{"id":8781,"date":"2007-01-25T11:48:00","date_gmt":"2007-01-25T11:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8781"},"modified":"2007-01-25T11:48:00","modified_gmt":"2007-01-25T11:48:00","slug":"imagens-chocantes-se-e-sensivel-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/imagens-chocantes-se-e-sensivel-cuidado\/","title":{"rendered":"Imagens chocantes! Se \u00e9 sens\u00edvel&#8230; cuidado!"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> Todos os dias nos deparamos com pessoas que se lamentam e criticam mil situa\u00e7\u00f5es do mundo em que vivemos. Confrontados claramente com as realidades contradit\u00f3rias da nossa sociedade, preferimos virar a cara para o outro lado. Os grandes problemas do mundo n\u00e3o s\u00e3o encarados de frente. Paradoxal-mente, ou talvez n\u00e3o, preferimos ir por outros caminhos. <\/p>\n<p>Quando questionados sobre as dificuldades econ\u00f3micas, comparativamente com o passado, e postos perante as desigualdades sociais que afectam a maior parte da humanidade, levantam-se, imediatamente, as barreiras do costume: a indiferen\u00e7a, o distanciamento, o anonimato. \u00c0s vezes mesmo, refugiamo-nos no nosso ego\u00edsmo e fechamos os nossos olhos para n\u00e3o ver aquilo que, de forma nenhuma, conv\u00e9m \u00e0s linhas do nosso pensamento e comportamento. Ou ent\u00e3o, que posso eu fazer para acabar com tais situa\u00e7\u00f5es? Tudo parece depender dos outros, ou tudo parece acontecer na casa do vizinho. Com o crescer progressivo da riqueza material, valor importante para a nossa qualidade de vida, vamos hipotecando, paralela e cobardemente, a nossa riqueza humana, a nossa cultura e a nossa sensibilidade moral.<\/p>\n<p>As imagens chocantes, que nos chegam de todo o mundo, cortam a respira\u00e7\u00e3o e partem o cora\u00e7\u00e3o daqueles que ainda n\u00e3o permitiram que ele se congelasse. Essas imagens v\u00eam acompanhadas pela mensagem de que n\u00e3o devem ser vistas por crian\u00e7as e pessoas mais sens\u00edveis. Que imagens s\u00e3o essas?<\/p>\n<p>O mundo que nos choca pelas imagens \u00e9 o mundo dos horrores da guerra em todas as suas express\u00f5es, desde os bombardeamentos aos ataques suicidas, desde as armas nas m\u00e3os das crian\u00e7as at\u00e9 aos massacres mais refinados, desde os atentados ao terrorismo; s\u00e3o as imagens angustiantes de milhares e milhares de refugiados, amontoados em espa\u00e7os sem condi\u00e7\u00f5es dignas de um ser humano; s\u00e3o as degradantes imagens da fome no mundo e das condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis a que est\u00e3o sujeitos milh\u00f5es de subalimentados, em contraste com imagens n\u00e3o-chocantes de lautos banquetes e alimentos, em quantidades enormes, a serem lan\u00e7ados para os animais ou para os caixotes do lixo, que s\u00e3o revistados e revisitados todos os dias, e muitas vezes ao dia, por aqueles que \u201ct\u00eam o v\u00edcio de por l\u00e1 passar\u201d; s\u00e3o as imagens inacredit\u00e1veis de seres humanos que apodrecem vivos por ac\u00e7\u00e3o de lepra, a par das tamb\u00e9m inacredit\u00e1veis imagens das opera\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, t\u00e3o inest\u00e9ticas, \u00e0s vezes; s\u00e3o as imagens chocantes das limpezas \u00e9tnicas e do exterm\u00ednio puro e simples dos opositores pol\u00edticos ou militares; s\u00e3o as imagens chocantes dos condenados \u00e0 pena de morte ou \u00e0 tortura; s\u00e3o as imagens chocantes de crian\u00e7as e de idosos abandonados, maltratados ou desprezados; s\u00e3o as imagens chocantes do aborto, da droga, do \u00e1lcool, dos raptos, dos maus tratos, da vio-l\u00eancia familiar, &#8230; numa palavra, s\u00e3o as chocantes realidades do nosso mundo, ainda assim menos chocantes do que a dos olhos e os ouvidos fechados ao clamor dos pobres e empobrecidos, nesta sociedade cada vez mais rica, mais capaz de resolver os problemas da humanidade, mas sempre e cada vez mais apodrecida na sua devoradora vontade de comer tudo, sem permitir que, ao menos, os outros possam beneficiar dos restos.