{"id":8408,"date":"2006-11-24T14:43:00","date_gmt":"2006-11-24T14:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8408"},"modified":"2006-11-24T14:43:00","modified_gmt":"2006-11-24T14:43:00","slug":"como-praticar-o-dialogo-pluralista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/como-praticar-o-dialogo-pluralista\/","title":{"rendered":"Como praticar o di\u00e1logo pluralista?"},"content":{"rendered":"<p>Pierre Babin e Angela Ann Zukowski1, dois especialistas nas suas \u00e1reas, escreveram uma obra fundamental, que j\u00e1 citei em artigos e trabalhos reflexivos, e da qual reproduzo agora um excerto que responde \u00e0 pergunta formulada, sob a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cdez mandamentos do di\u00e1logo pluralista\u201d. <\/p>\n<p>1. Fazer clara distin\u00e7\u00e3o entre aquilo em que creio sinceramente como pessoa e aquilo que a Igreja professa. Por raz\u00f5es de car\u00e1cter, evolu\u00e7\u00e3o e necessidade pol\u00edtica, pode ocorrer que eu n\u00e3o esteja em estado de aderir plenamente a este ou \u00e0quele ponto mas, por minha ades\u00e3o \u00e0 Igreja como baptizado crente, respeito o que a Igreja professa. Dizer: \u201ceu penso que\u201d n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que dizer \u201ccomo cat\u00f3licos, cremos que\u2026\u201d. No fim da sua vida, Graham Greene, falando-me de sua f\u00e9, reconheceu humildemente: \u201cEu tenho f\u00e9, pe\u00e7o a Deus que me d\u00ea as cren\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>2. Ser respeitoso e tolerante com toda a cren\u00e7a e pr\u00e1tica, exceptuando este ponto: matar a vida humana e aquilo que lhe \u00e9 essencial, a liberdade.<\/p>\n<p>3. Esfor\u00e7ar-se por discernir positivamente os caminhos do Esp\u00edrito nas diferentes religi\u00f5es e sociedades. Elas podem fornecer-nos inspira\u00e7\u00e3o e ajuda: \u201ccompreender\u201d, no sentido evang\u00e9lico, \u00e9 o primeiro passo do discernimento.<\/p>\n<p>4. Apresentar a F\u00e9 como um apelo: eu vos convido. Eu n\u00e3o vos obrigo a vir e seguir-nos. N\u00e3o digo: \u201ceste \u00e9 o \u00fanico caminho\u201d. Digo apenas: \u201c\u00e9 o caminho que escolhi seguir e creio que \u00e9 o melhor\u201d. <\/p>\n<p>5. Esfor\u00e7ar-se para construir a comunh\u00e3o universal, em particular por um compromisso concreto que responda \u00e0s grandes ang\u00fastias do nosso tempo, com aten\u00e7\u00e3o especial para os exclu\u00eddos deste mundo.<\/p>\n<p>6. Propor a f\u00e9 exige tamb\u00e9m palavras fortes. Diante de situa\u00e7\u00f5es inumanas \u00e9 bom que subam em n\u00f3s movimentos de indigna\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo de c\u00f3lera, como a de Jesus ao expulsar os vendilh\u00f5es do Templo; outras vezes, nascer\u00e3o palavras de exorta\u00e7\u00e3o, declara\u00e7\u00f5es claras. Tais formas, que nos podem separar do grupo por certo tempo, s\u00e3o essenciais \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o crist\u00e3, na medida em que se situam no interior de um esp\u00edrito de di\u00e1logo e n\u00e3o interrompem a caminhada, de maneira longa e grave, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o dos seres ou dos organis-mos.<\/p>\n<p>7. Especialmente para as jovens gera\u00e7\u00f5es, recusar a retomada dos velhos debates das gera\u00e7\u00f5es precedentes. Ser livre e respeitoso diante de quest\u00f5es sobre roupas, ritos, palavras, predomin\u00e2ncia de sexos, etc.<\/p>\n<p>8. Reconhecer que o grupo cat\u00f3lico n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a fazer presente o Cristo e o Evangelho. O ecumenismo \u00e9 uma dimens\u00e3o permanente em nossas palavras e ac\u00e7\u00f5es. A pr\u00e1tica do ecumenismo passar\u00e1 primeiro por uma ac\u00e7\u00e3o comum, mais para responder \u00e0s grandes ang\u00fastias do mundo, do que por discuss\u00f5es doutrinais. <\/p>\n<p>9. Reconhecer as diferentes sensibilidades religiosas, doutrinais e pastorais na Igreja como vias complementares, aproxima\u00e7\u00f5es sempre parciais do Deus que ningu\u00e9m conhece. N\u00e3o significa que se deva a tudo aben\u00e7oar, mas distinguir, por entre as diferen\u00e7as, as vias concretas pelas quais o Esp\u00edrito nos conduz \u00e0 Verdade e \u00e0 harmonia.<\/p>\n<p>10. Antes de tudo, privilegiar a partilha dos bens. A partilha das ideias e das doutrinas deve vir num segundo tempo. Ser pluralista numa cultura medi\u00e1tica \u00e9 privilegiar o contacto pessoal caloroso, o servi\u00e7o m\u00fatuo, a partilha da refei\u00e7\u00e3o e da festa.<\/p>\n<p>1 Cfr. BABIN, Pierre e ZUKOWSKI, \u00c2ngela Ann, M\u00eddias, chance para o Evangelho, Ed. Loyola, 2005, pp.201-203.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pierre Babin e Angela Ann Zukowski1, dois especialistas nas suas \u00e1reas, escreveram uma obra fundamental, que j\u00e1 citei em artigos e trabalhos reflexivos, e da qual reproduzo agora um excerto que responde \u00e0 pergunta formulada, sob a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cdez mandamentos do di\u00e1logo pluralista\u201d. 1. 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