{"id":8385,"date":"2006-11-23T17:55:00","date_gmt":"2006-11-23T17:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8385"},"modified":"2006-11-23T17:55:00","modified_gmt":"2006-11-23T17:55:00","slug":"d-manuel-de-almeida-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/d-manuel-de-almeida-trindade\/","title":{"rendered":"D. Manuel de Almeida Trindade"},"content":{"rendered":"<p>Bispo de Aveiro de 1962 a 1988 <!--more--> \u201cGovernar \u00e9 uma palavra pomposa, tirada do vocabul\u00e1rio profano. O Evangelho tem uma express\u00e3o mais exacta para designar a ac\u00e7\u00e3o pastoral e o esp\u00edrito com que ela deve ser exercida. Essa palavra \u00e9: servir\u201d.<\/p>\n<p>O autor destas palavras, D. Manuel de Almeida Trindade, serviu a diocese de Aveiro de 1962 a 1988. Quando chegou \u00e0 cidade da Ria, havia quem dissesse que \u201cn\u00e3o vinha para ficar\u201d, como o pr\u00f3prio recorda no livro \u201cMem\u00f3rias de um Bispo\u201d. Ficou um quarto de s\u00e9culo, at\u00e9 regressar ao Semin\u00e1rio de Coimbra, a sua \u201ctebaida\u201d (refer\u00eancia a Tebas, no Egipto, enquanto lugar de solid\u00e3o e retiro), onde vive.<\/p>\n<p>A diocese de Aveiro, aos olhos de muitos, n\u00e3o parecia digna de merecer aquele que estudara em Roma ainda antes de ser ordenado padre, fora designado Reitor do Semin\u00e1rio de Coimbra aos 25 anos, era assistente da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, leccionava na Universidade de Coimbra a cadeira \u201cOrigens do Cristianismo\u201d e tinha v\u00e1rios t\u00edtulos publicados, entre os quais o livro \u201cO Padre Lu\u00eds Lopes de Melo e a sua \u00e9poca (1885-1951)\u201d, que lhe valera o pr\u00e9mio do Secretariado Nacional da Informa\u00e7\u00e3o em 1960 (15 contos!). (Uma curiosidade: D. Manuel \u00e9 o autor do artigo \u201cBispo\u201d, da Enciclop\u00e9dia Verbo.)<\/p>\n<p>Aveiro nos caminhos <\/p>\n<p>da Provid\u00eancia<\/p>\n<p>Com ra\u00edzes familiares de Avel\u00e3s de Cima e Avel\u00e3s de Caminho (Anadia), Manuel de Almeida Trindade nasceu (20-04-1918) e viveu os tr\u00eas primeiros anos em Monsanto da Beira, para onde o seu pai se deslocara ao servi\u00e7o dos Marqueses da Graciosa. Cresceu em Famalic\u00e3o (Anadia) e entrou no Semin\u00e1rio de Coimbra em 1930, onde teve como professor de Portugu\u00eas e padrinho do Crisma o Padre Am\u00e9rico. Quando a diocese foi restaurada, em 1938, escolheu Coimbra. Conta D. Manuel nas \u201cMem\u00f3rias\u201d: \u201c(&#8230;) A mim, a estudar em Roma a expensas da Diocese de Coimbra, foi-me dada a faculdade de optar. Apesar de press\u00f5es em contr\u00e1rio, optei por Coimbra. Soube mais tarde que, entre os dois bispos (o de Aveiro e o de Coimbra), houve negocia\u00e7\u00f5es. Fiquei muito envaidecido (n\u00e3o era para menos!) quando me disseram que eu (um jovem estudante de 20 anos) tinha sido trocado pelo C\u00f3nego Maio, que, pertencendo, de facto \u00e0 Diocese de Coimbra, fora incardinado na Diocese de Aveiro. Mas eu imaginava que um dia havia de pagar o meu tributo \u00e0 Diocese de Aveiro. Caminhos da Provid\u00eancia!