{"id":8760,"date":"2007-01-25T10:42:00","date_gmt":"2007-01-25T10:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8760"},"modified":"2007-01-25T10:42:00","modified_gmt":"2007-01-25T10:42:00","slug":"associacao-de-defesa-e-apoio-a-vida-ja-ajudou-quase-uma-centena-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/associacao-de-defesa-e-apoio-a-vida-ja-ajudou-quase-uma-centena-de-mulheres\/","title":{"rendered":"Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio \u00e0 Vida j\u00e1 ajudou quase uma centena de mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Desde que foi criada em Aveiro, em Julho de 2000, a Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio \u00e0 Vida ajudou 93 m\u00e3es. O n\u00famero n\u00e3o coincide com o n\u00famero de crian\u00e7as nascidas. A ADAV apoia mulheres gr\u00e1vidas, mas estende a sua ac\u00e7\u00e3o igualmente \u00e0s mulheres que j\u00e1 tiveram os seus filhos e que se encontram em algum tipo de dificuldade.<\/p>\n<p>O trabalho da ADAV, uma das organiza\u00e7\u00f5es que saiu dos movimentos do \u201cN\u00e3o\u201d ap\u00f3s o referendo de 1998 (como a \u201cAjuda de Ber\u00e7o\u201d, em Lisboa, por exemplo), \u00e9 um sinal claro de que esses movimentos assumiram o compromisso de ajudar as mulheres gr\u00e1vidas. O aborto n\u00e3o pode ser nunca a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como trabalha a ADAV? O Correio do Vouga falou com Cristina Ribau, uma das volunt\u00e1rias mais empenhadas da associa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cO servi\u00e7o mais importante da ADAV \u00e9 a linha telef\u00f3nica. Com esta linha telef\u00f3nica encaminhamos as pessoas para o nosso Gabinete de Atendimento (GA) ou para outro tipo de servi\u00e7o social, se o caso n\u00e3o for do \u00e2mbito espec\u00edfico da ADAV\u201d, refere Cristina Ribau.<\/p>\n<p>O GA tem v\u00e1rios servi\u00e7os: atendimento e informa\u00e7\u00e3o (duas pessoas), jur\u00eddico (duas juristas), m\u00e9dico (uma ginecologista e um pediatra), psicol\u00f3gico (uma psic\u00f3loga), domicili\u00e1rio (cinco pessoas). Este \u00faltimo servi\u00e7o consiste na visita a casa das mulheres apoiadas, quando se justifica, com a finalidade de levar a ajuda alimentar (resultante de um protocolo com o Banco Alimentar Contra a Fome), os artigos do enxoval do beb\u00e9, nomeadamente roupa para as diferentes idades da crian\u00e7a, camas, carrinhos de beb\u00e9\u2026<\/p>\n<p>\u201cO apoio domicili\u00e1rio permite tamb\u00e9m manter uma proximidade com a m\u00e3e e o beb\u00e9, com vista a detectar outras necessidades e a assegurarmo-nos de que ambos se encontram bem, a n\u00edvel ps\u00edquico, f\u00edsico e material. Sem o apoio domicili\u00e1rio, muitas das nossas utentes ficariam privadas da nossa ajuda, pelas dificuldades em se deslocarem e carregarem pesos, quer enquanto se encontram gr\u00e1vidas, quer depois do beb\u00e9 nascer\u201d, afirma Cristina Ribau.<\/p>\n<p>A ADAV tem sede em Aveiro, mas a sua ac\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita a este concelho, conforme indica Cristina Ribau: \u201cApesar de limitado nos recursos humanos e materiais, o trabalho da ADAV n\u00e3o se limita ao concelho de Aveiro e j\u00e1 se estendeu a Santa Maria da Feira, Oliveira de Azem\u00e9is, \u00c1gueda, Oliveira do Bairro, \u00cdlhavo, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Sever do Vouga, Murtosa e Mira, munic\u00edpios onde apoi\u00e1mos casos concretos e, em alguns destes munic\u00edpios, mais que um caso\u201d.