{"id":8582,"date":"2007-01-03T16:55:00","date_gmt":"2007-01-03T16:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8582"},"modified":"2007-01-03T16:55:00","modified_gmt":"2007-01-03T16:55:00","slug":"fim-de-ano-triste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/fim-de-ano-triste\/","title":{"rendered":"Fim de ano triste"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> \u201cNingu\u00e9m tem o direito de tirar a vida a outro, independentemente das raz\u00f5es que possam existir serem muito fortes e graves.\u201d<\/p>\n<p>Estranhamente \u00e0 \u00e9poca festiva em que nos encontramos, andei mal disposto durante todo este dia, tentando digerir uma not\u00edcia que me acordou nesta manh\u00e3 chuvosa de s\u00e1bado, 30 de Dezembro de 2006, v\u00e9spera de \u201creveillon\u201d.<\/p>\n<p>Perguntam-se os meus prezados leitores, qual ter\u00e1 sido? Com a quantidade de factos noticiosos que surgem em catadupa durante um notici\u00e1rio, poderia ser quase qualquer not\u00edcia. Mas n\u00e3o. Foi uma daquelas com que se abrem os notici\u00e1rios, foi exactamente essa, a morte por enforcamento do ex-l\u00edder iraquiano, Saddam Hussein. Sinceramente, o meu cora\u00e7\u00e3o ficou mais apertado, mais triste e muito, mas muito mais dorido. Por que \u00e9 que fiquei assim, dado que at\u00e9 morreu um dos maiores sanguin\u00e1rios do mundo, um dos maiores ditadores, um homem sem sentimentos? Porque penso que ningu\u00e9m tem o direito de tirar a vida a outro, independentemente das raz\u00f5es que possam existir serem muito fortes e graves. N\u00e3o se corrige um erro cometendo outro erro. Em pleno s\u00e9culo XXI, j\u00e1 n\u00e3o deveria existir a pena de morte, uma ac\u00e7\u00e3o que considero ser de uma brutalidade, de uma barbaridade e de uma injusti\u00e7a plena.<\/p>\n<p>Por mais estranho que possa parecer, acontece precisamente num dia em que, no Iraque, era feriado nacional, um dia santo para os mu\u00e7ulmanos. Celebravam o Eid al-Adha, festa do sacrif\u00edcio, que coincide com o final da peregrina\u00e7\u00e3o anual \u00e0 cidade sagrada saudita de Meca, que tem in\u00edcio tr\u00eas dias antes e onde os mu\u00e7ulmanos se apresentam com o important\u00edssimo e rico grito \u201cLabbayk Allahumma Labbayk\u201d (\u201cAqui estou, Senhor!\u201d). Durante este tempo, dedicam-se dia e noite \u00e0 medita\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e recolhimento, dando as famosas sete voltas ao redor da Caaba, um monumento c\u00fabico que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, cont\u00e9m uma pedra negra recebida por Abra\u00e3o do anjo Gabriel. Na direc\u00e7\u00e3o deste monumento os mu\u00e7ulmanos de todo o mundo dirigem as suas cinco preces di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Esta festa do sacrif\u00edcio representa precisamente o sacrif\u00edcio de Abra\u00e3o, que obedeceu integralmente \u00e0 vontade de Deus e ofereceu o seu pr\u00f3prio filho a Deus.<\/p>\n<p>Voltando ao assunto e deixando um pouco de hist\u00f3ria para tr\u00e1s, foi precisamente este grito que Saddam proferiu no seu mais \u00edntimo \u201cLabbayk Allahumma Labbayk\u201d \u2013 \u201cAqui estou, Senhor\u201d! Em Ti e a Ti entrego tudo o que tenho, tudo o que fiz e tudo aquilo que fui; s\u00f3 Tu me podes e deves julgar e s\u00f3 Tu \u00e9s o Senhor.<\/p>\n<p>Nem de prop\u00f3sito, o Papa Bento XVI, na sua mensagem para o dia mundial da paz deste novo ano, intitulada \u201cA pessoa humana, cora\u00e7\u00e3o da paz\u201d, logo nos dois primeiros n\u00fameros afirma algo muito claro e evidente sobre tudo aquilo que disse. No primeiro ponto, Bento XVI afirma: \u201cde facto, estou convencido de que respeitando a pessoa promove-se a paz e, construindo a paz, assentam-se as premissas para um aut\u00eantico humanismo integral\u201d. As pessoas que det\u00eam o poder pol\u00edtico deveriam ter em conta que s\u00f3 se promove a paz defendendo e respeitando a pessoa humana.<\/p>\n<p>No segundo ponto, o Sumo Pont\u00edfice diz que \u201cpor ter sido criado \u00e0 imagem de Deus, o indiv\u00edduo humano possui a dignidade de pessoa; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 alguma coisa, mas algu\u00e9m, capaz de se conhecer, de se possuir e de livremente se dar e de entrar em comunh\u00e3o com outras pessoas\u201d. Por ter sido criado \u00e0 imagem de Deus, devemos respeitar o ser humano em toda a sua integridade. Portanto, tirar a vida a algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nem nunca pode ser caminho para a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas.<\/p>\n<p>Com o decorrer do dia, ao ir \u201cmeditando\u201d no assunto, tive que parar um pouco e pedir perd\u00e3o a Deus, em meu nome e em nome da humanidade, por ter sido cometido mais um facto t\u00e3o grave e que atenta contra a Sua lei. Como \u00e9 poss\u00edvel, num mundo onde temos tecnologia do mais alto n\u00edvel, onde estamos t\u00e3o avan\u00e7ados em termos cient\u00edficos, estarmos t\u00e3o atrasados ao n\u00edvel dos valores \u00e9ticos e morais. O respeito pela vida humana \u00e9 o primordial e o mais b\u00e1sico que possa existir!<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de repudiar tais actos b\u00e1rbaros e t\u00edpicos de \u00e9pocas medievais e sentir-me envergonhado por fazer parte deste mundo t\u00e3o cruel e t\u00e3o pouco humano.<\/p>\n<p>J\u00e1 agora, um Feliz Ano de 2007.<\/p>\n<p>Fernando Jos\u00e9 Cassola Marques<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-8582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}