{"id":8520,"date":"2006-12-06T16:37:00","date_gmt":"2006-12-06T16:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8520"},"modified":"2006-12-06T16:37:00","modified_gmt":"2006-12-06T16:37:00","slug":"mimar-muito-os-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mimar-muito-os-bebes\/","title":{"rendered":"Mimar muito os beb\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia <!--more--> Os pais de primeiro filho s\u00e3o sempre confrontados com mil e uma frases feitas, trocas de experi\u00eancias, conselhos mais ou menos avisados e partilhas mais ou menos \u00edntimas sobre o que \u00e9 ser m\u00e3e e pai.<\/p>\n<p>Entre tudo o que se diz e se ouve numa fase particularmente decisiva para quem inaugura uma fam\u00edlia e vive pela primeira vez a maternidade ou paternidade, h\u00e1 frases que se podem revelar verdadeiramente assassinas.<\/p>\n<p>Falo especialmente do que dizem, de forma leviana, aqueles que sabem que t\u00eam ascendente sobre os outros. Dou um exemplo. Um m\u00e9dico pediatra cujo nome n\u00e3o cito, por preferir acreditar que teve uma sa\u00edda infeliz, aconselhou os pais de um beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido a n\u00e3o lhe dar beijos na cara at\u00e9, pelo menos, aos tr\u00eas meses de vida. Isto para evitar cont\u00e1gios, transmiss\u00e3o de bact\u00e9rias e coisas assim.<\/p>\n<p>Dito por um m\u00e9dico, ou pior, dito pelo pediatra do primeiro filho de uns pais sem a menor experi\u00eancia, a coisa soa a mandamento. N\u00e3o beijar o pr\u00f3prio filho parece-me, no entanto, um mandamento excessivo. E absurdo.<\/p>\n<p>Privar um beb\u00e9 dos beijos dos pais, para evitar poss\u00edveis cont\u00e1gios, \u00e9 uma loucura e cria um afastamento artificial que, esse sim, pode ser fatal. A crian\u00e7a fica livre de uma ou outra bact\u00e9ria, mas, acima de tudo, fica amputada das manifesta\u00e7\u00f5es de amor dos pais.<\/p>\n<p>Pegar no beb\u00e9 ao colo, dar-lhe mimos, fazer-lhe festas e cobri-lo de beijos com liberdade e naturalidade faz parte da fun\u00e7\u00e3o parental. N\u00e3o consigo imaginar sequer como \u00e9 poss\u00edvel lidar com um filho rec\u00e9m-nascido sem o encher de beijos.<\/p>\n<p>Os beijos na cara, no pesco\u00e7o, na cabe\u00e7a, nas m\u00e3os ou nos p\u00e9s s\u00e3o, nesta altura, t\u00e3o indispens\u00e1veis como o ar que os beb\u00e9s respiram. D\u00e3o seguran\u00e7a, transmitem amor e fazem crescer. E n\u00e3o h\u00e1 volta a dar, senhor pediatra!<\/p>\n<p>Felizmente, estes pais a quem teve a infelicidade de dar este conselho esqueceram-no no primeiro minuto ap\u00f3s a sa\u00edda do seu consult\u00f3rio, mas eles e eu perguntamo-nos a quantos mais pais disse o mesmo? E quantos teriam ficado na d\u00favida sobre se deveriam ou n\u00e3o de seguir o seu conselho?<\/p>\n<p>Igualmente perversas e daninhas s\u00e3o certas conversas que se fazem a prop\u00f3sito do colo. H\u00e1 quem defenda que n\u00e3o se deve dar demasiado colo, para que os beb\u00e9s n\u00e3o fiquem \u201cmanhosos\u201d (s\u00f3 a palavra me enerva, confesso). Pergunto de quem \u00e9 a maior manha: se dos beb\u00e9s, que instintivamente querem aproveitar todo o mimo e colo poss\u00edveis, ou dos pais, que aproveitam este \u201cdiz-que-disse\u201d para se descartarem do fardo que \u00e9, \u00e0s vezes, ter as crian\u00e7as ao colo.<\/p>\n<p>Por causa destas e outras supostas cautelas, conhe\u00e7o m\u00e3es que d\u00e3o biberon aos seus filhos sem nunca lhes pegar ao colo. M\u00e3es e pais que, nos primeiros meses, nos primeiros anos e, depois pela vida fora, se esquecem do valor que tem a proximidade f\u00edsica e afectiva no crescimento e desenvolvimento dos seus filhos.<\/p>\n<p>Choca-me sempre ver m\u00e3es e pais que n\u00e3o ligam ao choro dos filhos, que os privam de colo e afecto e os tentam educar a partir do ber\u00e7o. Felizmente existem cada vez mais pessoas e profissionais especializados apostados em desfazer estes e outros equ\u00edvocos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8520","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8520\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}