{"id":8663,"date":"2007-01-11T11:48:00","date_gmt":"2007-01-11T11:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8663"},"modified":"2007-01-11T11:48:00","modified_gmt":"2007-01-11T11:48:00","slug":"igreja-conservadora-e-obscurantista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-conservadora-e-obscurantista\/","title":{"rendered":"Igreja conservadora e obscurantista?"},"content":{"rendered":"<p>Estamos em tempos em que o respeito m\u00fatuo deve ser a regra de ouro da conviv\u00eancia pac\u00edfica, mas em que alguns parecem ter jurado n\u00e3o ir por esse caminho. Haver\u00e1 gente assim em todos os quadrantes da sociedade, tanto pol\u00edticos como religiosos, e teremos por isso de nos acautelar, para que as diverg\u00eancias de opini\u00e3o, sempre leg\u00edtimas, n\u00e3o criem muros dif\u00edceis de transpor, nem espa\u00e7os de incomunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isto h\u00e1 que usar a cabe\u00e7a, depor os preconceitos, olhar o outro como pessoa, dar consist\u00eancia v\u00e1lida \u00e0s opini\u00f5es, cultivar projectos de paz e de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade onde todos tenham lugar. <\/p>\n<p>Ser diferente ou ter uma opini\u00e3o diferente n\u00e3o quer dizer que se seja inimigo. O pluralismo \u00e9 sempre um enriquecimento, quando as pessoas t\u00eam dimens\u00e3o moral, sabem acolher e respeitar, n\u00e3o nadam no vazio.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o di\u00e1logo e a conviv\u00eancia se dificultam, a ponto de se tornarem imposs\u00edveis, se as pessoas contarem menos que as ideias e as coisas e se, por detr\u00e1s das opini\u00f5es, dominarem interesses de qualquer ordem ou apenas houver emo\u00e7\u00f5es \u00e0 procura de justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando assim acontece, surgem sempre os fantasmas e logo se diz que os crist\u00e3os s\u00e3o obscurantistas, que a liberdade tem de ser absoluta, que o deus de cada um \u00e9 ele pr\u00f3prio, e por a\u00ed adiante\u2026 Se voltarmos a p\u00e1gina, tamb\u00e9m podemos ver alguns radicalismos e modos de agir no espa\u00e7o religioso, que podem traduzir algum fundamentalismo inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por sorte, h\u00e1 muita gente s\u00e9ria e honesta, em todos os quadrantes da vida social, que mostram que o equil\u00edbrio \u00e9 poss\u00edvel, tal como o \u00e9 a conviv\u00eancia respeitosa e sadia.<\/p>\n<p>O problema do aborto, que vai enchendo a pra\u00e7a p\u00fablica, presta-se a um bom exerc\u00edcio de reflex\u00e3o, serena e fundamentada, de modo a que propostas diversas ganhem valor de cidadania e ajudem a solu\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es pontuais, sem que ponham em causa valores e aspectos fundamentais.<\/p>\n<p>Toda a gente, presumo eu, est\u00e1 interessada em promover a vida, esse valor supremo e inestim\u00e1vel, sem o qual nada pode subsistir. O caminho, por\u00e9m, tem de ser marcado pela honestidade e pela clarivid\u00eancia. O valor da vida n\u00e3o pode dobrar-se ante promessas eleitorais ou programas partid\u00e1rios.<\/p>\n<p>Um exemplo: O \u201cMovimento de cidadania e de responsabilidade\u201d, disposto a lutar pelo \u201csim\u201d, diz que \u201co feto ainda n\u00e3o \u00e9 vida humana\u201d. Quem pensa de modo contr\u00e1rio, acrescenta, quer misturar os termos do debate e confundir as pessoas. \u00c9 assim que acontece, acentua, com \u201ca Igreja conservadora e obscurantista\u201d\u2026 Mas ent\u00e3o, o feto vivo, que \u00e9 fruto de dois elementos humanos vivos, o espermatoz\u00f3ide e o \u00f3vulo, se n\u00e3o \u00e9 vida humana, o que \u00e9? E quando come\u00e7a, ent\u00e3o, a ser? \u00c9 a vida humana fruto de um salto qualitativo que acontece num momento determinado, ou existe desde o in\u00edcio com todas as capacidades da pessoa, que apenas aguardam o seu natural desenvolvimento e manifesta\u00e7\u00e3o, para que se possam verificar?<\/p>\n<p>Outro exemplo: Um grupo de deputados portugueses no Parlamento Europeu, tamb\u00e9m defensores do sim, acaba por confessar, para justificar a sua luta, que \u201co resultado deste referendo n\u00e3o interessa apenas a Portugal. Interessa igualmente \u00e0 Europa, onde outros tr\u00eas pa\u00edses ainda criminalizam as mulheres por interromperem a gravidez: Irlanda, Malta e Pol\u00f3nia\u201d. Assim mesmo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel assim reflectir, seriamente, sobre o valor da vida gerada e ainda no seio da m\u00e3e? Que respeito podem merecer tais posi\u00e7\u00f5es, se elas n\u00e3o respeitam o essencial de uma reflex\u00e3o que ocupa o pa\u00eds?<\/p>\n<p>Um mundo de misturas, confus\u00f5es e desvios. Todos reconhecem que o aborto \u00e9 crime. Ent\u00e3o, h\u00e1 que lutar juntos para evitar e erradicar o crime. Quanto \u00e0s mulheres que decidiram abortar e aos pais que geraram uma nova vida, sempre calados na opini\u00e3o p\u00fablica, mas que est\u00e3o muitas vezes na origem da decis\u00e3o, os tribunais que os julguem, com a sabedoria e a benevol\u00eancia poss\u00edveis, porque sempre a fraqueza humana nos acompanhar\u00e1. Mas n\u00e3o se fale de direitos da m\u00e3e, nem se omita ou se cale a responsabilidade do pai, esmagando o direito fundamental do filho j\u00e1 gerado.<\/p>\n<p>Nem surjam leis para empatar que se ande o caminho que pode levar a uma solu\u00e7\u00e3o digna de um pa\u00eds humanizado, onde todos contem e n\u00e3o apenas alguns sejam considerados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos em tempos em que o respeito m\u00fatuo deve ser a regra de ouro da conviv\u00eancia pac\u00edfica, mas em que alguns parecem ter jurado n\u00e3o ir por esse caminho. 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