{"id":8814,"date":"2007-02-01T16:09:00","date_gmt":"2007-02-01T16:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8814"},"modified":"2007-02-01T16:09:00","modified_gmt":"2007-02-01T16:09:00","slug":"grandes-aveirenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/grandes-aveirenses\/","title":{"rendered":"Grandes Aveirenses"},"content":{"rendered":"<p>Inspirado pelo programa televisivo dos \u201cGrandes Portugueses\u201d, o Correio do Vouga pediu a 10 figuras de relevo da actualidade que escolhessem cinco grandes aveirenses. Como crit\u00e9rios, o nosso jornal sugeriu que considerassem aveirenses, al\u00e9m dos naturais de Aveiro (mesmo que n\u00e3o tivessem desenvolvido a sua ac\u00e7\u00e3o na cidade), os que nasceram noutro local, mas que viveram na cidade da Ria a parte mais significativa das suas vidas, ou seja, os que Aveiro fez seus. Aqui ficam os eleitos. Na pr\u00f3xima semana, o Correio do Vouga apresentar\u00e1 dados biogr\u00e1ficos de algumas personalidades que neste n\u00famero s\u00e3o apenas nomeadas.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino,<\/p>\n<p>Bispo Em\u00e9rito de Aveiro escolheu: Santa Joana; D. Jo\u00e3o Evangelista; Pe. Arm\u00e9nio Costa; Dr. Fernando Moreira Lopes; Jos\u00e9 Ferreira Pinto Basto.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino justificou as suas escolhas:<\/p>\n<p>Princesa Santa Joana escolheu Aveiro e foi fiel \u00e0 sua escolha, defendeu e promoveu a cidade, deixou marcas de amor aos aveirenses e testemunhou o amor mais s\u00e9rio e profundo ao Deus e Senhor que determinou a sua vida de jovem princesa.<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista, aveirense de gema, impulsionador da restaura\u00e7\u00e3o da Diocese e seu zeloso primeiro bispo, escritor que como nenhum outro soube cantar Aveiro, a sua ria e a sua gente e entrar no cora\u00e7\u00e3o dos aveirenses de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Pe. Arm\u00e9nio Costa, padre, pedagogo, p\u00e1roco, professor e artista, que marcou gera\u00e7\u00f5es da cidade ou que por ela passaram.<\/p>\n<p>Dr. Fernando Moreira Lopes, m\u00e9dico pediatra, inovador que marcou a gente de Aveiro pela humanidade, doa\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia profissional.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ferreira Pinto Basto, fundador da Vista Alegre, um inovador no campo industrial, social e art\u00edstico, que se imp\u00f4s no pa\u00eds e no estrangeiro e fez da Vista Alegre a maior e mais reputada cer\u00e2mica do pa\u00eds, ombrando com as mais famosas do mundo, fazendo dela ainda uma escola de artistas que perdura e mant\u00e9m viva a arte e a qualidade cer\u00e2mica da regi\u00e3o de Aveiro.<\/p>\n<p>Ana Margarida Ferreira,<\/p>\n<p>Directora do Museu de Aveiro, escolheu: Santa Joana; Brites de Lara; Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; Jo\u00e3o Afonso e Zeca Afonso.<\/p>\n<p>Ana Margarida Ferreira destaca em primeiro lugar \u201cduas figuras femininas important\u00edssimas\u201d: Santa Joana, que chegou a ser regente do Reino, quando seu pai e o pr\u00edncipe herdeiro partiram para \u00c1frica, e Brites de Lara, \u201cfundadora do Convento das Carmelitas\u201d [sobre a qual o investigador Amaro Neves publicou recentemente uma obra]. A estas duas mulheres a directora do museu de Aveiro junta Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, \u201ctribuno incontorn\u00e1vel\u201d, Zeca Afonso, \u201cpersonalidade marcante no meio art\u00edstico, social e pol\u00edtico\u201d e o descobridor Jo\u00e3o Afonso de Aveiro.