{"id":8387,"date":"2006-11-23T17:59:00","date_gmt":"2006-11-23T17:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8387"},"modified":"2006-11-23T17:59:00","modified_gmt":"2006-11-23T17:59:00","slug":"palavras-de-d-manuel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/palavras-de-d-manuel\/","title":{"rendered":"Palavras de D. Manuel"},"content":{"rendered":"<p>O Bispo e os padres<\/p>\n<p>Que poder\u00e1 fazer um bispo sem a colabora\u00e7\u00e3o dos seus padres? Traz o bispo a cruz ao peito. Uma parte h\u00e1-de lev\u00e1-la ele \u2013 e espera n\u00e3o abdicar da parte que lhe coube. Mas a outra parte pertence aos seus padres. Eles s\u00e3o, por natureza, os cireneus do seu bispo, \u00c9 assim que desejo consider\u00e1-los. A causa que servimos n\u00e3o \u00e9 nossa. O \u00eaxito da miss\u00e3o depender\u00e1 do esp\u00edrito de uni\u00e3o e de disciplina que existir entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>No dia da entrada em Aveiro (23 de Dezembro de 1962)<\/p>\n<p>No Conc\u00edlio<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio foi, com certeza, uma gra\u00e7a para a Igreja. \u00c9 preciso ser fiel a essa gra\u00e7a.<\/p>\n<p>In \u201cO Vaticano II no seu tempo\u201d<\/p>\n<p>Bispo de transi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Se, como bispo, tive que tomar decis\u00f5es dif\u00edceis em rela\u00e7\u00e3o a alguns padres, receber comiss\u00f5es de moradores, e at\u00e9 amea\u00e7as por causa deles, se pude aconselh\u00e1-los com maior ou menor sucesso, tamb\u00e9m procurei rezar. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u00c9 que fui um bispo de transi\u00e7\u00e3o. (&#8230;) \u00c9 que, se antes do Conc\u00edlio, um bispo s\u00f3 sa\u00eda de casa para ir \u00e0 Catedral, do seu escrit\u00f3rio para receber uma visita combinada com dias de anteced\u00eancia, hoje, ap\u00f3s o Conc\u00edlio, n\u00e3o \u00e9 assim [porque passa muito tempo tomando parte em reuni\u00f5es]. (&#8230;) Oxal\u00e1 o equil\u00edbrio entre os dois extremos venha um dia a encontrar-se. Se tal acontecer, haver\u00e1 mais tempo para rezar, para ler, para pensar&#8230; A vida perder\u00e1 em movimento, mas ganhar\u00e1 em gravidade, em pondera\u00e7\u00e3o, em profundidade.<\/p>\n<p>In Mem\u00f3rias de um Bispo (p\u00e1g. 208-209)<\/p>\n<p>Casa Comunit\u00e1ria<\/p>\n<p>Se, ao principiar a constru\u00e7\u00e3o, me aparecesse um homem bom e rico e me dissesse assim: \u201cFique sossegado; a despesa a fazer com a Casa Diocesana fica \u00e0 minha conta\u201d, eu ter-lhe-ia respondido: \u201cObrigado, Amigo!, guarde o seu dinheiro; mas eu prefiro viver desassossegado, ter de estender a m\u00e3o ou ter de recorrer a empr\u00e9stimos para saldar honestamente e nos prazos fixados os encargos da Casa Diocesana, a privar a Diocese \u2013 toda a Diocese \u2013 desta oportunidade de afirmar a sua consci\u00eancia comunit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Na inaugura\u00e7\u00e3o da Casa Diocesana, Dezembro de 1985<\/p>\n<p>Cultivar o amor<\/p>\n<p>O amor pode nascer aos poucos no cora\u00e7\u00e3o de duas pessoas que convivem, ou brotar de maneira espont\u00e2nea e quase fulminante de um encontro imprevisto. Em ambos os casos \u2013 mais talvez no segundo do que no primeiro, porque mais passional \u2013 o amor precisa de ser cultivado. Est\u00e1 sujeito \u00e0s leis da evolu\u00e7\u00e3o e, portanto, tamb\u00e9m \u00e0s crises, \u00e0s purifica\u00e7\u00f5es e aos amadurecimentos, por que passa tudo o que \u00e9 vivo.