{"id":8836,"date":"2007-02-01T16:49:00","date_gmt":"2007-02-01T16:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8836"},"modified":"2007-02-01T16:49:00","modified_gmt":"2007-02-01T16:49:00","slug":"proteccao-de-criancas-absurdos-inevitaveis-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/proteccao-de-criancas-absurdos-inevitaveis-3\/","title":{"rendered":"&#8220;Protec\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as&#8221; &#8211; absurdos inevit\u00e1veis? (3)"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Nos artigos anteriores, foram enunciados cinco absurdos institucionais que v\u00eam caracterizando e limitando a protec\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as maltratadas: o distanciamento do sistema de protec\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es concretas; a tecnolatria; a \u201cjusticite\u201d; a especula\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica; e a insufici\u00eancia das respostas sociais. Ocorre agora perguntar se estes absurdos s\u00e3o realmente inevit\u00e1veis ou se podem ser atenuados e, porventura, erradicados.<\/p>\n<p>Os dados dispon\u00edveis nesta data for\u00e7am-nos a reconhecer que os referidos absurdos s\u00e3o efectivamente inevit\u00e1veis e ser\u00e3o por certo duradoiros, embora possam ser atenuados. A multiplicidade de causas explicativas desta resposta sintetiza-se no narcisismo mistificador. Este narcisismo revela-se no \u201cfechamento\u201d em que vivem os pol\u00edticos, os t\u00e9cnicos, v\u00e1rias outras entidades e as opini\u00f5es p\u00fablicas dominantes. Todos se encontram fechados nas suas teorias, nos seus interesses, nas suas exig\u00eancias\u2026<\/p>\n<p>Este narcisismo \u00e9 mistificador, porque invoca a defesa das crian\u00e7as para se justificar a si pr\u00f3prio. No fundo, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o das crian\u00e7as e, embora talvez n\u00e3o as instrumentalize, distancia-se delas, metendo de permeio as referidas teorias, interesses e exig\u00eancias. Na melhor das hip\u00f3teses, est\u00e1 ao servi\u00e7o da crian\u00e7a abstracta, forjada nas teorias, e n\u00e3o ao servi\u00e7o de cada crian\u00e7a na sua identidade e situa\u00e7\u00e3o. Sobretudo, n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o das in\u00fameras crian\u00e7as n\u00e3o inclu\u00eddas nos programas e or\u00e7amentos. No seu pretensiosismo sobranceiro, n\u00e3o admite a hip\u00f3tese de medidas provis\u00f3rias, menos perfeitas, e at\u00e9 menospreza quem actua nesse plano.<\/p>\n<p>N\u00e3o se conhece uma \u00fanica for\u00e7a politica (governante ou n\u00e3o) nem outras entidades que sejam defensoras ou promotoras coerentes de respostas sociais destinadas a todas as crian\u00e7as maltratadas. As propostas que julgam aproximar-se disso configuram-se t\u00e3o perfeccionistas que s\u00f3 seriam vi\u00e1veis na hip\u00f3tese de os meios financeiros serem ilimitados. Mesmo assim, nada garante que os objectivos desej\u00e1veis fossem alcan-\u00e7ados.<\/p>\n<p>Apesar de t\u00e3o graves constrangimentos, justifica-se ponderar algumas pequenas medidas que poderiam contribuir para os atenuar. Eis algumas: (a) \u2013 a exist\u00eancia de grupos de volunt\u00e1rios em todas as localidades; tais grupos podem fazer a sinaliza\u00e7\u00e3o de cada caso, prestar a ajuda poss\u00edvel, promover a media\u00e7\u00e3o junto de entidades competentes; e assegurar o acompanhamento at\u00e9 \u00e0 solu\u00e7\u00e3o; (b) \u2013 exist\u00eancia de uma autoridade local para garantia de solu\u00e7\u00f5es imediatas, embora provis\u00f3rias, quando necess\u00e1rias; (c) \u2013 coopera\u00e7\u00e3o estreita entre os ju\u00edzes e as comiss\u00f5es de protec\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens; (d) \u2013 articula\u00e7\u00e3o regular permanente entre todas as entidades envolvidas; particularmente entre grupos de volunt\u00e1rios, servi\u00e7os sociais, de sa\u00fade e outros, autarquias locais, comiss\u00f5es de protec\u00e7\u00e3o, ju\u00edzes\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}