00e3o tantas como a organiza\u00e7\u00e3o esperava e o tema prometia) uma viagem pela hist\u00f3ria e sonhos da China, o pa\u00eds mais populoso do mundo, a pot\u00eancia que neste s\u00e9culo vai desafiar os Estados Unidos. O diplomata foi embaixador de Portugal na China e continua a visitar regularmente o pa\u00eds do Extremo Oriente. Aqui fica o resumo das palavras de Jo\u00e3o de Deus Ramos, na noite de 8 de Novembro. <\/p>\n<p>A China tem sonhos<\/p>\n<p>Em per\u00edodos, eventos, pessoas ou circunst\u00e2ncias, surgiram caracter\u00edsticas que funcionaram como motor social no pa\u00eds com a hist\u00f3ria (ininterrupta) mais antiga. S\u00e3o os tr\u00eas sonhos e uma caracter\u00edstica da China: a Sabedoria, a Utopia, a Ideologia e o Pragmatismo.<\/p>\n<p>Sonho da Sabedoria<\/p>\n<p>A China funciona pelo intelecto e n\u00e3o pela espiritualidade (essa \u00e9 a via da \u00cdndia). Conf\u00facio (552-479 a.C.) \u00e9 a figura tutelar. Se n\u00e3o tivesse sido chin\u00eas, teria dado origem a uma religi\u00e3o. Viajou de terra em terra, como assessor de poderosos, que o chamavam para falar. \u00c9, acima de tudo, um homem de conhecimentos alargados, intelig\u00eancia e bom-senso.<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o anti-Conf\u00facio<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Cultural (1966-1975) de Mao Ts\u00e9-Tung quis apagar Conf\u00facio e o melhor que a civiliza\u00e7\u00e3o e cultura chinesa tinham. Curiosamente, ambos provieram da burguesia (Conf\u00facio da alta, Mao da baixa). Hoje, o confucionismo, filosofia moral e pol\u00edtica que abarca o indiv\u00edduo e a ordem do universo, est\u00e1 reabilitado.<\/p>\n<p>Sonho da Utopia<\/p>\n<p>Shi Huang-Di (259-210 a.C.) corporizou este sonho. Unificou os diversos estados guerreiros, tornou-se o primeiro grande imperador, quando a China tinha j\u00e1 2000 anos de hist\u00f3ria. No t\u00famulo deste imperador, foi encontrado o impressionante ex\u00e9rcito de terracota: milhares de esculturas de cavalos, carro\u00e7as e soldados, em tamanho natural. Os milhares de soldados t\u00eam todos fei\u00e7\u00f5es diferentes: escultura em cadeia de produ\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo individualizada.<\/p>\n<p>Grande Muralha<\/p>\n<p>Shi Huang-Di impulsionou a constru\u00e7\u00e3o da Grande Muralha, que, com 2400 km de extens\u00e3o, \u00e9 a maior estrutura jamais constru\u00edda pelo homem. A muralha destinava-se a marcar a fronteira entre a civiliza\u00e7\u00e3o e os b\u00e1rbaros.<\/p>\n<p>Utopia \u00e0 base do medo<\/p>\n<p>Este imperador uniformizou os pesos, as medidas e a moeda e queimou os livros \u2013 coisa que nunca lhe perdoaram \u2013, porque achava que as pessoas deviam ser governadas \u00e0 base do medo, com castigos m\u00e1ximos e recompensas m\u00ednimas.<\/p>\n<p>Sonho da Ideologia<\/p>\n<p>A China teve 24 dinastias nos 2300 anos de governo centralizado. Na base das dinastias estiveram ideias, ideologias, no sentido de \u201ccomo vamos gerir o imp\u00e9rio?\u201d<\/p>\n<p>Pragmatismo<\/p>\n<p>Deng Xiaoping (presidente da Rep\u00fablica Popular da China entre 1975 e 1997) dizia que, \u201cdesde que os gatos apanhem ratos, n\u00e3o interessa de que cor s\u00e3o\u201d. O pragmatismo \u2013 uma caracter\u00edstica e n\u00e3o um sonho \u2013 foi o que permitiu que Macau estivesse 450 anos sob administra\u00e7\u00e3o portuguesa e \u00e9 o que faz hoje a China crescer em termos pol\u00edticos e econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Problemas actuais<\/p>\n<p>Os l\u00edderes actuais s\u00e3o os primeiros que n\u00e3o s\u00e3o hist\u00f3ricos do partido. Para eles, a Longa Marcha \u00e9 uma nota de p\u00e9 de p\u00e1gina. Os problemas de agora s\u00e3o: como \u00e9 que a China vai lidar com o abrandamento do ritmo de crescimento? Como lida com o problema da energia? