{"id":835,"date":"2010-03-31T10:42:00","date_gmt":"2010-03-31T10:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=835"},"modified":"2010-03-31T10:42:00","modified_gmt":"2010-03-31T10:42:00","slug":"ser-totalmente-de-deus-para-ser-totalmente-dos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ser-totalmente-de-deus-para-ser-totalmente-dos-homens\/","title":{"rendered":"&#8220;Ser totalmente de Deus para ser totalmente dos homens&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O P.e Carlos Alberto Pereira de Sousa nasceu em Rocas do Vouga, em 1960 (completou 50 anos no dia 28 de Mar\u00e7o), mas desde crian\u00e7a que residiu com a sua fam\u00edlia na Gafanha da Nazar\u00e9, onde foi ordenado e agora trabalha como padre do Movimento Apost\u00f3lico de Schoenstatt. Numa altura em que este movimento celebra o Jubileu dos 50 anos de presen\u00e7a em Portugal e se prepara para a peregrina\u00e7\u00e3o nacional a F\u00e1tima, nos dias 17 e 18 de Abril, o Correio do Vouga conversou com este sacerdote, que d\u00e1 a conhecer o seu minist\u00e9rio e a espiritualidade do movimento que tem um santu\u00e1rio na Gafanha da Nazar\u00e9. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Foi ordenado no dia 29 de Julho de 1996, por D. Ant\u00f3nio Marcelino, na Igreja da Gafanha da Nazar\u00e9, depois da sua forma\u00e7\u00e3o no Chile, na Argentina e na Alemanha. Desde que \u00e9 padre, a que trabalhos esteve ligado?<\/p>\n<p>P.E CARLOS ALBERTO &#8211; No primeiro ano e meio de sacerdote trabalhei nas mesmas par\u00f3quias de Pa\u00e7o de Arcos e Caxias, onde j\u00e1 fizera o est\u00e1gio enquanto di\u00e1cono. Ao mesmo tempo j\u00e1 trabalhava como assistente da Juventude Masculina de Schoenstatt em Lisboa. Tamb\u00e9m fui designado para dar assist\u00eancia ao Movimento de Schoenstatt nas dioceses de Braga e Porto, aonde me deslocava uma vez por m\u00eas. Nessa altura \u00e9ramos apenas tr\u00eas padres de Schoenstatt em Portugal e, desde Lisboa, atend\u00edamos todo o Movimento de Schoenstatt nestas Terras de Santa Maria.<\/p>\n<p>Entretanto deixei o trabalho nas par\u00f3quias, continuando apenas a colaborar com o mesmo padre, o c\u00f3nego Armando Duarte, que entretanto tinha sido nomeado p\u00e1roco de Alg\u00e9s e Miraflores.<\/p>\n<p>Data desse tempo o trabalho como capel\u00e3o do Sporting?<\/p>\n<p>Entretanto o Movimento de Schoenstatt abre um Col\u00e9gio e fui nomeado Capel\u00e3o, continuando com todos os trabalhos anteriores. A pedido do Sr. Patriarca, para que os Padres de Schoenstatt colocassem um padre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para a capelania da Obra do Ardina, fui nomeado para essa tarefa. Uma nota curiosa \u00e9 que de repente senti que era capel\u00e3o de v\u00e1rias coisas. At\u00e9 de um Clube de Futebol, o Sporting, que desejava ter um Sacerdote para acompanhar essencialmente os atletas em forma\u00e7\u00e3o, particularmente os que sendo oriundos de outros lugares de Portugal, viviam a\u00ed internamente. Entre os muitos que a\u00ed viviam, encontrei o Cristiano Ronaldo, nessa altura com apenas 14 anos de idade. Al\u00e9m do acompanhamento pessoal, havia a componente religiosa e v\u00e1rios receberam o sacramento do Crisma. \u00c9 uma tarefa que ainda hoje tenho, \u00e0 dist\u00e2ncia, desde Aveiro, com uma presen\u00e7a muito reduzida.