{"id":8772,"date":"2007-01-25T11:26:00","date_gmt":"2007-01-25T11:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8772"},"modified":"2007-01-25T11:26:00","modified_gmt":"2007-01-25T11:26:00","slug":"a-sociedade-glorifica-a-juventude-mas-dificulta-a-vida-aos-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-sociedade-glorifica-a-juventude-mas-dificulta-a-vida-aos-jovens\/","title":{"rendered":"A sociedade glorifica a juventude, mas dificulta a vida aos jovens"},"content":{"rendered":"<p>V\u00edtor S\u00e9rgio Ferreira considera que foi uma \u201cagrad\u00e1vel surpresa\u201d verificar que as condutas de risco (sinistralidade, consumo de tabaco, \u00e1lcool e drogas duras) est\u00e3o a diminuir ou a estabilizar entre os jovens. O investigador do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa apresentou, no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, em Aveiro, as grandes conclus\u00f5es do relat\u00f3rio que coordenou. \u201cA condi\u00e7\u00e3o juvenil portuguesa na viragem do mil\u00e9nio\u201d \u00e9 um estudo in\u00e9dito que revela a evolu\u00e7\u00e3o dos jovens entre 1991 e 2004, em campos como a educa\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia, o emprego ou a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Contra a \u201ccultura do achismo\u201d<\/p>\n<p>O estudo teve por base a an\u00e1lise de dados estat\u00edsticos sobre os jovens dos 15 aos 29 anos. \u00c9 uma an\u00e1lise cient\u00edfica, contra a \u201ccultura do achismo\u201d: \u201cEu acho que os jovens&#8230;\u201d Incide nos jovens entre os 15 e os 19 anos, entre o fim da escolaridade obrigat\u00f3ria e limite m\u00ednimo para a inser\u00e7\u00e3o na vida activa e o limite m\u00e1ximo de entrada na vida adulta, atrav\u00e9s do casamento e da profiss\u00e3o. O estudo est\u00e1 publicado em livro e poder ser consulado na Internet em: http:\/\/www.sejd.gov.pt (clicar em \u201cA Condi\u00e7\u00e3o Juvenil Portugue-sa\u201d).<\/p>\n<p>Dilatou-se a condi\u00e7\u00e3o juvenil<\/p>\n<p>Os processos de entrada na vida adulta s\u00e3o mais diversos e prolongam-se no tempo. Os jovens passam mais tempo em processos escolares e formativos. Em 1990, a taxa de frequ\u00eancia do ensino superior era de 16%. Em 2001 essa taxa subiu para 27%. No per\u00edodo do estudo, 58% dos jovens conclu\u00edam a escolaridade obrigat\u00f3ria. Na viragem do mil\u00e9nio, a percentagem era de 89%. \u00c9 uma tend\u00eancia clara: os jovens saem de casa cada vez mais tarde. As raparigas estudam mais do que os rapazes. Devido ao desemprego, h\u00e1 uma estrat\u00e9gia de prolongamento da forma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, mestrados ou doutoramentos.<\/p>\n<p>Casam-se mais tarde<\/p>\n<p>Ao longo do per\u00edodo abarcado pelo estudo sociol\u00f3gico, os jovens passaram a casar, em m\u00e9dia, dois anos mais tarde. Em 2004 a idade m\u00e9dia com que os jovens se casam \u00e9 de 28,6 anos, no sexo masculino, e de 26,9 no sexo feminino. Em 1990, o primeiro filho nascia aos 24,7 anos da m\u00e3e. Em 2004 nasce os 27,5.<\/p>\n<p>Menos jovens<\/p>\n<p>A juventude \u00e9 uma categoria demograficamente cada vez menos frequentada. Antes, a popula\u00e7\u00e3o portuguesa era composta por um quarto de jovens. Agora s\u00e3o um quinto.<\/p>\n<p>Mais div\u00f3rcios<\/p>\n<p>O casamento \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o colocada cada vez mais tarde. Mas o div\u00f3rcio surge cada vez mais cedo. Antes, o div\u00f3rcio surgia entre os 5\u00ba e o 9\u00ba ano de casamento. Agora, surge entre o 1\u00ba e o 4\u00ba ano. O div\u00f3rcio n\u00e3o significa que os jovens n\u00e3o acreditem na institui\u00e7\u00e3o casamento. Privilegiam antes a qualidade da rela\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o tem a qualidade desejada, passa-se para outra rela\u00e7\u00e3o. Valoriza-se mais a quest\u00e3o dos afectos.