{"id":8347,"date":"2006-11-15T18:12:00","date_gmt":"2006-11-15T18:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8347"},"modified":"2006-11-15T18:12:00","modified_gmt":"2006-11-15T18:12:00","slug":"tu-que-sabes-o-que-queres-de-deus-procura-saber-o-que-deus-quer-de-ti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tu-que-sabes-o-que-queres-de-deus-procura-saber-o-que-deus-quer-de-ti\/","title":{"rendered":"Tu que sabes o que queres de Deus, procura saber o que Deus quer de ti"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> Parece ser j\u00e1 um refr\u00e3o, a todas as horas repetido: Isto \u00e9 que vai uma crise! \u00c9 a crise econ\u00f3mica, \u00e9 a crise do petr\u00f3leo, \u00e9 a crise da gente nova, \u00e9 a crise dos mais velhos, desiludidos e saudosistas, \u00e9 a crise da democracia\u2026<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo em crise e tudo \u00e9 crise: est\u00e3o em crise os valores, est\u00e1 em crise a educa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em crise a fam\u00edlia, est\u00e1 em crise a sociedade, est\u00e1 em crise a seguran\u00e7a, est\u00e1 em crise o emprego, est\u00e1 em crise a Igreja, est\u00e1 em crise a paz, est\u00e1 em crise a justi\u00e7a, est\u00e1 em crise a seriedade, est\u00e1 em crise a honestidade, est\u00e1 em crise o respeito pela vida, est\u00e3o em crise as boas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, est\u00e3o em crise a interioridade e a espiritualidade, \u2026 Que \u00e9 que n\u00e3o estar\u00e1 em crise?<\/p>\n<p>Apetecia-me dizer que a crise s\u00f3 \u00e9 crise quando n\u00f3s pr\u00f3prios estamos em crise. Se dentro de mim se desenvolve um sentido de inseguran\u00e7a, de des\u00e2nimo, de desconfian\u00e7a e de mal-estar interior, nada \u00e0 minha volta poder\u00e1 estar de boa sa\u00fade. Acredito que o grande mal da sociedade \u00e9 gerado dentro de mim, dentro de cada um de n\u00f3s. <\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 crise de fome, n\u00e3o h\u00e1 crise de guerra, n\u00e3o h\u00e1 crise de ego\u00edsmo, n\u00e3o h\u00e1 crise de malvadez, n\u00e3o h\u00e1 crise de gan\u00e2ncia e de poder. Assim sendo, o mundo \u00e9 o resultado das crises (doen\u00e7as) interiores mal tratadas e mal curadas, que afectam e infectam, por cont\u00e1gio directo ou indirecto, milh\u00f5es de pessoas, sem que se tomem as precau\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 comum dizer-se que as voca\u00e7\u00f5es est\u00e3o em crise, que os semin\u00e1rios est\u00e3o vazios, que a Igreja est\u00e1 a caminhar para a ru\u00edna. Todas as crises s\u00e3o relativas: depois da fartura, qualquer diminui\u00e7\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel. H\u00e1 \u00e9pocas de muita abund\u00e2ncia que proporcionam dificuldades pela fartura, h\u00e1 \u00e9pocas de carestia que criam dificuldades pela car\u00eancia. \u00c9 assim com o dinheiro, \u00e9 assim com os produtos da terra, \u00e9 assim com tudo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que nem todos se apercebem das crises, uns porque est\u00e3o sempre alheados de tudo, outros porque \u201cv\u00eaem\u201d mal ao longe, outros ainda porque v\u00e3o tendo a \u201chabilidade\u201d de fugir ao tsunami. <\/p>\n<p>Na Igreja, alguns s\u00f3 d\u00e3o pela crise de padres nas alturas de funerais, festas e prociss\u00f5es; outros por ocasi\u00e3o de baptizados; e outros porque sentem bem na pele a realidade da nossa Igreja. <\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil encontrar raz\u00f5es para a crise, porque elas est\u00e3o a\u00ed bem \u00e0 vista: a sociedade, a fam\u00edlia, o abandono da Igreja, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, os pr\u00f3prios cat\u00f3licos que vivem despreocupados e n\u00e3o testemunham uma vida s\u00e9ria, os sacerdotes que n\u00e3o s\u00e3o capazes de motivar, as comunidades que destroem as sementes de voca\u00e7\u00e3o, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o do sacerdote, as frequentes conversas e cr\u00edticas de car\u00e1cter negativo, as anedotas de mau gosto de que as pessoas tanto gostam, as cal\u00fanias, enfim\u2026 Podia ser uma intermin\u00e1vel ladainha.<\/p>\n<p>Vejam s\u00f3 o que acontece \u00e0quele rapaz que, na novela \u00c9 tempo de viver, metralhado por toda a gente, sente dificuldades em seguir a sua voca\u00e7\u00e3o. Chegou-se ao c\u00famulo de o seu pr\u00f3prio pai ter dito \u00e0 esposa que j\u00e1 rezava\u2026, para que seu filho desistisse da ideia de ser padre. \u00c9 novela, mas n\u00e3o est\u00e1 distante da realidade.<\/p>\n<p>&#8211; Por que raz\u00e3o n\u00e3o querer\u00e3o os jovens de hoje ser padres?<\/p>\n<p>&#8211; Claramente, a \u201cprofiss\u00e3o\u201d n\u00e3o seduz ningu\u00e9m; mas tamb\u00e9m da\u00ed n\u00e3o vem qualquer problema, porque de profissionais n\u00e3o precisamos. Infelizmente j\u00e1 temos alguns. Por outro lado, a miss\u00e3o n\u00e3o entusiasma ningu\u00e9m, porque se perdeu ou n\u00e3o se desenvolveu o esp\u00edrito de servi\u00e7o e de luta. Os jovens de hoje foram criados no facilitismo, na fartura, na acomoda\u00e7\u00e3o, na super-protec\u00e7\u00e3o, na indiferen\u00e7a, sem sentido do dever e sem obriga\u00e7\u00f5es de nenhuma esp\u00e9cie. N\u00e3o foram educados para as dificuldades e correr riscos n\u00e3o \u00e9 com eles. \u201cSe eu estou bem, para que \u00e9 que me vou incomodar com os outros? Desinstalar-me, sair do meu comodismo\u2026 com que benef\u00edcios?\u201d<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 jovens altamente empenhados em processos de miss\u00e3o, de voluntariado, de abertura a Deus e aos seus des\u00edgnios, em projectos de interven\u00e7\u00e3o eclesial e social, preocupados em n\u00e3o passar \u00e0 margem da vida. \u00c9 destes que surgem as voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio e outras de positivo compromisso com a vida.<\/p>\n<p>Tu, m\u00e3e ou pai de fam\u00edlia, n\u00e3o pe\u00e7as a Deus um futuro risonho para o teu filho; pede-lhe que fa\u00e7a de ti e dos teus filhos motivo de alegria e felicidade para os outros. Ver\u00e1s que quem d\u00e1 a vida pelos outros recebe cem vezes mais do que aquilo que d\u00e1.<\/p>\n<p>Tu, jovem, acredita que a felicidade n\u00e3o vem de fora para dentro, mas se realiza de dentro para fora. Constr\u00f3i a tua felicidade fazendo os outros felizes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8347","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8347\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}