{"id":8602,"date":"2007-01-03T18:04:00","date_gmt":"2007-01-03T18:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8602"},"modified":"2007-01-03T18:04:00","modified_gmt":"2007-01-03T18:04:00","slug":"um-homem-para-os-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-homem-para-os-outros\/","title":{"rendered":"Um homem para os outros!"},"content":{"rendered":"<p>Carta aberta <!--more--> Caro D. Ant\u00f3nio Baltasar Marcelino!<\/p>\n<p>Li no CV que hoje, 8 de Dezembro de 2006, pelas 16h00, ter\u00e1 in\u00edcio uma celebra\u00e7\u00e3o especial e solene, na S\u00e9 de Aveiro. Passagem pelo Museu, pedindo a b\u00ean\u00e7\u00e3o da nossa Santa Joana Princesa\u2026 Bula papal\u2026Evangelho\u2026 Palavras suas e, ent\u00e3o, o Outro Ant\u00f3nio passa(r\u00e1) a presidir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o e diocese. Ant\u00f3nio sucede a Ant\u00f3nio, s\u00f3 isso. N\u00e3o, mas a minha f\u00e9 e imagina\u00e7\u00e3o me levam longe, quase desejando encarnar por a\u00ed, porque eu nasci a\u00ed para a f\u00e9 nessa diocese-m\u00e3e e com esse bispo-pai, que agora deixa as suas fun\u00e7\u00f5es directivas.<\/p>\n<p>Tenho tentado de diversas maneiras \u201cfazer um escrito\u201d e ele n\u00e3o se escreve\u2026 eu que sou t\u00e3o pr\u00f3digo noutras mat\u00e9rias. Queria escrever sobre os peda\u00e7os de hist\u00f3rias em comum\u2026 O bom, o mau e o que \u00e9 eterno, sobretudo o que \u00e9 eterno\u2026 Mas n\u00e3o sou capaz de o fazer. O cansa\u00e7o excessivo do trabalho\u2026 as emo\u00e7\u00f5es, mesmo racionalizadas, n\u00e3o obedecem. E a f\u00e9 nos seus atributos se envolve num mist\u00e9rio indecifr\u00e1vel\u2026 <\/p>\n<p>E agora o que vai acontecer\u2026 o projecto de coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, conclu\u00edda a segunda fase, em Julho de 2007\u2026 Agora a vida continua\u2026 \u201cMudam os rostos, passam os anos\u2026\u201d  Ser\u00e1 assim que vai acontecer\u2026 Vou renovar mais uma vez? Outro na diocese poder\u00e1 assumir o desafio (que \u00e9 diocesano e n\u00e3o apenas pessoal, para mim o \u00e9 no presente\u2026) Perguntar abre horizontes. Mas n\u00e3o \u00e9 hora de perguntas, mas do simples, humilde e reconhecido: OBRIGADO.<\/p>\n<p>Obrigado, pela sua intelig\u00eancia, dizer intuitiva \u00e9 muito pouco, banhada na raz\u00e3o simb\u00f3lica, \u00e9 dizer quase nada. Obrigado, pelo seu testemunho humano e coerente. De outros bispos em tempos de semin\u00e1rio, \u201cliteralmente eu fugia e ainda me afasto hoje\u201d. De si, o desejo nunca realizado de ser mais pr\u00f3ximo, de ser mais \u00edntimo, de ser um seguidor, mais capaz e forte\u2026 Obrigado, pelas suas broncas\u2026 N\u00e3o devem ter sido o suficiente\u2026 Mas a f\u00e9 que me resta na Igreja est\u00e1 encarnada em pessoas da sua envergadura, pr\u00e1tica, te\u00f3rica e pastoral\u2026 Obrigado, por ficar ainda, entre n\u00f3s, espa\u00e7o-tempo diocesano de Aveiro, pois quem brilha com luz pr\u00f3pria n\u00e3o ofusca ningu\u00e9m (!?). Obrigado, por nada e por tudo!<\/p>\n<p>Transcrevo (\u00e9 tamb\u00e9m hora dos excessos) agora, parte de outro texto, escrito por mim, para uma pessoa que muito me marcou nesta experi\u00eancia mission\u00e1ria aqui, e que tem muito a ver com o que eu lhe queria \u201ccome\u00e7ar a dizer\u201d nesta hora:<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pessoas a quem devemos uma gratid\u00e3o quase divina: as que nos fazem evoluir na qualidade da nossa f\u00e9. Quando somos conhecidos por uma pessoa dessa natureza, jamais seremos os mesmos. <\/p>\n<p>Essas pessoas t\u00eam