<\/p>\n<p>Principal causa de morte<\/p>\n<p>A sinistralidade rodovi\u00e1ria \u00e9 a principal causa de morte entre os jovens do sexo masculino; contudo, nota-se uma tend\u00eancia para a diminui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aumento de criminalidade<\/p>\n<p>A criminalidade aumentou 15% entre os jovens. Trata-se principalmente de crimes contra o patrim\u00f3nio. Duplicou o n\u00famero de arguidos jovens. Metade da popula\u00e7\u00e3o prisional portuguesa s\u00e3o jovens.<\/p>\n<p>Independ\u00eancia\/Depend\u00eancia<\/p>\n<p>H\u00e1 uma singular rela\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia\/depend\u00eancia dos jovens em rela\u00e7\u00e3o aos pais. Por um lado, t\u00eam em casa um espa\u00e7o cada vez mais privado \u2013 o quarto \u2013 e \u00e9-lhes dado o autom\u00f3vel como s\u00edmbolo de independ\u00eancia. Mas, quando o carro avaria ou acontece um acidente, \u00e9 ao pai que se telefona em primeiro lugar para resolver o problema.<\/p>\n<p>Universidade n\u00e3o significa autonomia<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros tempos, a ida para a universidade n\u00e3o significa autonomia do jovem. Os pais acompanham os filhos nas matr\u00edculas e nos primeiros dias de aulas \u2013 impens\u00e1vel h\u00e1 duas d\u00e9cadas. A Queima das Fitas [ou B\u00ean\u00e7\u00e3o dos Finalistas] \u00e9 vivida em fam\u00edlia, como o baptismo ou o casamento.<\/p>\n<p>Participa\u00e7\u00e3o social<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da ideia dominante, os jovens n\u00e3o est\u00e3o menos participativos. Antes do 25 de Abril, a participa\u00e7\u00e3o era maior, mas apenas entre as elites, que eram uma minoria. Agora a participa\u00e7\u00e3o tem outras dimens\u00f5es e modalidades (vejam-se as manifesta\u00e7\u00f5es convocadas por mensagens de telem\u00f3vel). A participa\u00e7\u00e3o eleitoral aumenta claramente com a inser\u00e7\u00e3o do jovem no mundo laboral.<\/p>\n<p>Dificuldades maiores<\/p>\n<p>Vivem-se tempos de incerteza e conting\u00eancia. A sociedade glorifica a juventude, mas os jovens t\u00eam de se confrontar com um horizonte muito difuso e dilu\u00eddo. N\u00e3o h\u00e1 emprego. Ou, se h\u00e1, j\u00e1 se sabe que n\u00e3o \u00e9 para toda a vida. A capacidade de fazer projectos a longo prazo diminui. Os valores juvenis s\u00e3o experimentalistas: viver a vida melhor, no momento; cultura l\u00fadica e medi\u00e1tica. \u00c9 dif\u00edcil ter outra estrat\u00e9gia, quando o horizonte \u00e9 t\u00e3o incerto.<\/p>\n<p>Modelos n\u00f3rdicos<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses n\u00f3rdicos, os jovens saem mais cedo de casa e come\u00e7am a trabalhar ao mesmo tempo que continuam os estudos. Trabalham num caf\u00e9 e alugam uma casa (normalmente com subs\u00eddio estatal), que partilham com algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias como a de trabalho em \u201cpart-time\u201d, de associativismo ou de participa\u00e7\u00e3o numa ONG s\u00e3o muito valorizadas no curr\u00edculo. Contribuem para a responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Portugal, este tipo de experi\u00eancias n\u00e3o \u00e9 valorizado, nem pelas fam\u00edlias (que acham que pode prejudicar os estudos ou transmitir uma imagem de falta de apoio ao seu filho), nem pelos professores, nem, em geral, pelos empregadores.<\/p>\n<p>Pr\u00f3xima sess\u00e3o do F\u00f3rum::Universal<\/p>\n<p>7 de Fevereiro, \u00e0s 21h, no CUFC<\/p>\n<p>\u201cEst\u00f3rias da Ria, Cidade e caracteriza\u00e7\u00e3o de Aveiro\u201d<\/p>\n<p>Com \u00c9lio Maia e Mons. Jo\u00e3o Gaspar<\/p>\n<p>Modera\u00e7\u00e3o: Teresa Fid\u00e9lis<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00edtor S\u00e9rgio Ferreira considera que foi uma \u201cagrad\u00e1vel surpresa\u201d verificar que as condutas de risco (sinistralidade, consumo de tabaco, \u00e1lcool e drogas duras) est\u00e3o a diminuir ou a estabilizar entre os jovens. 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