<\/p>\n<p>In Carta aos Noivos<\/p>\n<p>\u00daltima visita pastoral<\/p>\n<p>Prefiro encontrar-me com cada classe, em vez de juntar dezenas de alunos numa escola e dirigir-lhes uma breve alocu\u00e7\u00e3o. Com grupos pequenos, \u00e9 poss\u00edvel dialogar: perguntar o nome de cada uma das crian\u00e7as, explicar-lhes algum ponto de doutrina, pegar no giz e desenhar no quadro uma garatuja que fixe na mem\u00f3ria o que se est\u00e1 dizendo, e at\u00e9 fazer perguntas. Por exemplo: \u201cQuem tem televis\u00e3o em casa?\u201d \u201cQuem v\u00ea o Roque Santeiro, a telenovela que est\u00e1 agora a correr na TV?\u201d Todos viam o Roque Santeiro. Aproveitei para dizer que eu, quando tinha tempo, tamb\u00e9m via a telenovela, mas que, antes de me sentar para ver as imagens do \u00e9cran, ia buscar uma peneira que tinha pendurada atr\u00e1s da porta, e que nunca via televis\u00e3o, designadamente uma telenovela, sem ter a peneira na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Riram-se. Mas uma peneira para qu\u00ea? Expliquei-lhes: sabem para que serve a peneira? Sabiam: para separar a farinha do farelo: o que n\u00e3o presta (ou presta menos) do que \u00e9 bom. \u00c9 com farinha boa que se coze o p\u00e3o e se fazem os bolos. Perguntei ainda quais as figuras de que gostavam e quais as de que n\u00e3o gostavam. Uns apontaram a \u201cvi\u00fava\u201d Porcina; outros, o Roberto; outros o Padre Hip\u00f3lito. E porque \u00e9 que gostavam de uns e n\u00e3o gostavam de outros. Dei conta de que aquelas crian\u00e7as (talvez mais do que muitos adultos) tinham crit\u00e9rios morais para distinguir o que estava certo do que estava errado. Isto era ter a peneira na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Excerto da entrada do di\u00e1rio pessoal, no dia 13 de Janeiro de 1988, a quando da visita pastoral a Tamengos, a \u00faltima que realizou.<\/p>\n<p>L\u00e1grimas<\/p>\n<p>H\u00e1 homens que se gabam de nunca terem chorado diante de uma dificuldade; eu n\u00e3o posso dizer o mesmo. N\u00e3o as dificuldades provenientes de um trabalho demorado e intenso ou de uma d\u00edvida que n\u00e3o via como poder saldar; mas as dificuldades provenientes da incompreens\u00e3o das pessoas, ou da falta de generosidade delas ou at\u00e9, uma ou outra vez, da sua agressividade. Benditas l\u00e1grimas!<\/p>\n<p>Mem\u00f3rias de um Bispo (p\u00e1g. 192)<\/p>\n<p>Selec\u00e7\u00e3o de textos: J.P.F., com base em \u201cPessoas e Acontecimentos\u201d (Diocese de Aveiro, 1987) <\/p>\n<p>e \u201cMem\u00f3rias de um Bispo\u201d (Gr\u00e1fica de Coimbra, 1993).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Bispo e os padres Que poder\u00e1 fazer um bispo sem a colabora\u00e7\u00e3o dos seus padres? Traz o bispo a cruz ao peito. Uma parte h\u00e1-de lev\u00e1-la ele \u2013 e espera n\u00e3o abdicar da parte que lhe coube. Mas a outra parte pertence aos seus padres. 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