\u201d<\/p>\n<p>Esse dia chega a 16 de Setembro de 1962, quando \u00e9 escolhido para Aveiro por Jo\u00e3o XXIII, que o apresenta como \u201csacerdote de verdadeira e s\u00f3lida piedade, e de invulgar talento e experi\u00eancia, que no exerc\u00edcio de outros cargos tem granjeado grandes merecimentos\u201d. No dia 8 de Dezembro, \u201ctoma posse\u201d por procura\u00e7\u00e3o, a 16 desse m\u00eas \u00e9 sagrado bispo na S\u00e9 Nova de Coimbra e a 23 d\u00e1 entrada em Aveiro. Dizem as cr\u00f3nicas dessa tarde que foi recebido em \u201capoteose e deslumbramento\u201d, com um cortejo autom\u00f3vel desde os limites da diocese (Tamengos) at\u00e9 \u00e0 S\u00e9 de Aveiro, passando pelos Pa\u00e7os do Concelho. \u201cUm dia inesquec\u00edvel. Aveiro caprichou em receber-me festivamente\u201d, escreveu D. Manuel.<\/p>\n<p>Em Aveiro, D. Manuel viveu uma \u201clua de mel\u201d (felicita\u00e7\u00f5es, visitas de cortesia e afecto&#8230;) at\u00e9 ter de enfrentar o primeiro problema, como relata nas \u201cMem\u00f3rias de um Bispo\u201d. Esse problema, que j\u00e1 \u201cconsumira\u201d D. Domingos, mas que acabou por ser resolvido a bem de todos, foi a constru\u00e7\u00e3o da Igreja de Nossa Senhora de F\u00e1tima e a constitui\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia com o mesmo nome, nos lugares de P\u00f3voa do Valado e Mamodeiro, que pertenciam a Requeixo.<\/p>\n<p>Seguindo as \u201cMem\u00f3rias de um Bispo\u201d, autobiografia publicada em 1993, podemos constatar aquilo a que D. Manuel deu valor na sua ac\u00e7\u00e3o pastoral na Diocese. Os \u201cmeus padres\u201d, por quem confessa ter chorado algumas vezes, ocupam lugar de destaque, mas tamb\u00e9m a valoriza\u00e7\u00e3o dos leigos e dos padres, para quem constr\u00f3i a Casa Diocesana, realizando um sonho que o acompanhava desde o retiro espiritual em que se preparou para o episcopado. Na parte final do seu minist\u00e9rio, ainda sem edif\u00edcio, foi constitu\u00eddo o Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, destinado \u00e0 pastoral universit\u00e1ria, com alguma inspira\u00e7\u00e3o no c\u00e9lebre CADC de Coimbra, e criada a Funda\u00e7\u00e3o D. Manuel de Almeida Trindade, para apoiar economicamente a forma\u00e7\u00e3o de agentes pastorais.<\/p>\n<p>Os seminaristas e o semin\u00e1rio estavam igualmente no cora\u00e7\u00e3o do D. Manuel. \u201cO Semin\u00e1rio \u00e9, como diz o Conc\u00edlio (e j\u00e1 se dizia antes dele) o cora\u00e7\u00e3o de uma diocese. Assim o considerei sempre\u201d, afirma D. Manuel, que visita regularmente os semin\u00e1rios menores de Calv\u00e3o e Aveiro e os maiores de Lisboa, Sintra, Porto e Coimbra, ou ent\u00e3o escreve-lhes cartas, por n\u00e3o poder ir todas as vezes que queria (algumas delas transcritas nas \u201cMem\u00f3rias\u201d). No \u00faltimo ano de servi\u00e7o, D. Manuel chega mesmo a assumir uma aula no Semin\u00e1rio de Aveiro. Os alunos do 11\u00ba ano, entre os quais se encontrava o autor destas linhas, sentiam-se privilegiados. A delicadeza e afabilidade de D. Manuel, a par da sua vis\u00e3o privilegiada do interior da Igreja, faziam da aula semanal um momento muito ansiado.