{"id":8466,"date":"2006-11-29T18:11:00","date_gmt":"2006-11-29T18:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8466"},"modified":"2006-11-29T18:11:00","modified_gmt":"2006-11-29T18:11:00","slug":"renovacao-proposito-que-nao-se-pode-adiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/renovacao-proposito-que-nao-se-pode-adiar\/","title":{"rendered":"Renova\u00e7\u00e3o, prop\u00f3sito que n\u00e3o se pode adiar"},"content":{"rendered":"<p>Prestes a comemorar-se mais um anivers\u00e1rio, o 41\u00ba, do encerramento do Conc\u00edlio Vaticano II, vem-nos ao pensamento a palavra prof\u00e9tica e orientadora de Paulo VI. Naquele 8 de Dezembro de 1965 e nos tempos que se seguiram, ele n\u00e3o se cansou de encorajar a Igreja de ent\u00e3o e de sempre, a que, sem medo, se empenhasse continuamente por trilhar o caminho da renova\u00e7\u00e3o e da convers\u00e3o ao Evangelho. S\u00f3 assim ela poderia responder \u00e0s exig\u00eancias da sua miss\u00e3o essencial, que t\u00e3o eloquentemente expressara em tempos novos e exigentes que se viviam ent\u00e3o e que seriam os que vinham a seguir. <\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o continua uma palavra e uma atitude actual, n\u00e3o apenas por for\u00e7a de um acontecimento que marcou a Igreja no seu futuro, mas, tamb\u00e9m, porque se nota alguma sonol\u00eancia e instala\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gra\u00e7a e aos objectivos do Conc\u00edlio, por parte de muitos crist\u00e3os, cl\u00e9rigos e leigos.<\/p>\n<p>As pessoas v\u00e3o mudando e damos, com frequ\u00eancia, por gente que n\u00e3o viveu o Conc\u00edlio, nem outros factos marcantes da sociedade, como a chegada do regime democr\u00e1tico e, para a qual, tudo pode parecer estranho. N\u00e3o \u00e9 que as novas gera\u00e7\u00f5es sejam menos generosas e atentas que as contempor\u00e2neas destes grandes acontecimentos que, a quando da sua realiza\u00e7\u00e3o, interpelaram por dentro, pessoas e comunidades. Pode ter acontecido, por\u00e9m, que, por parte de muitos que os viveram, o ritmo da primeira hora tenha esmorecido, de modo a n\u00e3o contagiar, nem estimular o prop\u00f3sito e a atitude de renova\u00e7\u00e3o que a todos diz respeito, porque sempre e cada vez necess\u00e1ria e urgente. Por outro lado, Igreja conciliar e sociedade democr\u00e1tica, podem ser coisas t\u00e3o naturais e \u00f3bvias que j\u00e1 n\u00e3o interpelam, nem p\u00f5em em causa atitudes e projectos di\u00e1rios, mesmo que dissonantes.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito de renova\u00e7\u00e3o que nasce de uma convers\u00e3o interior \u00e9 sempre sinal de vida que quer durar e se quer expandir. Na convers\u00e3o est\u00e1 a grande exig\u00eancia posta pela renova\u00e7\u00e3o. Esta n\u00e3o se traduz apenas em fazer coisas novas, mas em tirar, do tesouro inesgot\u00e1vel e rico de sempre, coisas novas e coisas velhas, com sentido de novidade. <\/p>\n<p>A convers\u00e3o leva a centrar a vida no essencial, voltando a ele ou refor\u00e7ando as ra\u00edzes que o suportam e alimentam. Pode e deve tornar-se uma experi\u00eancia permanente, que n\u00e3o deixa adormecer, quando no horizonte dos compromissos est\u00e3o coisas importantes, por vezes mesmo necess\u00e1rias, a pedir interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Paulo VI, em ordem \u00e0 continua\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, fala de \u201crenovar-se em Cristo\u201d. Para um crente, a qualifica\u00e7\u00e3o deste apelo \u00e9 compreens\u00edvel. Cristo \u00e9, para cada crist\u00e3o, a refer\u00eancia necess\u00e1ria e segura para uma vida com sentido de responsabilidade. Aprender Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 uma devo\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caminho do discipulado, da aprendizagem de uma vida consistente para fazer face ao dever de uma vida testemunhante e solid\u00e1ria. Ora esta atitude traduz-se em di\u00e1logo, servi\u00e7o, disponibilidade; e ningu\u00e9m como Cristo \u00e9 modelo de um tal modo de ser e de agir.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio n\u00e3o pode transformar-se numa preocupa\u00e7\u00e3o de eruditos, mas h\u00e1-de ser para todos uma luz norteadora. Todos os crist\u00e3os t\u00eam direito a esta luz que lhes permite viver e ser uma Igreja cred\u00edvel, p\u00e1tria de salvos e, por isso mesmo, geradora de comunh\u00e3o, num mundo perdido e dividido.<\/p>\n<p>Um sereno exame de consci\u00eancia dir\u00e1 a cada um que o caminho a andar ainda \u00e9 longo e nem sempre c\u00f3modo. Mas dir\u00e1 tamb\u00e9m que o caminho pessoal s\u00f3 o pr\u00f3prio o pode andar. Ningu\u00e9m vai s\u00f3 e tamb\u00e9m isto constitui um est\u00edmulo a n\u00e3o ficar parado. Na berma da estrada est\u00e3o os cr\u00edticos, que nunca sentir\u00e3o a alegria de fazer caminho, nem de construir o edif\u00edcio apaixonante de uma sociedade nova, fraterna e solid\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a comemorar-se mais um anivers\u00e1rio, o 41\u00ba, do encerramento do Conc\u00edlio Vaticano II, vem-nos ao pensamento a palavra prof\u00e9tica e orientadora de Paulo VI. 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