<\/p>\n<p>Gaspar Albino,<\/p>\n<p>Pintor, cronista escolheu: Santa Joana; Jos\u00e9 Manuel Mendes Leite; Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; D. Jo\u00e3o Evangelista e Francisco do Vale Guimar\u00e3es<\/p>\n<p>Gaspar Albino justificou cada uma das suas escolhas:<\/p>\n<p>Santa Joana Princesa  Nascida em Lisboa em 1542, filha de rei, abandonou os faustos da corte e, ao entrar a 4 de Agosto de 1472 no Mosteiro de Jesus, fez-se de Aveiro, \u201csua Lisboa a pequena\u201d. Faleceu com 38 anos de idade, em 1490, e na nossa terra e nos nossos cora\u00e7\u00f5es ficou para sempre. \u00c9 a protectora e padroeira da terra que me viu nascer. Sinto-a minha. Mas mais: sinto que ela tem sido, ao longo dos tempos, um dos cimentos mais agregantes da nossa comunidade. <\/p>\n<p>Manuel Jos\u00e9  Mendes Leite Nasceu em Aveiro em 1809. Licenciado em Direito, desde muito cedo se empenhou na defesa de ideais liberais, tendo, por for\u00e7a desse empenhamento, sofrido, por v\u00e1rias vezes, as agruras da pris\u00e3o. Com Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, fundou o jornal liberal \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Setembro\u201d, instrumento de luta pol\u00edtica ao servi\u00e7o da liberdade. Foi not\u00e1vel a  sua ac\u00e7\u00e3o parlamentar a favor da aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte para os \u201ccrimes pol\u00edticos\u201d, constituindo uma enorme vit\u00f3ria pol\u00edtica que se  repercutiu em toda a Europa culta do seu tempo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o Coelho de Magalh\u00e3es Nasceu tamb\u00e9m em Aveiro em 1809 e foi companheiro de Mendes Leite em muitas lutas por conta dos seus ideais liberais. Igualmente licenciado em Direito, foi professor universit\u00e1rio e parlamentar insigne, colocando todas as suas capacidades  na defesa dos desfavorecidos e dos perseguidos e lutando pelos interesses nacionais e regionais.  Aveiro ainda hoje sente as benesses resultantes da sua estr\u00e9nua ac\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica. <\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal Nasceu em Aveiro em 1874. Ordenado em 1896 veio a doutorar-se em Filosofia pela Universidade Gregoriana, Roma. Desde 1924 que se bateu pela restaura\u00e7\u00e3o da Diocese de Aveiro, o que veio a alcan\u00e7ar em 1938, tendo-lhe o papa Pio XI confiado os destinos da mesma. Tive o privil\u00e9gio de trabalhar com D. Jo\u00e3o no \u201cCorreio do Vouga\u201d, tendo sido por seu convite que prestei muita colabora\u00e7\u00e3o de design gr\u00e1fico. Duma bondade estrema, (lembremos, como exemplo, as Florinhas do Vouga), para mim, este homem nascido \u201cna proa de uma bateira\u201d foi, para al\u00e9m de um grande pastor de almas, um dos maiores cultores da l\u00edngua p\u00e1tria que o s\u00e9culo passado conheceu.<\/p>\n<p>Francisco do Vale Guimar\u00e3es Nasceu em Aveiro em 1913. Licenciado em Direito, por duas vezes foi Governador Civil de Aveiro, cargo que desempenhou de forma exemplar, mostrando-se sempre dispon\u00edvel para atender quem o procurava. Defensor dos interesses regionais, procurou sempre a unidade do Distrito de Aveiro. A palavra liberdade era uma constante nos seus discursos, sendo frequente a cita\u00e7\u00e3o de Joaquim Jos\u00e9 Queir\u00f3s, Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, Mendes Leite, Homem Cristo, entre outros, como exemplos que a Hist\u00f3ria de Aveiro nos foi dando. \u00c0 sua ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se deve, em grande medida, a funda\u00e7\u00e3o da Universidade de Aveiro. \u00c0 sua abertura pol\u00edtica se deve a possibilidade de em Aveiro se terem realizados os Congressos da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica. Aveiro deve-lhe um monumento condigno; e o seu nome dever\u00e1 estar em s\u00edtio que n\u00e3o seja um parque escondido de estacionamento autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Alberto Souto,<\/p>\n<p>Presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro de 1997 a 2001 e de 2001 a 2005 escolheu: Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; Homem Cristo; D. Jo\u00e3o Evangelista; Louren\u00e7o Peixinho e Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n<p>Alberto Souto escolheu apenas aveirenses nascidos em Aveiro, reconhecendo que, mesmo n\u00e3o incluindo Santa Joana, Aires Barbosa ou M\u00e1rio Sacramento, \u00e9, \u201cfelizmente, tarefa muito ingrata\u201d. Considerando \u201cum exerc\u00edcio com enormes potencialidades c\u00edvicas\u201d, o actual vice-presidente da Autoridade Nacional de Comunica\u00e7\u00f5es (ANACOM) elege:<\/p>\n<p>\u201cJos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, o maior parlamentar portugu\u00eas da monarquia. A ele se deve o facto de a linha de caminho de ferro passar em Aveiro.<\/p>\n<p>Homem Cristo, um paladino da interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica escrita, de pena rara, feroz e desmesurada, reconhecido em todo o Pa\u00eds. O seu jornal, \u201cO Povo de Aveiro\u201d, zurzia em todos e esgotava em Lisboa.<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, um grande bispo \u2013 como Aveiro se habituou a ter depois dele \u2013, que veio restaurar a Diocese e estimular a sua ac\u00e7\u00e3o social, fundador das Florinhas do Vouga.<\/p>\n<p>Louren\u00e7o Peixinho, um Presidente da C\u00e2mara com rasgo e vistas largas. Com Manuel Firmino e com ele, Aveiro deixou de ser uma vil\u00f3ria\u2026 A sua Avenida ainda hoje \u00e9 das mais bonitas do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Afonso, um dos s\u00edmbolos da liberdade, uma capacidade mel\u00f3dica \u00edmpar na m\u00fasica portuguesa\u201d.<\/p>\n<p>O anterior presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro n\u00e3o resistiu a \u201celencar mais cinco, suplentes de luxo\u201d:<\/p>\n<p>\u201cJos\u00e9 Luciano de Castro, Primeiro Ministro de Portugal, com a influ\u00eancia \u00f3bvia<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o de Magalh\u00e3es Lima, Gr\u00e3o Mestre da Ma\u00e7onaria, com a influ\u00eancia tamb\u00e9m \u00f3bvia;<\/p>\n<p>Mendes Leite, o deputado que prop\u00f4s e fez aprovar a aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte para os crimes pol\u00edticos, uma refer\u00eancia em todo o mundo;<\/p>\n<p>Vale Guimar\u00e3es, duas vezes Governador Civil sob o regime de Salazar e Marcelo Caetano, autorizou em Aveiro os Congressos da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica;<\/p>\n<p>Silva Rocha, o mais importante arquitecto aveirense, marcando Aveiro com express\u00f5es de Arte Nova tardia\u201d.<\/p>\n<p>Helena Nazar\u00e9,<\/p>\n<p>Reitora da Universidade de Aveiro<\/p>\n<p>Helena Nazar\u00e9 escolheu: Jo\u00e3o Jacinto de Magalh\u00e3es; Jo\u00e3o Afonso de Aveiro; Vale Guimar\u00e3es; Jos\u00e9 Afonso e Fernando Pessa<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Jacinto de Magalh\u00e3es, cientista que d\u00e1 nome \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da UA nasceu em Aveiro, em 1722, e morreu em Inglaterra, em 1790. Monge dos C\u00f3negos Regrantes de Santo Agostinho de Coimbra, em 1754 pediu ao Papa autoriza\u00e7\u00e3o para deixar o mosteiro, a fim de fazer uma \u201cviagem filos\u00f3fica\u201d pela Europa. Fixou-se em Inglaterra e correspondeu-se com cientistas de vulto como Alessandro Volta, Lavoisier, Benjamim Franklin e Euler. Tornou-se perito na fabrico de lentes, telesc\u00f3pios, rel\u00f3gios astron\u00f3micos e outros instrumentos cient\u00edficos, introduziu melhoramentos em bar\u00f3metros, term\u00f3metros e no sextante e chegou a ser nomeado \u201cinspector\u201d das agulhas de marear dos navios ingleses. Fabricou instrumentos para os governos portugu\u00eas, espanhol, franc\u00eas e prussiano. Muitos ainda existem nas bibliotecas e universidades europeias, como em Coimbra. Publicou diversos artigos sobre Astronomia, Medicina, F\u00edsica e Qu\u00edmica. A American Philosophical Society (na altura presidida pelo amigo Benjamim Franklin) atribui desde 1790 o \u201cMagellanic Premium\u201d (Pr\u00e9mio Magalh\u00e3es), criado por sugest\u00e3o deste cientista aveirense. J.P.F.