{"id":8606,"date":"2007-01-03T18:10:00","date_gmt":"2007-01-03T18:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8606"},"modified":"2007-01-03T18:10:00","modified_gmt":"2007-01-03T18:10:00","slug":"ano-de-esperanca-que-as-frustracoes-dificultam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ano-de-esperanca-que-as-frustracoes-dificultam\/","title":{"rendered":"Ano de esperan\u00e7a que as frustra\u00e7\u00f5es dificultam"},"content":{"rendered":"<p>Conhecida a situa\u00e7\u00e3o presente e vendo as tend\u00eancias que se manifestam, com maior clareza no contexto geral do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever os tempos que se avizinham.<\/p>\n<p>H\u00e1 acontecimentos em campo, como o referendo sobre o aborto, que, qualquer que seja a solu\u00e7\u00e3o encontrada, as coisas j\u00e1 est\u00e3o t\u00e3o baralhadas e as pessoas t\u00e3o rotuladas, que os problemas surgidos ser\u00e3o graves e inevit\u00e1veis e o fosso, entre pessoas e grupos, mais fundo e intranspon\u00edvel. As fracturas nas rela\u00e7\u00f5es pessoais e sociais ser\u00e3o cada vez maiores, mesmos nos espa\u00e7os habitados por gente do mesmo of\u00edcio, que tem de coexistir. As altera\u00e7\u00f5es que se v\u00e3o dar nas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por agora, imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>As tend\u00eancias centralizadoras, fiscalizadoras e totalit\u00e1rias do governo, de que a gente atenta j\u00e1 se apercebeu, e das quais se fala e se escreve, por enquanto, sem peias nem censura, manifestam-se em campos bem diversos e n\u00e3o convidam nem \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, nem \u00e0 corresponsabilidade. A pr\u00e1tica democr\u00e1tica vai ficando cada vez mais distante e confinada a umas tantas coisas, sempre muito emblem\u00e1ticas e para que se veja. O povo \u00e9 ignorado sobre problemas graves que lhe respeitam; e pode perguntar-se se ainda ordena alguma coisa. At\u00e9 as medidas acertadas se tornam odiosas, porque n\u00e3o houve ou n\u00e3o se quis que houvesse tempo para escutar e para explicar, passando-se assim ao lado de um direito normal dos cidad\u00e3os em regimes democr\u00e1ticos. As sondagens d\u00e3o o que se quiser e os males existentes, ainda que expressivos, de sectores conhecidos, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de uma justa e normal relativiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A crise atingiu institui\u00e7\u00f5es fundamentais da viv\u00eancia humana e social, como as fam\u00edlias e as escolas, e n\u00e3o faltam corifeus que alimentam a sua destrui\u00e7\u00e3o e dizem, sem pejo, que assim deve ser. Quando coisas de todos se p\u00f5em \u00e0 discuss\u00e3o p\u00fablica, muitas decis\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o tomadas. Os feudos pol\u00edticos com o mesmo patr\u00e3o v\u00e3o virando vespeiros, por vaidade ou \u00e2nsia de poder. As minorias de toda a esp\u00e9cie n\u00e3o procuram apenas o seu direito de ser, viver e a expressar-se, mas querem campo para se imporem, exigindo privil\u00e9gios, palco e respeito que outros nunca ter\u00e3o, reagindo com orgulho \u00e0s opini\u00f5es contr\u00e1rias e n\u00e3o respeitando ningu\u00e9m que n\u00e3o afine com o seu tom. Sempre t\u00eam gente do poder a dar-lhes avales, guarida e apoio, sem cuidado de ver o conjunto e as influ\u00eancias delet\u00e9rias sobre o povo honesto e s\u00e9rio, que \u00e9 maioria. Quando se fala de corrup\u00e7\u00e3o, logo h\u00e1 quem acrescente: \u201cE n\u00e3o sabes tu metade do que se passa\u2026\u201d. Quando se mostra perplexidade em rela\u00e7\u00e3o ao que de muito grave anda a\u00ed pelos tribunais, ouve-se, de imediato: \u201cMas tu ainda pensas que isso vai dar alguma coisa?\u201d <\/p>\n<p>O povo parece que perdeu o rumo. Critica ferozmente o governo, mas tece loas ao chefe do mesmo. Diz que as coisas v\u00e3o mal, mas porta-se como se estiv\u00e9ssemos no melhor dos mundos, onde tudo abunda sem limita\u00e7\u00f5es e perguntando por que privar-se do que agrada. As contradi\u00e7\u00f5es multiplicam-se e v\u00eam tamb\u00e9m de cima: o que ontem era mau, hoje \u00e9 bom, para amanh\u00e3 voltar a ser mau\u2026<\/p>\n<p>Nada se resolve por via do humor f\u00e1cil, da cr\u00edtica ou das manifesta\u00e7\u00f5es de rua, embora isto conte como entretenimento que desvia a aten\u00e7\u00e3o do mais importante, ou como coisa condenada \u00e0 nascen\u00e7a. Voltou-se, na comunica\u00e7\u00e3o social, \u00e0 voz do patr\u00e3o. <\/p>\n<p>A esperan\u00e7a torna-se cada dia mais dif\u00edcil, porque at\u00e9 ao que merece aplauso, e n\u00e3o faltam coisas que o merecem, se lhe esvazia o conte\u00fado e o sentido. Dois mundos a coexistir numa democracia que se empobrece, incapazes de di\u00e1logo, ambos deposit\u00e1rios da verdade total e \u00fanica. Muitos j\u00e1 desistiram, \u00e0 espera que se volte a folha.     <\/p>\n<p>Tudo, menos adiar o pa\u00eds. H\u00e1 que dar conte\u00fado a uma esperan\u00e7a activa. Afinal, s\u00f3 esta pode fazer com que um dia o sol brilhe e seja sol que ilumine e aque\u00e7a a todos. Dar sinais de esperan\u00e7a, por dif\u00edcil que seja, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para sobreviver hoje amanh\u00e3. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecida a situa\u00e7\u00e3o presente e vendo as tend\u00eancias que se manifestam, com maior clareza no contexto geral do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever os tempos que se avizinham. 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