<\/p>\n<p>Do outro lado, s\u00e3o os acomodados, os indiferentes, os partid\u00e1rios do \u201ctanto faz\u201d, os surdos \u00e0s vozes dos oprimidos, os que tendo olhos n\u00e3o querem ver e os que, embora vejam, n\u00e3o se sentem afectados nem se v\u00eaem na pele dos outros. Muitos, instalados na sua invalidez social e na sua desumana inutilidade, s\u00f3 olham para o seu umbigo e, quando falam, falam como reis e senhores deste mundo e dos outros, se os houver, e actuam como se ao monop\u00f3lio do dinheiro correspondesse o monop\u00f3lio da intelig\u00eancia, em cujas m\u00e3os (mangas) se encontram, supostamente escondidas, as solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis para todos os problemas dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Imagens chocantes mas reais deste tempo, s\u00e9culo XXI, e deste mundo \u201ccivilizado\u201d, inundado e abafado por mil declara\u00e7\u00f5es universais de direitos humanos, sonoramente proclamados, mas com n\u00edveis muito baixos de aplica\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que estas declara\u00e7\u00f5es, apelidadas de universais, n\u00e3o foram feitas para serem cumpridas por todos nem aplicadas a todos. <\/p>\n<p>N\u00e3o gostamos de ver imagens de animais que se atacam e matam uns aos outros, mas divertimo-nos a ver a esp\u00e9cie humana a transformar um mundo, que se desejava saud\u00e1vel e habit\u00e1vel, numa verdadeira selva humana. <\/p>\n<p>Para onde foi a dignidade humana, se h\u00e1 homens de primeira, segunda ou terceira classe? Para onde foi um mundo que era de todos e se tornou apenas de meia-d\u00fazia? Para onde foi a verdade que \u00e9 o suporte da justi\u00e7a social e do respeito pela igualdade de todos? Ser\u00e1 verdade que todos somos iguais, mas que alguns s\u00e3o mais iguais que os restantes? Onde est\u00e1 a lei, que permite a explora\u00e7\u00e3o e a coloniza\u00e7\u00e3o camufladas sob a capa da ajuda econ\u00f3mica? Para onde foi despachada a seriedade e a honestidade dos neg\u00f3cios e das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e os povos?<\/p>\n<p>Capazes de lutar para salvar as esp\u00e9cies vegetais e animais em extin\u00e7\u00e3o, capazes de realizar manifesta\u00e7\u00f5es de nus para reclamar contra a morte de certos animais, cuja pele pode ser utilizada para a confec\u00e7\u00e3o de casacos destinados aos ricos, indiferentes, por outro lado, \u00e0 tortura e \u00e0 morte dos seres humanos, indefesos desde o seio materno at\u00e9 \u00e0 idade avan\u00e7ada, sem sociedades protectoras dos homens, caminha-mos para a destrui\u00e7\u00e3o e ru\u00edna da esp\u00e9cie humana. Transformados em feras, com este devorador e insaci\u00e1vel apetite de matar, teremos de rasgar as Declara\u00e7\u00f5es universais e estabelecer universalmente a lei da selva humana, baseada na lei do mais forte.<\/p>\n<p>Assim ficar\u00e1 tudo bem justificado e o futuro n\u00e3o ir\u00e1 fazer cair sobre n\u00f3s qualquer acusa\u00e7\u00e3o por crimes cometidos contra a humanidade!\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}