<\/p>\n<p>Poucos recursos para t\u00e3o grande miss\u00e3o<\/p>\n<p>J\u00e1 que se referem os recursos humanos e materiais, quais s\u00e3o os da ADAV? \u201cUma institui\u00e7\u00e3o como a nossa, apesar de ser uma IPSS [institui\u00e7\u00e3o particular de solidariedade social], vive exclusivamente do trabalho volunt\u00e1rio, sem qualquer apoio financeiro p\u00fablico at\u00e9 ao momento, e s\u00f3 subsiste gra\u00e7as \u00e0 generosidade de uma infinidade de pessoas, que discretamente sustentam, no quotidiano, a miss\u00e3o que nos move. Algum desse trabalho \u00e9 realizado de forma mais sistematizada e, tem por isso, maior visibilidade. Este apoio regular \u00e9 prestado por 13 pessoas, divididas por diferentes \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece Cristina Ribau.<\/p>\n<p>Todos os custos da ADAV s\u00e3o suportados pelas quotas dos s\u00f3cios, por alguns donativos e pela generosidade dos volunt\u00e1rios, nomeadamente nas desloca\u00e7\u00f5es e na manuten\u00e7\u00e3o da linha telef\u00f3nica. \u201c\u00c9 quase um milagre trabalhar nestas condi\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a volunt\u00e1ria, reconhecendo que \u201ccada vez mais ser\u00e1 necess\u00e1rio recorrer a recursos humanos remunerados\u201d, embora, por enquanto, tal ainda n\u00e3o seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p>As grandes car\u00eancias da ADAV, neste momento, s\u00e3o os recursos materiais, para apoio \u00e0s mulheres que pedem ajudas, como fraldas, roupa de cama de beb\u00e9, camas, alcofas, cadeiras de beb\u00e9, e um espa\u00e7o maior para sede, em vez do \u201cespa\u00e7o ex\u00edguo\u201d na Casa Municipal da Cultura, no centro de Aveiro. Um espa\u00e7o maior poderia dar asas a um desejo da associa\u00e7\u00e3o. \u201cTemos um sonho antigo, que \u00e9 tamb\u00e9m uma necessidade: prestar \u00e0s nossas utentes forma\u00e7\u00e3o sistematizada, para al\u00e9m da que \u00e9 feita em gabinete. Gostar\u00edamos de poder aprofundar a forma\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como: puericultura, sa\u00fade materno-infantil, planeamento familiar, desenvolvimento pessoal e profissional\u2026 Para tudo isto, necessitamos de espa\u00e7o e recursos financeiros\u201d.<\/p>\n<p>Quem pede ajuda?<\/p>\n<p>Cristina Ribau afirma que n\u00e3o existem \u201ccasos t\u00edpicos\u201d, pois cada caso pede uma ajuda espec\u00edfica, mas aponta alguns tra\u00e7os comuns \u00e0s mulheres que pedem ajuda \u00e0 ADAV.<\/p>\n<p>Desejo de ter o filho<\/p>\n<p>\u201cTrata-se normalmente de m\u00e3es que, apesar de se encontrarem em dificuldades, desejam ter os seus filhos. N\u00e3o desejaram as circunst\u00e2ncias em que est\u00e3o a viver a sua gravidez, mas desejam os seus filhos. Isto tem-me levado a dizer com frequ\u00eancia que n\u00e3o somos testemunhas de gravidezes indesejadas, mas sim de alguma desola\u00e7\u00e3o perante as dificuldades resultantes de gravidezes n\u00e3o planeadas. Ainda n\u00e3o tivemos nenhum caso em que nos foi dito \u201ceu n\u00e3o quero este filho\u201d, mas sim \u201cgostaria que as coisas tivessem acontecido de outra maneira e agora n\u00e3o sei o que fazer ou se me podem ajudar\u201d. Ou seja, salvo uma situa\u00e7\u00e3o em que uma terceira pessoa nos pediu para ajudarmos uma pessoa pr\u00f3xima a abortar, ainda nenhuma mulher nos pediu para a ajudarmos a fazer um aborto; pedem-nos simplesmente ajuda perante uma ambival\u00eancia de sentimentos, entre a liga\u00e7\u00e3o afectiva ao filho que cresce dentro delas e as dificuldades em que se encontram muitas vezes, sem verem qualquer luz ao fundo do t\u00fanel, que frequentemente tamb\u00e9m resultam de um profundo desconhecimento dos seus direitos e dos apoios que podem obter\u201d.