{"id":859,"date":"2010-03-10T10:12:00","date_gmt":"2010-03-10T10:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=859"},"modified":"2010-03-10T10:12:00","modified_gmt":"2010-03-10T10:12:00","slug":"o-desenvolvimento-e-uma-vocacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-desenvolvimento-e-uma-vocacao\/","title":{"rendered":"O desenvolvimento \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dez Palavras-chave sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221; <!--more--> Bento XVI dedica onze n\u00fameros da \u201cCaritas in veritate\u201d (CV), do 10 ao 20, \u00e0 \u201cPopulorum progressio\u201d (PP), enc\u00edclica de Paulo VI sobre o desenvolvimento dos povos, publicada em 1967. Por\u00e9m, como \u00e9 sabido, toda a CV remete com frequ\u00eancia para o documento paulino.<\/p>\n<p>A PP surgiu sob o signo do optimismo. O Conc\u00edlio II do Vaticano tinha acabado h\u00e1 pouco (1965) e o documento pretendia continuar a ideia de di\u00e1logo com o mundo que enforma toda a constitui\u00e7\u00e3o pastoral \u201cGaudium et spes\u201d. Por outro lado, apesar da Guerra Fria, o mundo respirava confian\u00e7a no futuro devido \u00e0s altas taxas de crescimento econ\u00f3mico na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, no p\u00f3s-guerra, e \u00e0 independ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es africanas (o imp\u00e9rio colonial portugu\u00eas \u00e9 o \u00fanico que sobrevive \u00e0 d\u00e9cada de 1960).<\/p>\n<p>Pensava-se ent\u00e3o que o desenvolvimento seria uma quest\u00e3o de aplicar as receitas adequadas, mas Paulo VI alerta contra essa \u201cideologia tecnocr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Se o futuro viria a dar raz\u00e3o a Paulo VI, com o fracasso das receitas que de fora tentam desenvolver um determinado pa\u00eds, levou, no extremo, a uma ideologia antidesenvolvimento (que radica tamb\u00e9m no esboroamento da verdade) repudiada pelo Papa Bento: \u201cA ideia de um mundo sem desenvolvimento exprime falta de confian\u00e7a no ser humano e em Deus. (\u2026) \u00c9 um grave erro desprezar as capacidades humanas de controlar os extravios do desenvolvimento ou mesmo ignorar que o ser humano est\u00e1 constitutivamente inclinado para \u00abser mais\u00bb\u201d. A este \u201cinclinado para \u00abser mais\u00bb\u201d chama-se \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d, pelo que, se Paulo VI afirma que \u201cnos des\u00edgnios de Deus, cada homem \u00e9 chamado a desenvolver-se, porque toda a vida \u00e9 voca\u00e7\u00e3o\u201d (PP 15), o Papa actual acrescenta: \u201cDizer que o desenvolvimento \u00e9 voca\u00e7\u00e3o equivale a reconhecer, por um lado, que o mesmo nasce de um apelo transcendente e, por outro, que \u00e9 incapaz por si mesmo de atribuir-se o pr\u00f3prio significado \u00faltimo. (\u2026) N\u00e3o h\u00e1 verdadeiro humanismo sen\u00e3o aberto ao Absoluto\u201d. Nesta linha de pensamento, Bento XVI deixa uma afirma\u00e7\u00e3o que se tornou nas mais citadas desta enc\u00edclica: \u201cA sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n\u00e3o nos faz irm\u00e3os. A raz\u00e3o, por si s\u00f3, \u00e9 capaz de ver a igualdade entre os seres humanos e estabelecer uma conviv\u00eancia c\u00edvica entre eles, mas n\u00e3o consegue fundar a fraternidade. Esta tem origem numa voca\u00e7\u00e3o transcendente de Deus Pai, que nos amou primeiro, ensinando-nos por meio do Filho o que \u00e9 a caridade fraterna\u201d (CV 19). O desenvolvimento humano precisa da raz\u00e3o e da voca\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia e da f\u00e9. <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Verdade | Desenvolvimento | Populorum progressio | Justi\u00e7a | Bem Comum | Globaliza\u00e7\u00e3o | Gratuidade | Trabalho | Ambiente | Caridade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez Palavras-chave sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/859\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}