<\/p>\n<p>Regressou depois a Aveiro\u2026<\/p>\n<p>Sim, com a chegada de outros Padres, num total de cinco, dois fomos para Aveiro, e da\u00ed atend\u00edamos o Movimento de Schoenstatt em toda a regi\u00e3o centro\/norte de Portugal, mais propriamente Coimbra, Aveiro, Porto e Braga.<\/p>\n<p>Neste momento, sou o \u00fanico padre de Schoenstatt em Aveiro e atendo o Movimento nesta diocese e tamb\u00e9m um pequeno grupo de schoenstattianos em Coimbra. Duas vezes por ano desloco-me ao Funchal, onde estamos a dar in\u00edcio ao Movimento na Ilha da Madeira.<\/p>\n<p>Como vive a espiritualidade associada a Schoenstatt?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, temos a Alian\u00e7a de Amor com Nossa Senhora. Esta Alian\u00e7a \u00e9 a fonte da vitalidade e o centro da espiritualidade de Schoenstatt, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de Schoenstatt. Sinto que Maria me ajuda a viver com maior profundidade um contacto vivo e permanente com Deus, pois foi assim que Ela viveu e nos convida e ajuda a viver. Al\u00e9m disso, em alian\u00e7a com Ela, nasce em mim uma maior consci\u00eancia de miss\u00e3o. Cito um exemplo b\u00edblico de que gosto particularmente: a Visita\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora \u00e0 Sua prima Isabel. Portadora de Cristo, portadora das gra\u00e7as de Deus, n\u00e3o fica instalada no seu ser a M\u00e3e de Deus, mas vai ao encontro dos homens.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a Alian\u00e7a de Amor compreende necessariamente uma projec\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Por isso, quero converter-me num instrumento de Maria para servir, como Ela fez em toda a sua vida. Esta \u00e9 tamb\u00e9m uma das caracter\u00edsticas da espiritualidade de Schoenstatt, a espiritualidade do instrumento.<\/p>\n<p>Tento viver a rela\u00e7\u00e3o com Deus, n\u00e3o s\u00f3 na participa\u00e7\u00e3o de alguma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, mas na totalidade da minha vida, aquilo que o nosso Fundador chamava \u201csantidade da vida di\u00e1ria\u201d, uma santidade que vive harmonicamente a f\u00e9 e a vida.<\/p>\n<p>Estando a Igreja a viver o Ano Sacerdotal, imp\u00f5e-se a quest\u00e3o: como vive o sacerd\u00f3cio ministerial?<\/p>\n<p>Em resposta a esta pergunta come\u00e7o por mencionar a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos. Esta \u00e9 uma das minhas maiores alegrias. A concretiza\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia da espiritualidade do instrumento consiste precisamente em deixar que Deus actue atrav\u00e9s de mim. Sinto-me indigno de tal grandeza, mas por outro lado, a felicidade de que, mesmo assim, Deus me quer utilizar para, atrav\u00e9s de mim, as suas gra\u00e7as e dons possam chegar a muitos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a forma como normalmente me visto \u00e9 propositada. A maior parte das vezes estou bem identificado como sacerdote, penso que se o meu ser \u00e9 ser sacerdote, ent\u00e3o devo ser um sinal vis\u00edvel no meio do mundo de hoje, onde penso que faltam muitos sinais que nos falem de Deus.<\/p>\n<p>Gostaria tamb\u00e9m de mencionar a import\u00e2ncia para mim do sacerd\u00f3cio ministerial, ou seja, uma consagra\u00e7\u00e3o totalmente a Deus. Ser totalmente de Deus para ser totalmente dos homens.