<\/p>\n<p>D. Manuel valorizou a renova\u00e7\u00e3o dos templos ou a constru\u00e7\u00e3o de novos edif\u00edcios, reconhecendo, com humildade: \u201cAlguns p\u00e1rocos quiseram ter a gentileza de deixar o meu nome gravado em l\u00e1pide na parte interior ou no exterior do templo, do sal\u00e3o ou da obra social. Mas tal refer\u00eancia \u00e9 apenas hist\u00f3rica. Os nomes que l\u00e1 deveriam estar eram os daqueles que conceberam a obra, os dos que conseguiram os meios para erguer esses edif\u00edcios e, muitas vezes, com as pr\u00f3prias m\u00e3os, carrearam pedras e cimento: os dos p\u00e1rocos e do povo crist\u00e3o daquela freguesia\u201d.<\/p>\n<p>No seu tempo, de raiz, foram constru\u00eddas as igrejas paroquiais de Barr\u00f4, Bustos, Calv\u00e3o, Dornelas, Gafanha da Boa Hora, Gafanha do Carmo, Nossa Senhora de F\u00e1tima, Ouca, Palha\u00e7a, Paradela do Vouga, Ribeira de Fr\u00e1guas, Santa Catarina, Santa Joana, Santo Andr\u00e9 de Vagos, S. Ant\u00f3nio de Vagos, S. Bernardo e Torreira.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, neste simples artigo que, mesmo que quisesse, n\u00e3o conseguiria ser exaustivo sobre a ac\u00e7\u00e3o de D. Manuel, refiram-se as centenas de visitas pastorais que fez. A seguinte cita\u00e7\u00e3o revela bem o valor que lhes atribu\u00eda. \u201cUma das obriga\u00e7\u00f5es do bispo \u00e9 a visita pastoral \u00e0s freguesias. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o; mas devo dizer que era aquela em que eu me sentia mais pastor das almas e que mais alegria me dava, embora regressasse a casa muitas vezes extremamente cansado\u201d.<\/p>\n<p>O Sucessor<\/p>\n<p>Na hora da despedida da diocese, para regressar \u00e0 sua amada Coimbra, ao Semin\u00e1rio, D. Manuel afirmou: \u201cToda a gente sabe a raz\u00e3o porque pedi \u00e0 Santa S\u00e9 quem viesse partilhar comigo, a n\u00edvel episcopal, os trabalhos pastorais. Sem o haver procurado, cedo me vi chamado a ter de repartir o meu tempo e as minhas for\u00e7as em trabalhos que ultrapassavam os limites da Diocese. Dessa circunst\u00e2ncia \u2013 estou certo disso, beneficiou a diocese de Aveiro, porque passou a ter um refor\u00e7o do carisma episcopal, primeiro em D. Ant\u00f3nio dos Santos  (&#8230;) [que viria a ser Bispo da Guarda] e, depois, em D. Ant\u00f3nio Marcelino, um homem generoso, inteligente, din\u00e2mico, que trazia atr\u00e1s de si uma experi\u00eancia e um saber que lhe granjearam o merecido prest\u00edgio que tem dentro e fora das fronteiras da Diocese de Aveiro. Dou gra\u00e7as a Deus por estes preciosos cireneus com os quais muito aprendi\u201d.<\/p>\n<p>Realizando fun\u00e7\u00f5es da mais alta responsabilidade<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que \u00e9 Bispo de Aveiro, D. Manuel Trindade desempenha miss\u00f5es de alta responsabilidade na Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, de que \u00e9 presidente [1972-75;  1981-87] e vice-presidente [1970-72; 1975-81; ] durante dezoito anos; no Col\u00e9gio Pontif\u00edcio Portugu\u00eas, em Roma, onde exerce as fun\u00e7\u00f5es de delegado desta Confer\u00eancia; na Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o dos Sacramentos e do Culto Divino, da qual \u00e9 nomeado membro a 30 de Setembro de 1975, e em v\u00e1rias Comiss\u00f5es Episcopais (a do Clero e Semin\u00e1rios em 1968, a da liturgia, em 1981 e a da Doutrina da F\u00e9, em 1987).