{"id":8348,"date":"2006-11-15T18:14:00","date_gmt":"2006-11-15T18:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8348"},"modified":"2006-11-15T18:14:00","modified_gmt":"2006-11-15T18:14:00","slug":"desafios-que-permanecem-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/desafios-que-permanecem-1\/","title":{"rendered":"Desafios que permanecem (1)"},"content":{"rendered":"<p>Direitos Humanos <!--more--> N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil tentar resumir o que foram quase dois anos de actividade mission\u00e1ria pr\u00f3xima, ou, se quisermos, os quase cinco anos, incluindo todas as experi\u00eancias anteriores. Por\u00e9m, a esta altura, imp\u00f5e-se um balan\u00e7o (o poss\u00edvel!).<\/p>\n<p>Como partilhei, anteriormente, com os nossos leitores, o trabalho mission\u00e1rio no Nordeste Brasileiro, do qual Deus me deu a gra\u00e7a de participar, resultou nalgumas conquistas, e outros tantos desafios que fica(ra)m. Repito uma express\u00e3o que pode ser um \u201clugar comum\u201d, mas que n\u00e3o deixa, no entanto, de ser uma constata\u00e7\u00e3o \u00f3bvia: a Miss\u00e3o \u00e9 Permanente. E, quando a Miss\u00e3o \u00e9 tentar realizar os Direitos Humanos, procurar a Justi\u00e7a Social e concretizar o Plano de Felicidade que Deus tem para a Humanidade, ent\u00e3o teremos pela frente desafios que, creio, permanecer\u00e3o eternamente.<\/p>\n<p>Ilustro a constata\u00e7\u00e3o do que afirmei anteriormente com o exemplo da luta pela terra. <\/p>\n<p>Quando cheguei, a primeira vez, ao Maranh\u00e3o, em 1994, tive possibilidade de verificar o sofrimento que, ao fim de quase 500 anos, o povo nordestino enfrentava por viver e trabalhar em terras das quais n\u00e3o era legalmente possuidor. Apesar dos anos 90 terem sido passados num ambiente de conquistas democr\u00e1ticas, a verdade \u00e9 que o poder das grandes fam\u00edlias de fazendeiros se manteve. Ao chegar a Chapadinha em 2000, ap\u00f3s as minhas duas experi\u00eancias no Maranh\u00e3o durante a d\u00e9cada de 90, pensei que os conflitos fundi\u00e1rios j\u00e1 tivessem terminado. Desafortunadamente, a luta pela posse da terra n\u00e3o era coisa do passado. Como aprendi, numa c\u00e9lebre frase do Pe. Manuel Neves, Mission\u00e1rio da Boa Nova com quem trabalhei, a Reforma Agr\u00e1ria era como \u201cuma velha locomotiva movida a sangue\u201d. As pequenas vit\u00f3rias que os pequenos camponeses iam conseguindo eram \u201ctiradas a ferros\u201d, sendo que as autoridades respons\u00e1veis s\u00f3 intervinham quando se tornava imposs\u00edvel ocultar a gravidade das situa\u00e7\u00f5es. Lembro os conflitos agr\u00e1rios que estavam abertos em 2000 na par\u00f3quia de Chapadinha, nomeadamente nos povoados Barroca da Vaca, Sangue e Baturit\u00e9. Na Barroca da Vaca, as autoridades s\u00f3 concederam a posse da terra depois das fam\u00edlias terem sido despejadas das suas casas, dos seus haveres terem sido destru\u00eddos, ap\u00f3s terem reocupado a \u00e1rea e a\u00ed terem resistido a mais algumas tentativas de expuls\u00e3o. No povoado Sangue, foram as amea\u00e7as constantes, as proibi\u00e7\u00f5es ao direito de ir-e-vir e muitos outros constrangimentos que, finalmente, levaram os respons\u00e1veis a aprovarem a desapropria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. J\u00e1 no povoado Baturit\u00e9, foi \u201cnecess\u00e1rio\u201d o assassinato de uma lideran\u00e7a local \u2013 o Zezinho \u2013 na fat\u00eddica noite de 2 para 3 de Maio de 2001, para que o processo de Reforma Agr\u00e1ria pudesse ser implementado naquela zona.<\/p>\n<p>O in\u00edcio do ano de 2005 ditou o meu regresso ao Nordeste e o que constatei foi a ocorr\u00eancia frequente de viola\u00e7\u00f5es aos Direitos Humanos, em especial ao Direito \u00e0 Habita\u00e7\u00e3o, \u00e0 Terra e \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o. Os antigos fazendeiros come\u00e7aram a desfazer-se das suas terras. Por outro lado, os novos \u201cterratenentes\u201d s\u00e3o agora oriundos do Sul do Brasil ou (o que ainda \u00e9 pior!) s\u00e3o grandes empresas agr\u00edcolas sem rosto. <\/p>\n<p>No Maranh\u00e3o, agudizam-se os problemas fundi\u00e1rios hodiernamente agravados com as amea\u00e7as ambientais. A vegeta\u00e7\u00e3o do bioma \u201ccerrado\u201d \u00e9 extirpada. As \u00e1rvores nativas s\u00e3o cortadas e a madeira levada para as enormes f\u00e1bricas de a\u00e7o, alum\u00ednio&#8230; Em seu lugar planta-se soja ou eucalipto (!?). Na diocese de Brejo, os sojicultores estimam em 2 milh\u00f5es de hectares a \u00e1rea por eles adquirida, pronta a ser usada nessa monocultura. <\/p>\n<p>Longe de estar resolvida, hoje a quest\u00e3o agr\u00e1ria volta a ser uma preocupa\u00e7\u00e3o fulcral na luta pelos Direitos Humanos e assim permanece um desafio. O mais novo antigo desafio. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8348","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8348\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}