<\/p>\n<p>Maria da Luz Nolasco,<\/p>\n<p>Directora-Geral do Teatro Aveirense, escolheu: Eng. Lu\u00eds Gomes de Carvalho; Lauro da Silva Corado; Cec\u00edlia Sacramento; D. Pedro e Eng. Gon\u00e7alves Lavrador<\/p>\n<p>Maria da Luz Nolasco justifica as suas escolhas: <\/p>\n<p>O Engenheiro Militar Lu\u00eds Gomes de Carvalho, director da obra da Barra de Aveiro, foi o grande mentor dos trabalhos de edifica\u00e7\u00e3o e de abertura da barra nova de Aveiro. Este projecto foi conclu\u00eddo com \u00eaxito em 1808, tendo sido anunciado publicamente a 3 de Abril desse mesmo ano. Este facto deve ser referido como de excepcional import\u00e2ncia pois permitiu \u00e0 cidade que se reestruturasse ao n\u00edvel do seu territ\u00f3rio, criando uma estabilidade ambiental b\u00e1sica para o seu crescimento demogr\u00e1fico e conferindo-lhe uma qualidade de vida urbana, at\u00e9 \u00e0 altura inexistente. A urbe passou a controlar o problema das cheias e das inunda\u00e7\u00f5es no centro urbano, bem como dos problemas inerentes \u00e0 salubridade das habita\u00e7\u00f5es. Em simult\u00e2neo, a abertura da nova barra de Aveiro contribuiu para o desenvolvimento econ\u00f3mico deste concelho e de toda a regi\u00e3o circundante.<\/p>\n<p>Lauro da Silva Corado nasceu em Aveiro, na freguesia da Gl\u00f3ria, a 10 de Janeiro de 1908. Distinguiu-se como Pintor, ou seja, como talentoso artista visual, de tend\u00eancia tardo naturalista e ex\u00edmio retratista. Pintor figurativo, tem registos pict\u00f3ricos de grande escala ao n\u00edvel da representa\u00e7\u00e3o da paisagem e dos ambientes campestres. As naturezas mortas s\u00e3o um tema recorrente deste pintor com destaque para a representa\u00e7\u00e3o de elementos vegetalistas. Foi professor de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, cidade onde viria a falecer em 1977. <\/p>\n<p>Cec\u00edlia Marques Maia Sacramento nasceu em Ovar em 1918. Licenciou-se em filologia Rom\u00e2nica e foi professora do ensino secund\u00e1rio em Aveiro, na Escola que mais tarde viria a receber como denomina\u00e7\u00e3o o nome do seu marido \u2013 Escola Secund\u00e1ria Dr. M\u00e1rio Sacramento. Destacamos no seu percurso criativo o talento para a  escrita, quer em prosa quer em verso. Deixou uma obra grande e de destacado relevo liter\u00e1rio. <\/p>\n<p>Infante D. Pedro, constitu\u00eddo como senhor das terras de Aveiro e filho do Rei D. Jo\u00e3o I, impulsionou o crescimento desta Vila, em in\u00edcios do s\u00e9culo XV; contribuiu para o ordenamento deste territ\u00f3rio, mandando edificar as muralhas da vila no ano de 1418 com t\u00e9rminos em 1423 (Gaspar, 1983); mandou instituir o Convento de Santa Maria da Miseric\u00f3rdia, de frades dominicanos, erigido junto a uma das portas da muralha situada no cimo da rua da Corredoura &#8211; a Porta do Sol &#8211; hoje denominada Rua Batalh\u00e3o Ca\u00e7adores 10. Faleceu em 20 de Maio de 1449, na batalha da Alfarrobeira. O Infante D. Pedro d\u00e1 hoje nome ao Parque Municipal e ao Hospital da cidade, que desta forma lhe presta homenagem.<\/p>\n<p>Eng. F. Gon\u00e7alves Lavrador Nasceu a 13 de Mar\u00e7o de 1928, no Porto (freguesia de Paranhos), e licenciou-se em engenharia electrot\u00e9cnica. Desde cedo se interessou por tudo o que se relacionasse com a cultura e com a arte. Fundou o Clube Portugu\u00eas de Cinematografia, mais tarde tamb\u00e9m designado por Cineclube do Porto e colaborou com o Cineclube de Aveiro, sendo ainda um dos fundadores e dos dirigentes da Cooperativa de Cinema \u201cGrande Plano\u201d, de Aveiro, infelizmente j\u00e1 extinta. Destacou-se como ensa\u00edsta no campo da semi\u00f3tica e da filmologia, como engenheiro electrot\u00e9cnico, de telecomunica\u00e7\u00f5es, de teletr\u00e1fego e de telefiabilidade. Morreu a 20 de Agosto do ano de 2005, na cidade onde nasceu.