{"id":8467,"date":"2006-12-06T15:08:00","date_gmt":"2006-12-06T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8467"},"modified":"2006-12-06T15:08:00","modified_gmt":"2006-12-06T15:08:00","slug":"as-voltas-com-a-t-l-e-b-s","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-voltas-com-a-t-l-e-b-s\/","title":{"rendered":"\u00c0s voltas com a T.L.E.B.S."},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> A Terminologia Lingu\u00edstica para os Ensinos B\u00e1sico e Secund\u00e1rio, adiante designada TLEBS, traduz a tentativa de implantar, no terreno da educa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, uma renovada linguagem cient\u00edfica da l\u00edngua portuguesa, a partir do trabalho de investigadores e linguistas ao longo dos \u00faltimos anos, at\u00e9 porque a nomenclatura que tem vigorado, neste dom\u00ednio, j\u00e1 vem de 1967.<\/p>\n<p>Ora, se este pressuposto parece ser l\u00f3gico e fundamentado, j\u00e1 o caso muda de figura quando atentarmos no modo como o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o planeou e est\u00e1 a coordenar este processo. Estamos, mesmo, perante um case study de \u201ccomo n\u00e3o se deve planear uma altera\u00e7\u00e3o\u201d. Vejamos apenas alguns pontos, de um universo que poderia ser bem mais vasto.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou-se esta reforma da terminologia lingu\u00edstica de 1967 pelo Ensino Secund\u00e1rio, de cima para baixo, sem se perceber bem porqu\u00ea, sem uma justifica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Talvez porque isso interessasse aos investigadores, lhes facilitasse a vida ao estudar os termos a aplicar sem que, como habitualmente, se investigasse na escola de todos os dias, do 1\u00ba ao 3\u00ba ciclos, onde a terminologia ter\u00e1 que come\u00e7ar a ser percebida e apercebida. \u00c0 boa maneira portuguesa, come\u00e7a-se a casa pelo telhado, sem fixar as bases da estrutura! \u00c0 boa maneira portuguesa, investiga-se o que est\u00e1 mais \u00e0 m\u00e3o e mant\u00e9m-se a largu\u00edssima dist\u00e2ncia entre os centros de investiga\u00e7\u00e3o e a realidade educativa, as escolas, os alunos!<\/p>\n<p>N\u00e3o seria mais l\u00f3gico que se come\u00e7asse, gradualmente e de forma consistente, de baixo para cima, do 1\u00ba ciclo ao Secund\u00e1rio e, dessa forma, todos os alunos aprendessem, logo de in\u00edcio, a terminologia que teriam que usar?<\/p>\n<p>Mais: tem havido falta de informa\u00e7\u00e3o, clara e abrangente, sobre o per\u00edodo de aplica\u00e7\u00e3o da TLEBS nos diversos n\u00edveis de escolaridade. Agora, est\u00e3o a aprend\u00ea-la os alunos dos 3\u00ba, 5\u00ba e 7\u00ba anos de escolaridade, para o ano ser\u00e3o os dos anos sequenciais. O que equivale a dizer que, neste momento, para uns h\u00e1 \u201cdeterminantes\u201d, para outros h\u00e1 \u201cdeterminantes e quantificadores\u201d; para uns h\u00e1 apenas o \u201csujeito\u201d, para outros o \u201csujeito pode ser nulo, nulo expletivo, nulo indeterminado, nulo subentendido, simples e composto\u201d; para uns h\u00e1 apenas os \u201ccomplementos circunstanciais de tempo, lugar e modo\u201d, para outros h\u00e1 tamb\u00e9m \u201co modificador preposicional, o modificador adverbial, o modificador fr\u00e1sico\u201d; para uns os nomes s\u00e3o apenas \u201cpr\u00f3prios, comuns, colectivos, concretos e abstractos\u201d, mas para outros s\u00e3o tamb\u00e9m \u201ccont\u00e1veis e n\u00e3o cont\u00e1veis, massivos e n\u00e3o massivos, humanos e n\u00e3o humanos, animado e n\u00e3o animado\u201d; para uns os adv\u00e9rbios podem ser de nega\u00e7\u00e3o, de tempo, de lugar, de modo, de afirma\u00e7\u00e3o e de quantidade, para outros ao adv\u00e9rbios s\u00e3o tamb\u00e9m adjuntos, disjuntos e conectivos; para uns o enriquecimento do l\u00e9xico podem fazer-se, entre outros modos, pela deriva\u00e7\u00e3o e pela composi\u00e7\u00e3o de palavras, para outros o processo morfol\u00f3gico pode ser realizado pela afixa\u00e7\u00e3o, pela deriva\u00e7\u00e3o e pela composi\u00e7\u00e3o\u201d; e por a\u00ed al\u00e9m.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais; gra\u00e7as \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o reinante, \u00e0 descoordena\u00e7\u00e3o geral, h\u00e1 escolas  a aplicar j\u00e1 a TLEBS,  outras n\u00e3o; h\u00e1 professores que j\u00e1 t\u00eam alguma forma\u00e7\u00e3o (pouca) sobre a TLEBS, a grande maioria n\u00e3o; h\u00e1 quem entenda que a TLEBS \u00e9 para aplicar e \u00e9 para o futuro, h\u00e1 quem veja esta din\u00e2mica como mais uma moda, passageira.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o oferecida foi diminuta e localizada longe das escolas. As equipas de Especialistas que est\u00e3o a trabalhar na TLEBS fazem-no em separado, sem uniformiza\u00e7\u00e3o completa de alguns conceitos, pois s\u00e3o evidentes posi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas diferentes nalguns casos. N\u00e3o h\u00e1 coordena\u00e7\u00e3o no processo, que se prova, tamb\u00e9m, pela aus\u00eancia de uma Gram\u00e1tica de refer\u00eancia para as escolas, uma vez que as editoras n\u00e3o t\u00eam garantias  de qual \u00e9, afinal, a terminologia correcta e definitiva; surgiu uma ou duas, mas discordantes em alguns pontos. Os manuais adoptados n\u00e3o incluem a TLEBS, pelo que todo o material de informa\u00e7\u00e3o e apoio tem que ser criado de raiz, com acr\u00e9scimo de custos para escolas e alunos. N\u00e3o tem havido clarifica\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 repercuss\u00e3o temporal destes novos conceitos nos exames dos alunos, n\u00e3o se sabendo que alunos e em que anos a TLEBS aparecer\u00e1 nas provas nacionais. A terminologia da TLEBS, em geral, amplia-se e complexifica-se o que, na minha modesta opini\u00e3o, n\u00e3o vai ajudar as nossas crian\u00e7as e jovens a  \u201camar a nossa l\u00edngua\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, no terreno, nas escolas, os professores s\u00e3o v\u00edtimas, mais uma vez (como tem sempre sido com esta equipa ministerial), de um planeamento desta reforma completamente an\u00e1rquico, angustiam-se, procuram informar-se do alcance e profundidade cient\u00edfica da TLEBS, por seus pr\u00f3prios meios, para n\u00e3o prejudicar os alunos. Mas, como sempre, se alguma coisa n\u00e3o correr bem, ser\u00e3o eles os culpados, o bode expiat\u00f3rio, os \u201cque n\u00e3o trabalham\u201d e se amotinam contra os esclarecidos ministeriais.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o, Portugal! Assim, n\u00e3o, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o! Assim, n\u00e3o!<\/p>\n<p>V\u00edtor Manuel Tavares Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-8467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}