{"id":8463,"date":"2006-11-29T18:08:00","date_gmt":"2006-11-29T18:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8463"},"modified":"2006-11-29T18:08:00","modified_gmt":"2006-11-29T18:08:00","slug":"sao-goncalinho-debatido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sao-goncalinho-debatido\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Gon\u00e7alinho debatido"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe o Porto tem o S\u00e3o Jo\u00e3o e Lisboa o Santo Ant\u00f3nio, por que \u00e9 que Aveiro n\u00e3o h\u00e1-de ter o S\u00e3o Gon\u00e7alinho como grande festa municipal?\u201d<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese foi levantada por Cap\u00e3o Filipe nos primeiros encontros de S\u00e3o Gon\u00e7alinho, que decorreram na tarde de 25 de Novembro, na antiga Capitania, promovidos pelos Mordomos de S\u00e3o Gon\u00e7alinho e a C\u00e2mara Municipal de Aveiro.<\/p>\n<p>Querer\u00e1 o vereador da Cultura da C\u00e2mara Municipal de Aveiro relegar para segundo plano Santa Joana Princesa, a padroeira de Aveiro? Tal n\u00e3o foi esclarecido, mas depreendeu-se que n\u00e3o \u00e9 disso que se trata, porque enquanto a festa da Santa Princesa \u00e9 popular, mas n\u00e3o tem folia, a do Santo da Beira Mar, genuinamente popular, tem elementos e tradi\u00e7\u00f5es para ombrear com as outras grandes festas citadinas, ainda que decorra no Inverno (10 de Janeiro).<\/p>\n<p>Os encontros de S\u00e3o Gon\u00e7alinho contaram com mais de uma dezena de interven\u00e7\u00f5es, do investigador universit\u00e1rio ao artista, do jornalista ao padre, do que invocou o aux\u00edlio e foi atendido ao confrade, tendo iniciado com uma representa\u00e7\u00e3o da c\u00e9lebre \u201cdan\u00e7a dos mancos\u201d pelo Grupo C\u00e9nico Etnogr\u00e1fico das Barrocas.<\/p>\n<p>A verdadeira \u201cdan\u00e7a dos mancos\u201d acontece(?) a hora incerta, dentro da \u201ccapela do santinho\u201d e n\u00e3o pode ser filmada ou fotografada, nem presenciada por quem n\u00e3o dance. Na origem da dan\u00e7a, estaria uma forma de mancos genu\u00ednos pedirem aux\u00edlio ou esconjurarem a sua defici\u00eancia. Segundo o investigador Daniel T\u00e9rcio, trata-se de \u201cum elemento transgressor\u201d, \u201ccomo se [o mundo] virasse ao contr\u00e1rio\u201d, \u00e0 semelhan\u00e7a das \u201cfestas de loucos\u201d medievais. Tal rito \u201ctem importante sentido comunit\u00e1rio\u201d, diz o investigador.<\/p>\n<p>Sentido crist\u00e3o<\/p>\n<p>Noutro momento do encontro, Pe Joaquim Rocha, p\u00e1roco da Vera Cruz, onde se insere o espa\u00e7o da festa, deixou interroga\u00e7\u00f5es pertinentes para uma viv\u00eancia autenticamente crist\u00e3: Gon\u00e7alo, jovem, descobriu uma voca\u00e7\u00e3o \u2013 ser\u00e1 que hoje se prop\u00f5e aos jovens a descoberta da Deus?; Gon\u00e7alo percorreu mundo com vontade de conhecer \u2013 ser\u00e1 que os mordomos, as confrarias, os devotos\u2026 se preocupam com a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3?; Gon\u00e7alo teve caridade para com os mais pobres \u2013 a solidariedade passa hoje apenas pelas cavacas e pela dan\u00e7a dos mancos?<\/p>\n<p>O testemunho de uma \u201ccura\u201d esteve a cargo do Sr. Reis. Al\u00e9m de associado \u00e0 protec\u00e7\u00e3o no mar (em Aveiro) e de santo \u201ccasamenteiro das velhas\u201d, S. Gon\u00e7alo, dominicano, nascido em Amarante, no s\u00e9c. XIII, \u00e9 o santo das \u201ccuras milagrosas\u201d. O Sr. Reis n\u00e3o tem d\u00favidas que deve ao santinho a sa\u00fade das suas pernas, apesar de um m\u00e9dico espanhol o ter tratado muito bem. \u201cSei que S. Gon\u00e7alo n\u00e3o \u00e9 Deus \u2013 disse \u2013, mas \u00e9 um grande sargento para pedir ao Comandante!\u201d Por isso, quando remava, \u201co registo de S. Gon\u00e7alinho era a \u00faltima coisa a entrar na mala e a primeira a sair\u201d.<\/p>\n<p>O maior milagre <\/p>\n<p>do \u201csantinho\u201d<\/p>\n<p>Num testemunho emocionado, Gaspar Albino recordou os tempos em que viveu na travessa de S. Gon\u00e7alo e podia deixar um guarda-chuva aberto \u00e0 janela do seu quarto para recolher as cavacas fortuitas que do alto da capela l\u00e1 iam parar. O artista aveirense confessou que nunca assistiu a uma \u201cdan\u00e7a dos mancos\u201d, mas sim a \u201cr\u00e9plicas de versalhadas marotas\u201d que \u201cs\u00e3o de morrer a rir\u201d e lembrou que o santo \u201cassociado a saud\u00e1vel folia\u201d foi levado para o Brasil, onde \u00e9 representado com uma \u201cviolinha caipira\u201d. Para Gaspar Albino, deve-se a S\u00e3o Gon\u00e7alinho a reconcilia\u00e7\u00e3o dos aveirenses: \u201cO maior milagre que o santo nos fez foi eliminar as pontes de tempos idos entre ceboleiros e cagar\u00e9us\u201d.<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe o Porto tem o S\u00e3o Jo\u00e3o e Lisboa o Santo Ant\u00f3nio, por que \u00e9 que Aveiro n\u00e3o h\u00e1-de ter o S\u00e3o Gon\u00e7alinho como grande festa municipal?\u201d A hip\u00f3tese foi levantada por Cap\u00e3o Filipe nos primeiros encontros de S\u00e3o Gon\u00e7alinho, que decorreram na tarde de 25 de Novembro, na antiga Capitania, promovidos pelos Mordomos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-8463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}