{"id":8725,"date":"2007-01-18T15:11:00","date_gmt":"2007-01-18T15:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8725"},"modified":"2007-01-18T15:11:00","modified_gmt":"2007-01-18T15:11:00","slug":"mais-um-ataque-injusto-a-imprensa-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mais-um-ataque-injusto-a-imprensa-regional\/","title":{"rendered":"Mais um ataque injusto \u00e0 imprensa regional"},"content":{"rendered":"<p>Orienta\u00e7\u00f5es recentes sobre a imprensa regional v\u00e3o levar ao fim do porte pago dos jornais enviados aos emigrantes, bem como \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de se oferecer o jornal a quem quer que seja, mesmo aos que nele colaboram e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es abertas a todos.<\/p>\n<p>A luta contra a imprensa regional vem de longe e alguns quadrantes pol\u00edticos, se lhe mudaram a forma, n\u00e3o mudaram os objectivos. Por\u00e9m, \u00e9 ela que faz com que n\u00e3o aumentem cada dia os analfabetos letrados, que mostra o pa\u00eds real e abre as janelas do mundo, que aproxima as pessoas dos objectivos comuns e aperta la\u00e7os de vida, que denuncia as prepot\u00eancias dos diversos poderes e lan\u00e7a iniciativas que respondam a necessidades concretas que uns ignoram e outros abafam.<\/p>\n<p>O que se anuncia agora, j\u00e1 com data marcada, al\u00e9m de ser um mau passo, dado por um poder que teima, em muitos aspectos, viver \u00e0 margem da vida dos cidad\u00e3os, \u00e9, ao mesmo tempo, uma medida inconceb\u00edvel, que entra, talvez sob pretexto or\u00e7amental, por um caminho t\u00e3o injusto, como perigoso.<\/p>\n<p>Um dos la\u00e7os mais fortes dos emigrantes \u00e0 sua terra \u00e9 o jornal da regi\u00e3o. Quem visita emigrantes por esse mundo fora ou com eles contacta quando por a\u00ed passam f\u00e9rias, sabe que assim \u00e9. Os deputados pela emigra\u00e7\u00e3o j\u00e1 se aperceberam desta medida ou foram ouvidos sobre tais decis\u00f5es do governo? <\/p>\n<p>Acabar com o porte pago quer dizer, traduzido em n\u00fameros, que um emigrante, assinante do jornal seman\u00e1rio da sua terra, ter\u00e1 de pagar, al\u00e9m da assinatura, mais umas centenas de euros. Mas quer dizer ainda, e isto \u00e9 muito grave, que vivam l\u00e1 eles pelas terras onde trabalham, o importante \u00e9 que mandem divisas e fa\u00e7am investimentos. Se se forem secando os afectos que ainda os ligam ao pa\u00eds e \u00e0 terra onde nasceram, isso \u00e9 de somenos import\u00e2ncia\u2026 <\/p>\n<p>Todos sabemos como se exprime a sensibilidade dos que lutam pela vida em terras estrangeiras, quando se lhes toca na sua pessoa, sentimentos e interesses. Est\u00e1 a\u00ed ao rubro este seu sentir, pelo facto de se fecharem consulados, obrigando a desloca\u00e7\u00f5es impens\u00e1veis, para tratar dos seus problemas. E j\u00e1 vem a\u00ed outra medida que os agride\u2026<\/p>\n<p>Ainda neste contexto de livre opini\u00e3o, \u00e9 bom que se saiba que a imprensa regional vive, em grande parte, de colaboradores graciosos. Escrevo regularmente nos jornais h\u00e1 quase cinquenta anos. Nunca recebi, nem pedi, nem aceitei como paga desta colabora\u00e7\u00e3o regular, mais do que a oferta do jornal onde escrevo. Pois, daqui em diante, a administra\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de pagar o jornal que me envia, ou ent\u00e3o pag\u00e1-lo eu, ou deixar de o receber. Assim mesmo. De igual modo, e por igual raz\u00e3o, v\u00e3o acabar as ofertas de jornais para escolas, hospitais, centros de conv\u00edvio e por a\u00ed adiante. Quem quiser ler ter\u00e1 de pagar. Uma tristeza sem nome, que mata tantas coisas lindas e louv\u00e1veis.<\/p>\n<p>N\u00e3o descortino raz\u00f5es para estas medidas, que n\u00e3o sejam o prop\u00f3sito de asfixiar, a pouco e pouco, a inc\u00f3moda imprensa regional. Um prop\u00f3sito que vem do tempo do PREC. Foi ent\u00e3o que se lhe chamou reaccion\u00e1ria, um nome sempre \u00e0 m\u00e3o de cabe\u00e7as vazias de ideias e de cora\u00e7\u00f5es encarquilhados por \u00f3dios e preconceitos.<\/p>\n<p>Eu compreendo medidas que ajudem a qualifica\u00e7\u00e3o dos jornais, estimulem a sua leitura, os tornem desej\u00e1veis e esperados. Ao Estado cumpre o estar atento ao que se faz de bem e interessa \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, e empenhar-se para que se fa\u00e7a mais e melhor. Por este caminho n\u00e3o vai l\u00e1. <\/p>\n<p>Vou-me interrogando, seriamente, se, para quem governa, a almejada democracia afinal ajuda o pa\u00eds a crescer ou \u00e9 um empecilho ao seu crescimento. N\u00e3o voltaremos mais ao pensamento dominante e \u00fanico de uns tantos inteligentes que j\u00e1 nasceram ricos e agora governam e decidem sem apelo, em contraponto com o povo, que, felizmente, j\u00e1 n\u00e3o se resigna a que outros pensem por ele e o queiram calar por inc\u00f3modo.<\/p>\n<p>Matar a imprensa regional \u00e9 agredir o povo e as iniciativas de quem quer participar e tem direito a faz\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orienta\u00e7\u00f5es recentes sobre a imprensa regional v\u00e3o levar ao fim do porte pago dos jornais enviados aos emigrantes, bem como \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de se oferecer o jornal a quem quer que seja, mesmo aos que nele colaboram e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es abertas a todos. 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