<\/p>\n<p>Boa condi\u00e7\u00e3o social<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tamb\u00e9m um outro aspecto que \u00e9 importante salientar. Ao contr\u00e1rio do que muitas vezes se pensa, as mulheres que nos pedem ajuda n\u00e3o s\u00e3o maioritariamente mulheres provenientes de classes sociais muito desfavorecidas, j\u00e1 sinalizadas pelos servi\u00e7os sociais, mas sim pessoas que se encontram numa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria a diversos n\u00edveis resultante do simples facto de se encontrarem gr\u00e1vidas. Trata-se, por exemplo, de mulheres que, por se encontrarem gr\u00e1vidas, ou perderam o emprego ou viram a sua estabilidade familiar profundamente afectada por opini\u00f5es diferentes no seio da fam\u00edlia relativamente ao futuro dessa gravidez (pais, companheiro\u2026). Da\u00ed, que muitos destes casos n\u00e3o sejam conhecidos dos servi\u00e7os sociais, porque s\u00f3 agora, que se encontram gr\u00e1vidas, as pessoas se viram com necessidade de pedir ajuda. Isto refor\u00e7a tamb\u00e9m a vital import\u00e2ncia de um apoio espec\u00edfico para estas situa\u00e7\u00f5es, onde \u00e9 garantido total sigilo, com o menor n\u00famero de pessoas na media\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, sem o constrangimento de terem que contar a sua situa\u00e7\u00e3o a uma s\u00e9rie de pessoas ou institui\u00e7\u00f5es at\u00e9 que possam encontrar algum tipo de ajuda\u201d.<\/p>\n<p>Jovens adultas<\/p>\n<p>\u201cContrariamente ao que por vezes se pensa \u2013 afirma Cristina Ribau \u2013 n\u00e3o s\u00e3o maioritariamente adolescentes que pedem ajuda. A percentagem de casos de gravidez adolescente apoiados pela ADAV \u00e9 de 8%. A idade m\u00e9dia das mulheres que nos pediu ajuda \u00e9 de 23 anos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 importante formar e prevenir<\/p>\n<p>Em simult\u00e2neo com o Projecto Nascer (apoio \u00e0 gr\u00e1vida e m\u00e3es) e o Projecto Viver (apoio a doentes terminais e familiares), a ADAV tem o Projecto Crescer, vocacionado para a forma\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o. Este Projecto est\u00e1 em reestrutura\u00e7\u00e3o, mas a ADAV responde regularmente a pedidos de forma\u00e7\u00e3o, que lhe s\u00e3o feitos quer por escolas, IPSS, Escolas de Pais, par\u00f3quias, etc., facultando os recursos materiais e humanos de que disp\u00f5e.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, a ADAV desenvolveu 50 ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o em 9 IPSS do distrito de Aveiro, envolvendo 6 munic\u00edpios no \u00e2mbito do Projecto ISSI, financiado pelo Aveiro Digital. Muitas destas ac\u00e7\u00f5es foram na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o sexual e da preven\u00e7\u00e3o dos comportamentos sexuais de risco.<\/p>\n<p>Perfil da Associa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio \u00e0 Vida \u00e9 aconfessional e apartid\u00e1ria. Surgiu em Coimbra e expandiu-se para Aveiro.<\/p>\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o: Por escritura p\u00fablica, em 21 de Julho de 2000.<\/p>\n<p>Contactos: 234 424 040 ou 967 595 215<\/p>\n<p>A linha telef\u00f3nica \u00e9 o principal meio de contacto com a ADAV. Quando os cartazes da associa\u00e7\u00e3o est\u00e3o na rua atrav\u00e9s de mupis (o que tem os seus custos) h\u00e1, em m\u00e9dia, duas mulheres por m\u00eas que pedem aux\u00edlio.<\/p>\n<p>Parceria: A ADAV est\u00e1 integrada no Projecto RIA \u2013 Rede de Interven\u00e7\u00e3o de Aveiro, que congrega v\u00e1rios organismos de apoio social no munic\u00edpio de Aveiro.<\/p>\n<p>Presidente: Am\u00e2ndio de Albuquerque, preside actualmente \u00e0 ADAV. O m\u00e9dico de cl\u00ednica geral reafirma que o grande objectivo da ADAV \u00e9 \u201cajudar as m\u00e3es a levar a sua gravidez at\u00e9 ao fim\u201d e a \u201cconceder-lhes apoio material e psicol\u00f3gico\u201d nos primeiros anos de vida dos filhos. At\u00e9 Novembro de 2006, altura em que houve elei\u00e7\u00f5es, foi presidente o m\u00e9dico cardiologista Rog\u00e9rio Leit\u00e3o, antigo presidente da Assembleia Municipal de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que foi criada em Aveiro, em Julho de 2000, a Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio \u00e0 Vida ajudou 93 m\u00e3es. O n\u00famero n\u00e3o coincide com o n\u00famero de crian\u00e7as nascidas. 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