<\/p>\n<p>O sacerd\u00f3cio \u00e9 feito tamb\u00e9m, com certeza, de dificuldades e incompreens\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>Na verdade n\u00e3o posso falar de dificuldades maiores ou incompreens\u00f5es. Sempre existem pequenas coisas que agradam mais a uns e menos a outros, mas at\u00e9 agora, na minha vida sacerdotal posso dizer que s\u00f3 posso dar gra\u00e7as a Deus por tudo.<\/p>\n<p>Na viv\u00eancia do sacerd\u00f3cio ministerial, devo tamb\u00e9m mencionar o sacerd\u00f3cio fraterno. Passo a explicar: o estilo de vida da minha Comunidade \u00e9 viver em comunidade. Isso \u00e9 muito importante para mim, a partilha, a viv\u00eancia fraternal em comunidade, d\u00e1-me maior estabilidade. Sinto que n\u00e3o conseguiria viver sozinho, uma das raz\u00f5es porque me decidi pelos Padres de Schoenstatt.<\/p>\n<p>Tem algum lema?<\/p>\n<p>Tenho um a que chamo Ideal Pessoal que reservo para mim. Mas quero partilhar outro que \u00e9 a cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica que vem da minha ordena\u00e7\u00e3o Sacerdotal: \u201cEu consagro-me por eles, para que tamb\u00e9m eles sejam consagrados na verdade\u201d (Jo. 17, 19).<\/p>\n<p>Esta passagem tem muito a ver comigo, pelo menos pelo que procuro ser como sacerdote e tamb\u00e9m a raz\u00e3o de ser do meu sacerd\u00f3cio. Trata-se da identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, pois s\u00f3 assim tem sentido ser sacerdote. Consagrar-se por eles significa oferecer-se a Deus, assim como Cristo. Oferecer-se a Deus pelos outros e para os outros. Acho que o meu sacerd\u00f3cio s\u00f3 tem sentido a partir desta entrega total, na ora\u00e7\u00e3o e principalmente no sacrif\u00edcio Eucar\u00edstico. Por outro lado, procuro viver o meu sacerd\u00f3cio desde a perspectiva do ser para os outros, estar no meio dos outros para eles.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, esta consagra\u00e7\u00e3o vivo-a tamb\u00e9m desde a perspectiva mariana. Maria, a cheia de Gra\u00e7a, \u00e9 totalmente consagrada a Deus. Em Alian\u00e7a com Ela, como dizemos em Schoenstatt, em Alian\u00e7a de Amor com Maria, encontro uma forma concreta de, atrav\u00e9s d\u2019Ela, viver em alian\u00e7a com Deus.<\/p>\n<p>Como \u00e9 o P.e Carlos em privado? Gosta de desporto? Costuma ler?<\/p>\n<p>Como sou em privado? Igual ao que sou em p\u00fablico, sou eu mesmo. Mas posso contar algumas coisas dos meus gostos. Em primeiro lugar gosto muito de futebol, sou p\u00e9ssimo a jogar, mas gosto de ver. No meu tempo livre gosto de passear, ver algum filme, ler e, por vezes, cozinhar. Gostaria de ter mais tempo livre para poder ir ao futebol, diga-se, a Lisboa ver o Sporting. Em rela\u00e7\u00e3o a filmes n\u00e3o tenho um tema muito espec\u00edfico. Gosto de ac\u00e7\u00e3o, com\u00e9dia, hist\u00f3ricos como do estilo do \u201cPianista\u201d \u2013 um dos filmes que mais gostei de ver. Quanto a leituras, deixo um autor: Augusto Cury. De m\u00fasica pop gosto particularmente dos U2 e dos Coldplay.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O P.e Carlos Alberto Pereira de Sousa nasceu em Rocas do Vouga, em 1960 (completou 50 anos no dia 28 de Mar\u00e7o), mas desde crian\u00e7a que residiu com a sua fam\u00edlia na Gafanha da Nazar\u00e9, onde foi ordenado e agora trabalha como padre do Movimento Apost\u00f3lico de Schoenstatt. 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