{"id":8838,"date":"2007-02-01T16:50:00","date_gmt":"2007-02-01T16:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8838"},"modified":"2007-02-01T16:50:00","modified_gmt":"2007-02-01T16:50:00","slug":"ao-arrepio-do-amor-e-da-vida-para-onde-caminha-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ao-arrepio-do-amor-e-da-vida-para-onde-caminha-o-pais\/","title":{"rendered":"Ao arrepio do amor e da vida, para onde caminha o pa\u00eds?"},"content":{"rendered":"<p>Sem ser profeta da desgra\u00e7a, nunca foi esse o meu jeito, estou convicto de que, ou se muda de rumo ou nos espera uma sociedade sempre mais desumanizada. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode viver sem amor. Por\u00e9m, o amor que \u00e9 fonte de vida, de doa\u00e7\u00e3o generosa, de respeito m\u00fatuo, de servi\u00e7o aos outros, de partilha de dons, de conviv\u00eancia sadia, de compromissos permanentes, de gratuidade nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, de espa\u00e7o de voluntariado social, de est\u00edmulo a ir sempre mais longe no bem, vai-se tornando coisa rara. Quem teima em andar por esse caminho \u00e9, frequentemente, ridicularizado.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 o mais essencial dos dons recebidos. Por\u00e9m, ela hoje troca-se e despreza-se por caprichos pessoais, afirma\u00e7\u00f5es discut\u00edveis e aberrantes de liberdade, fuga \u00e0 justa humilha\u00e7\u00e3o por actos cometidos, raz\u00f5es sem raz\u00e3o, confus\u00f5es premeditadas, interesses inconfess\u00e1veis, vingan\u00e7as inconsistentes, promessas eleitorais\u2026 Muitos dos que lutam pela vida gerada, sua educa\u00e7\u00e3o, reconhecida nos seus direitos e enriquecida na sua aceita\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia, s\u00e3o agora apelidados de gente menor, escrava do religioso, enfeudada a institui\u00e7\u00f5es de somenos e alheia ao sentir do mundo moderno. <\/p>\n<p>O exemplo estimulante de outros pa\u00edses, por a\u00ed propalado, \u00e9 aqui aceite de modo acr\u00edtico. A\u00ed se v\u00ea, tamb\u00e9m eles em crise, que n\u00e3o basta o n\u00edvel de bem-estar material, para que haja felicidade, riqueza de sentido, conviv\u00eancia sadia e liberdade construtiva.<\/p>\n<p>Amor \u00e9 mais que emo\u00e7\u00e3o. As emo\u00e7\u00f5es abundam consoante os incentivos e d\u00e3o, facilmente, em desamor e at\u00e9 em \u00f3dio. Amor \u00e9 a riqueza de um cora\u00e7\u00e3o lavado e sereno. N\u00e3o se dispensa quando se gera vida; ela se educa, se acolhe, se respeita e estimula. <\/p>\n<p>Quem trata com pessoas e no interesse delas, como pais, educadores ou professores, fazedores de leis, executores e ju\u00edzes das infrac\u00e7\u00f5es, jornalistas dos jornais e revistas, gente das televis\u00f5es, r\u00e1dios e espect\u00e1culos, industriais e comerciantes, a todos se pede cora\u00e7\u00e3o, para saberem o que ajuda as pessoas a serem pessoas e agirem como tal. De contr\u00e1rio, n\u00e3o resta sen\u00e3o o horizonte curto, por vezes rasteiro, dos interesses pessoais e dos de grupos e fac\u00e7\u00f5es. Sem amor que \u00e9 vida, os pais viram ego\u00edstas, os educadores em meros funcion\u00e1rios, os agentes p\u00fablicos em servidores de si ou do seu partido, a gente da comunica\u00e7\u00e3o social em escrava das audi\u00eancias e a gente dos neg\u00f3cios fixa-se no lucro desejado, sem olhar a meios para o conseguir. Vamos ficando indefesos na sociedade, se nela rarearem pessoas com valores morais e \u00e9ticos, princ\u00edpios orientadores s\u00e3os, sentido dos outros, capacidade de amar e de acolher a vida como valor sagrado <\/p>\n<p>Como se chegou ao desprezo pela vida j\u00e1 gerada, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que por a\u00ed se estende, \u00e0 invers\u00e3o do sentido da liberdade pessoal e p\u00fablica, \u00e0 rampa legal de destrui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias est\u00e1veis, ao aumento incontrolado da pobreza material e moral, \u00e0s m\u00faltiplas formas de exclus\u00e3o social, \u00e0 multid\u00e3o de filhos sem pais e de pais que se negam \u00e0 responsabilidade de os ter gerado, \u00e0 inseguran\u00e7a corrente e \u00e0 desconfian\u00e7a nunca vista?<\/p>\n<p>Onde fenece o amor, empobrece a sociedade, a vida perde lugar, torna-se mais dif\u00edcil, por vezes insuport\u00e1vel. Os fautores de uma sociedade a seu modo rejeitam nela toda a influ\u00eancia do religioso e do sagrado, sem advertirem que, pelo caminho de um laicismo, cego e ser\u00f4dio, secam as ra\u00edzes fecundas do humano que somos. A f\u00e9 d\u00e1 sempre sentido e seguran\u00e7a \u00e0 vida, e capacidade inesgot\u00e1vel de um voluntariado social gratuito.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente lan\u00e7ar pedradas neste charco, inquinado e p\u00fatrido, em que se vai tornando o pa\u00eds. De outro modo, ele o estar\u00e1 sempre mais. O meu \u201cn\u00e3o\u201d consciente, como cidad\u00e3o respons\u00e1vel, \u00e0 proposta do aborto, \u00e9 o modo que tenho agora e n\u00e3o vou desperdi\u00e7ar, de denunciar o rumo que o pa\u00eds leva, e de continuar a clamar, enquanto a voz me dure, que, ao arrepio do amor e da vida, que a f\u00e9 no Deus do Amor, Senhor da vida, alimenta e defende, s\u00f3 nos resta uma sociedade anestesiada, a caminhar para uma nova barb\u00e1rie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem ser profeta da desgra\u00e7a, nunca foi esse o meu jeito, estou convicto de que, ou se muda de rumo ou nos espera uma sociedade sempre mais desumanizada. Ningu\u00e9m pode viver sem amor. 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