<\/p>\n<p>Filipe Neto Brand\u00e3o,<\/p>\n<p>Governador Civil de Aveiro, escolheu: Jo\u00e3o Afonso de Aveiro; Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; Manuel Jos\u00e9 Mendes Leite; Francisco Manuel Gravito da Veiga e Lima e Louren\u00e7o Sim\u00f5es Peixinho.<\/p>\n<p>Filipe Neto Brand\u00e3o considera que a \u201cempreitada\u201d de escolher \u201c5 Grandes Aveirenses\u201d, \u201cnuma terra como Aveiro, que percorre j\u00e1 o trajecto para o seu II milen\u00e1rio\u201d, \u201cn\u00e3o pode nunca ter a pretens\u00e3o de fazer justi\u00e7a integrando nela todos quantos seriam merecedores de a\u00ed figurar\u201d. No entanto, porque aceitou o repto, escolheu cinco, entre tantos outros, \u201cque souberam ser maiores do que o seu tempo\u201d:<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Afonso de Aveiro<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o Coelho de Magalh\u00e3es<\/p>\n<p>Manuel Jos\u00e9 Mendes Leite<\/p>\n<p>Francisco Manuel Gravito da Veiga e Lima<\/p>\n<p>Louren\u00e7o Sim\u00f5es Peixinho<\/p>\n<p>\u201cJustificar, por\u00e9m, cada um destes nomes apenas \u201cnuma frase\u201d, como me vinha igualmente pedido, \u00e9 tarefa que, por a nenhum fazer justi\u00e7a, j\u00e1 n\u00e3o ensaiarei\u2026 Mas fica a certeza que foi Aveiro que se agigantou em cada um\u201d, escreveu o Governador Civil em resposta ao nosso jornal.<\/p>\n<p>\u00c9lio Maia,<\/p>\n<p>Presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, esolheu: Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; Eng. Oudinot; Gustavo Ferreira Pinto Basto; D. Jo\u00e3o Evangelista; e todos os que lutaram pela Liberdade em 1828.<\/p>\n<p>\u00c9lio Maia mostrou-se agradado com esta iniciativa de \u201cvalorizar os que se destacaram, pelas suas obras ou pelos seus ideais\u201d, e sugeriu os seguintes nomes, \u201cembora muitos outros ficassem por destacar\u201d:<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, pelo Parlamentar e defensor de causas que era;<\/p>\n<p>Eng. Oudinot, por ter dirigido uma das obras mais importantes, sen\u00e3o a mais importante de sempre para Aveiro [a regula\u00e7\u00e3o do canal de liga\u00e7\u00e3o da Ria ao Mar];<\/p>\n<p>Eng. Gustavo Ferreira Pinto Basto [presidente da CMA], pelo esp\u00edrito empreendedor e pelo engenho com que marcou Aveiro;<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, um homem de verbo, ac\u00e7\u00e3o e cren\u00e7a na f\u00e9;<\/p>\n<p>Todos os que lutaram pela Liberdade em 1828.  Morreram na luta pelos seus ideais, o m\u00e1ximo que o Homem pode fazer.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m destes, o presidente da C\u00e2mara Municipal gostaria de sugerir: M\u00e1rio Duarte, pelo trabalho e pelo prest\u00edgio atingido no desporto; Jo\u00e3o Afonso de Aveiro, pelo desafio, abnega\u00e7\u00e3o e pela coragem de ir mais al\u00e9m; e v\u00e1rios presidentes de C\u00e2mara\u201d. \u201cA lista seria extensa!\u201d, acrescenta \u00c9lio Maia.<\/p>\n<p>Fernando Martins,<\/p>\n<p>Anterior director do Correio do Vouga, escolheu: D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal; Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; Homem Cristo; Jaime de Magalh\u00e3es Lima e Ant\u00f3nia Rodrigues<\/p>\n<p>D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, primeiro bispo da restaurada Diocese de Aveiro, depois de muitos anos ao servi\u00e7o da Igreja e do Pa\u00eds. Foi, para mim e para muitos, de uma import\u00e2ncia crucial na restaura\u00e7\u00e3o da Igreja Aveirense. Como Bispo da Diocese de Aveiro, soube abrir caminhos para uma sociedade mais crist\u00e3 e, por isso mesmo, mais fraterna. Mostrando grande amor \u00e0 Igreja e aos aveirenses, soube intervir na sociedade, com oportunidade e poesia, falando e escrevendo com rara sensibilidade sobre as nossas gentes e coisas.