{"id":84,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=84"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-festa-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-festa-1\/","title":{"rendered":"A Festa (1)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> Durante o passado ano pastoral, and\u00e1mos a reflectir sobre a celebra\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia do Domingo crist\u00e3o, procurando descobrir os seus valores. O Domingo \u00e9 o dia de festa fundamental da vida crist\u00e3 e do crist\u00e3o. Iremos este ano aprofundar alguns aspectos da festa, para que revalorizemos este fen\u00f3meno humano, social e religioso t\u00e3o importante na nossa vida. Numa \u00e9poca em que a tens\u00e3o da vida e diversos tipos de puritanismo pareciam ter sufocado a capacidade festiva do homem, sobretudo do homem ocidental, est\u00e1-se a viver uma redescoberta do gratuito e do celebrativo. A festa recupera a popularidade tanto a n\u00edvel religioso como c\u00edvico. Pastoralmente, junto com a \u00eanfase posta, sobretudo no compromisso e na op\u00e7\u00e3o libertadora, assim como na evangeliza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s, tem aparecido com novo vigor o aspecto festivo do povo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>1. A festa humana<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil definir o que \u00e9 a festa. Contudo, podem-se assinalar algumas das suas caracter\u00edsticas mais universais, que representam tamb\u00e9m a chave din\u00e2mica da festa crist\u00e3.<\/p>\n<p>A) Antes de mais, a festa tem algo de ruptura com a vida quotidiana: \u00e9 algo que resulta n\u00e3o habitual, extraordin\u00e1rio. Popularmente, \u00abfesta\u00bb quer significar um \u00abdia n\u00e3o laboral\u00bb: aquele espa\u00e7o de tempo em que se rompe a monotonia da vida di\u00e1ria e o ritmo opressivo do trabalho normal, dando lugar \u00e0 distens\u00e3o, ao descanso, \u00e0 serenidade, \u00e0 falta de obrigatoriedade. A festa faz um par\u00eantesis na tens\u00e3o di\u00e1ria, redimindo, de algum modo, o desgaste da vida e dando a esta um sentido libertador.<\/p>\n<p>B) A festa comporta um ar de gratuidade e de alegria. A gratuidade \u00e9 a atitude vital oposta ao utilitarismo pragm\u00e1tico que costuma ser a t\u00f3nica da actividade humana. \u00c9 a capacidade de contempla\u00e7\u00e3o admirativa, de saber \u00abperder o tempo\u00bb, aceitando a vida como dom e gra\u00e7a, num clima de est\u00e9tica e jogo. Jogo no sentido  n\u00e3o tanto fisiol\u00f3gico, mas naquele sentido que j\u00e1 Huizinga (Homo ludens) analisava, como atitude cultural e humana que abarca todas as actividades pessoais e sociais. A alegria \u00e9 conatural \u00e0 festa, com as suas mil manifesta\u00e7\u00f5es de vestes, comida e bebida, canto, dan\u00e7a e at\u00e9 de um certo despiste, abund\u00e2ncia e excesso, acentuando precisamente a descontinuidade com a vida ordin\u00e1ria. Ser\u00e1 um voltar consciente \u00e0 felicidade original, paradis\u00edaca, ou melhor, uma op\u00e7\u00e3o de projectar-se para a felicidade futura, ut\u00f3pica, em contraste com as mil preocupa\u00e7\u00f5es da nossa hist\u00f3ria, em geral, demasiado solene e s\u00e9ria? Em todo o caso, a festa pode entender-se na din\u00e2mica de tens\u00e3o entre o m\u00e9todo racional e ordenado como chave da vida (Apolo) e a vitalidade, a liberdade e o jogo (Dion\u00edsio). Pena \u00e9 que, \u00e0s vezes, a pr\u00f3pria festa caia tamb\u00e9m na espiral consumista, entendendo-a como mera v\u00e1lvula de escape para poder, a seguir, gastar mais.<\/p>\n<p>C) Toda a festa sup\u00f5e a presen\u00e7a da comunidade, ou seja, uma dimens\u00e3o social de reuni\u00e3o e encontro entre os membros de um grupo, seja este familiar, social, desportivo ou religioso. A amizade, a alegria partilhada e celebrada e a comunitariedade d\u00e3o \u00e0 festa um evidente ar de comunh\u00e3o social que rompe barreiras entre o rico e o pobre, entre o patr\u00e3o e o empregado. Al\u00e9m disso, a festa contribui continuamente para uma regenera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade do grupo \u00e0 volta dos acontecimentos que se celebram: a festa reaviva a consci\u00eancia de perten\u00e7a ao grupo, que se reconhece a si mesmo como tal comunidade, fundada em valores que a constituiram originalmente.<\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-84","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}