<\/p>\n<p>Participa em S\u00ednodo dos Bispos; no de 1967, que debate a colegialidade; no de 1971, dedicado ao sacerd\u00f3cio ministerial \u00e0 \u00e8 justi\u00e7a no mundo; no de 1974, que trata da evangeliza\u00e7\u00e3o; e no S\u00ednodo Extraordin\u00e1rio de 1985, que tem a finalidade de celebrar, verificar e promover o Vaticano II.<\/p>\n<p>In \u201cAc\u00e7\u00e3o Pastoral da Diocese de Aveiro\u201d, de Georgino Rocha<\/p>\n<p>Principais datas<\/p>\n<p>1918 (20 de Abril) \u2013 Nasce Manuel de Almeida Trindade, filho de Daniel Ferreira Trindade e de Gracinda Rodrigues de Almeida.<\/p>\n<p>1934-40 \u2013 Em Roma, estuda na Universidade Gregoriana<\/p>\n<p>1940 (21 de Dezembro) \u2013 \u00c9 ordenado padre por D. Ant\u00f3nio Antunes, no Sal\u00e3o de S. Tom\u00e1s, no Semin\u00e1rio de Coimbra, e nomeado Reitor no ano seguinte<\/p>\n<p>1960 \u2013 O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o nomeia-o professor da Universidade de Coimbra<\/p>\n<p>1962 \u2013 D. Manuel \u00e9 eleito Bispo de Aveiro. Participa em todas as sess\u00f5es do II Conc\u00edlio do Vaticano (1962-65)<\/p>\n<p>1972 &#8211; \u00c9 eleito, pela primeira vez, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n<p>1975 \u2013 (13 de Julho) A pretexto do assalto ao Patriarcado e da ocupa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, durante o PREC, D. Manuel lidera a \u201cManifesta\u00e7\u00e3o dos Crist\u00e3os de Aveiro\u201d, que depois repete-se em Viseu, Bragan\u00e7a, Coimbra, Leiria e Braga. O governo de Vasco Gon\u00e7alves cairia em Agosto deste ano<\/p>\n<p>1976-80 \u2013 D. Ant\u00f3nio dos Santos \u00e9 Bispo Auxiliar (de 1980, e at\u00e9 2005, ser\u00e1 bispo residencial da Guarda)<\/p>\n<p>1981-88 \u2013 D. Ant\u00f3nio Marcelino \u00e9 Bispo Coadjutor de Aveiro<\/p>\n<p>1985 \u2013 Inaugura\u00e7\u00e3o da Casa Diocesana<\/p>\n<p>1987 \u2013 Institui\u00e7\u00e3o do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura (que j\u00e1 existia h\u00e1 v\u00e1rios anos enquanto grupo de estudantes e professores cat\u00f3licos)<\/p>\n<p>1987-88 \u2013 Celebra\u00e7\u00e3o das Bodas de Prata Episcopais de D. Manuel de Almeida Trindade e das Festas Jubilares da Restaura\u00e7\u00e3o da Diocese. Funda\u00e7\u00e3o D. Manuel de Almeida Trindade<\/p>\n<p>1988 \u2013 D. Manuel \u201cregressa\u201d ao Semin\u00e1rio de Coimbra, onde vive actualmente<\/p>\n<p>1988 (15 de Setembro) \u2013 A Universidade de Aveiro distingue D. Manuel com o t\u00edtulo de Doutor \u201cHonoris Causa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Aveiro de 1962 a 1988<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-8385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}