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o. Grande orador parlamentar, foi, sem d\u00favida, pela sua interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica, um arauto dos interesses de Aveiro e sua regi\u00e3o. Pelo dinamismo que sempre p\u00f4s em tudo o que fez, pela vis\u00e3o com que levou o Estado a abrir caminhos de progresso entre n\u00f3s, pelo exemplo de envolvimento na coisa p\u00fablica, ainda hoje a sua coragem e a sua ac\u00e7\u00e3o s\u00e3o recordadas em Aveiro.<\/p>\n<p>Homem Cristo. Jornalista e pedagogo, pol\u00edtico e cidad\u00e3o, representou, pela sua tenacidade e esp\u00edrito aguerrido, coragem e exemplo, todo o Povo de Aveiro. Lutando incansavelmente pela liberdade, pela justi\u00e7a, pela educa\u00e7\u00e3o e pela verdade, deixou-nos um \u00f3ptimo testemunho de vida. Defensor de causas, batia-se com coragem em sua defesa, quando sentia que eram importantes para as pessoas e institui\u00e7\u00f5es, mesmo que directamente n\u00e3o lhe dissessem respeito. <\/p>\n<p>Jaime de Magalh\u00e3es Lima. Escritor e pensador, pol\u00edtico e conferencista, agricultor e ecologista, contemplativo e homem bom, foi e \u00e9, tanto quanto posso perceber, uma das figuras mais vener\u00e1veis de Aveiro. Amante da natureza, crente fervoroso e cultor do esp\u00edrito franciscano, foi amigo e confidente de figuras gradas do seu tempo. Homem de cultura universal, multifacetado na vida e na arte de escrever, defendeu as suas ideias em in\u00fameros livros, revistas, jornais e confer\u00eancias.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nia Rodrigues  Hero\u00edna de Mazag\u00e3o, foi uma mulher aventureira, encarnando, de maneira original, o esp\u00edrito determinado da alma aveirense. Disfar\u00e7ando-se de grumete, combateu com tal tenacidade, em Mazag\u00e3o, ao ponto de ser considerada(o) o \u201cterror dos mouros\u201d. A sua coragem foi reconhecida por Filipe II e o seu exemplo foi cantado por escritores e artistas.<\/p>\n<p>Mons. Jo\u00e3o Gaspar,<\/p>\n<p>Vig\u00e1rio Geral da Diocese de Aveiro, historiador, escolheu: Santa Joana; Brites de Lara; Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; Jaime Magalh\u00e3es Lima e Manuel Jos\u00e9 Mendes Leite<\/p>\n<p>Mons. Jo\u00e3o Gaspar, com v\u00e1rias obras escritas sobre Aveiro e os aveirenses, elege em primeiro lugar Santa Joana Princesa. A filha de Afonso V \u201cmarcou muito a cidade\u201d e contribuiu decisivamente que este pequeno lugar deixasse de ser a pequena vila desprez\u00edvel e insalubre que era\u201d, refere o vig\u00e1rio geral da diocese de Aveiro. <\/p>\n<p>Brites de Lara, \u201cgrande benfeitora do s\u00e9c. XVIII\u201d, que deixou em testamento, \u00e0s carmelitas, o pal\u00e1cio que viria a ser o convento, \u00e9 a outra figura feminina eleita. O seu t\u00famulo est\u00e1 na Igreja do Carmo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, Manuel Jos\u00e9  Mendes Leite e Jaime de Magalh\u00e3es Lima completam o lote dos escolhidos de Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar. Este membro da Academia Portuguesa de Hist\u00f3ria recorda com particular afecto a morte e o funeral de Jaime Magalh\u00e3es de Lima, como ele, natural Eixo. Jo\u00e3o Gaspar tinha seis anos e foi ao funeral. Magalh\u00e3es de Lima morreu no dia de Carnaval e foi sepultado na Quarta-Feira de Cinzas, o que correspondeu ao seu \u201cmodo de pensar t\u00e3o franciscano\u201d.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rios dos Leitores<\/p>\n<p>Quer comentar as escolhas ou sugerir nomes que no seu entender deviam fazer parte desta lista? Pode escrever para cv@mail.cv.pt ou para Correio do Vouga, Rua Batalh\u00e3o Ca\u00e7adores Dez, 81, 3810 \u2013 064 Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inspirado pelo programa televisivo dos \u201cGrandes Portugueses\u201d, o Correio do Vouga pediu a 10 figuras de relevo da actualidade que escolhessem cinco grandes aveirenses. 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