um dom especial. Elas n\u00e3o esqueceram que, na f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o se trata antes de tudo de sermos santos, mas de seguir Jesus. N\u00e3o fomos convocados, com efeito \u2013 como n\u00e3o o foram os ap\u00f3stolos \u2013, para trabalhar numa escola asc\u00e9tica de perfei\u00e7\u00e3o (o pr\u00f3prio Jesus n\u00e3o foi nem se apresentou como asceta), mas para seguir Jesus num projecto de transforma\u00e7\u00e3o da realidade. Num projecto de cidadania solid\u00e1ria. Por isso mesmo, n\u00e3o se trata tanto de imitar Jesus, mas de seguir os seus passos. N\u00e3o se trata de pousar os olhos diante do espelho, mas de situ\u00e1-los nas pegadas daquele que desejamos seguir. N\u00e3o se trata de fazer de Deus apenas uma necessidade de seguran\u00e7a, mas sobretudo um desejo profundo de liberdade. \u00c9 preciso ter a coragem de perder o medo!<\/p>\n<p>Essas pessoas de uma f\u00e9 invulgar associam tamb\u00e9m a si uma sensibilidade s\u00f3cio-pol\u00edtica apurada. Elas sabem, dentro do seu cora\u00e7\u00e3o, que podemos estar em pecado sem nos sentirmos culp\u00e1veis: \u201cSenhor, quando \u00e9 que nos sucedeu ver-te com fome ou sede\u2026sem ir dar-te assist\u00eancia?\u201d, interrogam-se os \u201cjulgados\u201d em Mt 25,44. Para essas pessoas, quanto pior est\u00e1 o mundo, mais aumenta o seu compromisso. Quanto maior \u00e9 a injusti\u00e7a, maior \u00e9 a luta de liberta\u00e7\u00e3o. O seu combust\u00edvel \u00e9 feito duma Esperan\u00e7a aditivada nos pobres amados por Deus.  <\/p>\n<p>Essas pessoas revelam que Deus \u00e9 Grande, maior que a nossa consci\u00eancia. O Deus vivo e gozoso, o Deus livre e libertador, n\u00e3o pode jamais converter-se num Deus de morte e tristeza, num Deus oprimido e opressor, por obra e desgra\u00e7a da nossa corrup\u00e7\u00e3o. Essas pessoas fazem verdadeira a afirma\u00e7\u00e3o de Carlos Morano: \u201cDeus nos libertou dos pecados\u2026 Torna-se urgente libertar Deus da culpa\u201d. Libertar Deus da culpa para lhe devolver sua Vida, a vida dos seus filhos: na grande festa da fraternidade. Essas pessoas tiraram-nos (e receberam tantas vezes no vazio de uma sala, o troco da nossa ingratid\u00e3o, da nossa indiferen\u00e7a, da nossa mesquinhez\u2026) das m\u00e3os dos dem\u00f3nios, vis\u00edveis no pior deles, como o analfabetismo. Fazem das pequenas obras armas que amea\u00e7am os poderosos de colarinho. Essas pr\u00e1ticas jamais ser\u00e3o esquecidas!<\/p>\n<p>Essas pessoas n\u00e3o podem ser avaliadas, exclusivamente, com os nossos olhares do sucesso\/fracasso; perda\/ganho; vit\u00f3ria\/derrota, etc. Essas pessoas avaliam-se no significado, no sentido, no impacto profundo, no fazer acontecer. Nas suas sementes de boa qualidade e n\u00e3o \u201cpuramente\u201d nos frutos amargos, que n\u00f3s n\u00e3o deixamos amadurecer\u201d.<\/p>\n<p>Uma dessas pessoas, que conheci, respeitei e admirei, profundamente, foi o bispo Ant\u00f3nio Marcelino. Este \u00e9 um simples tributo que agora deixou de estar silenciado. Que o seu sorriso nos aben\u00e7oe e nos d\u00ea uma centelha da sua ira divina e pac\u00edfica, na igualdade de quem abriu sempre o seu Cora\u00e7\u00e3o! At\u00e9 ao pr\u00f3ximo encontro-reuni\u00e3o-conv\u00edvio-liturgia!<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o (e)terno do padre e do amigo, que o queria ser mais e melhor!<\/p>\n<p>Pedro Jos\u00e9, <\/p>\n<p>Chapadinha, 08-12-06.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta aberta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8602\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}