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar a crescer ao ritmo de 10% ao ano por muito mais tempo. Como lida com a pir\u00e2mide demogr\u00e1fica, deformada por causa da \u201cpol\u00edtica do filho \u00fanico\u201d? A China vai lidar com pragmatismo, mas espero que prevale\u00e7a o sonho de sabedoria e sejam os promotores das mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Novas rela\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A China est\u00e1 a estabelecer rela\u00e7\u00f5es inovadoras com os pa\u00edses pobres, principalmente de \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 alucinante o que se passa em Angola. No entanto, culturalmente, chineses e africanos d\u00e3o-se mal.<\/p>\n<p>Portugal e a China<\/p>\n<p>O nosso pa\u00eds poder\u00e1 tirar partido da ida de Jos\u00e9 S\u00f3crates, em 2007, \u00e0 China. Vai sob o chap\u00e9u da Uni\u00e3o Europeia, mas sendo portugu\u00eas. H\u00e1 um bom relacionamento declarado. H\u00e1 nichos de colabora\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Macau \u00e9 receptivo \u00e0 CPLP (Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa). N\u00e3o h\u00e1 conflitualidade em rela\u00e7\u00e3o a Portugal, como h\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses europeus, por causa das guerras do s\u00e9c. XIX.<\/p>\n<p>Os chineses <\/p>\n<p>\u00e9 que descobriam o Ocidente?<\/p>\n<p>\u00c9 a tese avan\u00e7ada por Gavin Menzies em \u201c1421: O ano em que a China descobriu o mundo\u201d. A obra do oficial da marinha brit\u00e2nica, publicada em portugu\u00eas em 2004, durante algum tempo obteve ecos nos historiadores chineses, mas acabou por ser catalogada como \u201cstory\u201d e n\u00e3o \u201chistory\u201d. \u00c9 pura fantasia.<\/p>\n<p>Imp\u00e9rio do Meio<\/p>\n<p>A China chama-se a si pr\u00f3pria \u201cImp\u00e9rio do Meio\u201d. Julga-se no centro do mundo. Da\u00ed que, quando os mission\u00e1rios ocidentais chegaram \u00e0 China, os governantes exigissem que a China fosse representada no centro do mapa.<\/p>\n<p>O que une a China?<\/p>\n<p>Com prov\u00edncias do tamanho da Europa e 1300 milh\u00f5es de habitantes (os 25 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia t\u00eam cerca de 500 milh\u00f5es de habitantes), a China mant\u00e9m-se unida devido a uma certa unidade geogr\u00e1fica, gra\u00e7as \u00e0 l\u00edngua (e principalmente \u00e0 escrita pictogr\u00e1fica e ideogr\u00e1fica, uma vez que os chineses nem sempre se entendem quando falam, mas compreendem-se quando l\u00eaem), e fundamentalmente pela coer\u00eancia entre civiliza\u00e7\u00e3o e cultura.<\/p>\n<p>Liberdade de express\u00e3o<\/p>\n<p>Cresceu exponencialmente na Rep\u00fablica Popular da China. Pode-se pensar e dizer o que se quiser, desde que n\u00e3o tenha consequ\u00eancias na ordem pol\u00edtica estabelecida. Os Jogos Ol\u00edmpicos de 2008 ser\u00e3o um texto curioso \u00e0 liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo F\u00f3rum::Universal<\/p>\n<p>6 de Dezembro, 21h, no CUFC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o de Deus Ramos, no F\u00f3rum :: Universal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":["post-8340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-forum-universal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}