{"id":8874,"date":"2007-02-08T15:59:00","date_gmt":"2007-02-08T15:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8874"},"modified":"2007-02-08T15:59:00","modified_gmt":"2007-02-08T15:59:00","slug":"grandes-aveirenses-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/grandes-aveirenses-2\/","title":{"rendered":"Grandes Aveirenses"},"content":{"rendered":"<p>Na semana passada, o Correio do Vouga divulgou uma lista de \u201cgrandes Aveirenses\u201d, eleitos por figuras de destaque da regi\u00e3o, na actualidade. Esta semana, apresentam-se notas biogr\u00e1ficas de alguns \u201cgrandes aveirenses\u201d que anteriormente foram apenas nomeados.<\/p>\n<p>OS ESCOLHIDOS<\/p>\n<p>Os grandes aveirenses escolhidos foram os seguintes: Ant\u00f3nia Rodrigues; Pe. Arm\u00e9nio Costa; Cec\u00edlia Marques Maia Sacramento; Eng. F. Gon\u00e7alves Lavrador; Dr. Fernando Moreira Lopes; Fernando Pessa; Francisco do Vale Guimar\u00e3es; Francisco Manuel Gravito da Veiga e Lima e os M\u00e1rtires da Liberdade; Gustavo Ferreira Pinto Basto; Homem Cristo; Infante D. Pedro; Jaime de Magalh\u00e3es Lima; Princesa Santa Joana; Jo\u00e3o Afonso de Aveiro; D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal; Jo\u00e3o Jacinto de Magalh\u00e3es; Jos\u00e9 Afonso; Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o Coelho de Magalh\u00e3es; Jos\u00e9 Ferreira Pinto Basto; Manuel Jos\u00e9 Mendes Leite; Lauro da Silva Corado; Louren\u00e7o Sim\u00f5es Peixinho; Eng. Lu\u00eds Gomes de Carvalho; e Eng. Oudinot.<\/p>\n<p>Os mais \u201cvotados\u201d, por ordem de prefer\u00eancias, foram: Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o; D. Jo\u00e3o Evangelista; Santa Joana; Mendes Leite; Jos\u00e9 Afonso; e Jo\u00e3o Afonso.<\/p>\n<p>COMENT\u00c1RIOS DOS LEITORES<\/p>\n<p>Quer comentar as escolhas ou sugerir nomes que no seu entender deviam fazer parte desta lista? Pode escrever para cv@cv.mail.pt ou para Correio do Vouga, Rua Batalh\u00e3o Ca\u00e7adores Dez, 81, 3810 \u2013 064 Aveiro<\/p>\n<p>Brites de Lara e Meneses  (1560-1648)<\/p>\n<p>Jovem vi\u00fava, Brites (ou Beatriz) de Lara recolheu-se em Aveiro, no in\u00edcio do s\u00e9c. XVII, ap\u00f3s a morte do seu marido, Pedro de M\u00e9dicis (filho do Gr\u00e3o Duque da Toscana, It\u00e1lia), militar ao servi\u00e7o de Espanha. Brites de Lara era filha do primeiro duque de Vila Real.<\/p>\n<p>Em Aveiro, enquanto vive no Convento de Jesus, manda construir um palacete para si, com inten\u00e7\u00e3o de posteriormente o doar \u00e0s carmelitas. O palacete fica terminado em 1616, mas os primeiros a habit\u00e1-lo s\u00e3o os carmelitas descal\u00e7os, que entretanto se fixam na cidade. Em 1620 os carmelitas mudam-se para S\u00e1 e Brites Lara ocupa a sua casa. Ao longo do resto da vida, sem sucesso, tentar\u00e1 transformar o edif\u00edcio em convento feminino de carmelitas. Brites de Lara morre em 1648. S\u00f3 em 1657 o edif\u00edcio da actual Pra\u00e7a Marqu\u00eas de Pombal \u00e9 transformado de facto em convento feminino.<\/p>\n<p>O t\u00famulo de Brites Lara est\u00e1 na Igreja do Carmo, visto que tamb\u00e9m foi benfeitora desta igreja e do convento associado. Dizem as cr\u00f3nicas que em 1897, durante obras de restaura\u00e7\u00e3o da Igreja do Carmo, o t\u00famulo foi aberto e o corpo da benfeitora, envolvido em cal petrificada, estava intacto.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Afonso de Aveiro  (s\u00e9c. XV)<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo quando nasceu ou morreu Jo\u00e3o Afonso de Aveiro, mas sabe-se que em 1484 descobriu a \u201cterra do Benim, al\u00e9m da Mina, nos rios dos Escravos\u201d, no Golfo da Guin\u00e9 (costa ocidental africana), e que foi o primeiro a trazer para Portugal \u201cpimenta da Guin\u00e9\u201d. Dele diria o cronista Jo\u00e3o de Barros que, enquanto navegador de D. Jo\u00e3o II (irm\u00e3o de Santa Joana), teve ac\u00e7\u00e3o decisiva na descoberta do caminho mar\u00edtimo para a \u00cdndia, como se pode ler, ali\u00e1s, no pedestal da est\u00e1tua de Euclides Vaz, no Rossio de Aveiro. Julga-se que Jo\u00e3o Afonso de Aveiro morreu no Benim.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos confundir este navegador com o poeta hom\u00f3nimo. De facto, existiu um outro Jo\u00e3o Afonso de Aveiro, no s\u00e9c. XV, que tem poemas recolhidos no \u201cCancioneiro Geral\u201d de Garcia de Resende. O poeta Jo\u00e3o Afonso escreveu tamb\u00e9m um vatic\u00ednio da \u201cperdi\u00e7\u00e3o de Castela\u201d.<\/p>\n<p>Francisco Manuel Gravito da Veiga e Lima (1776-1829) e os \u201cM\u00e1rtires da Liberdade\u201d<\/p>\n<p>Nas lutas do s\u00e9c. XIX, entre liberais e absolutistas, distinguiram-se o desembargador Francisco Manuel Gravito da Veiga e Lima (que morava na Casa dos Morgados da Pedricosa) e outros aveirenses, a quem foi atribu\u00eddo o ep\u00edteto de \u201cM\u00e1rtires da Liberdade\u201d. Eram adeptos de D. Pedro e da Carta Constitucional e revoltaram-se contra D. Miguel, que pretendia o regresso ao regime absolutista (mas que acabaria por ser derrotado). Os \u201caveirenses\u201d Francisco Manuel Gravito da Veiga e Lima (nascido em Lisboa), Francisco Silv\u00e9rio de Carvalho Magalh\u00e3es Serr\u00e3o, Manuel Lu\u00eds Nogueira e Clemente da Silva Melo Soares de Freitas, implicados na revolu\u00e7\u00e3o de 1828 (com o Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores Dez), foram condenados \u00e0 morte, no dia 9 de Abril de 1829, e enforcados e a seguir decapitados, no dia 7 de Maio, no Porto. Nos dias seguintes, a cabe\u00e7a de Francisco Gravito foi exposta em frente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, a de Francisco Silv\u00e9rio \u00e0 entrada do Rossio e a de Manuel Nogueira em frente ao Convento do Carmo (a de Clemente Soares de Freitas foi levada para Vila da Feira). Nos meses seguintes, outros aveirenses foram condenados, \u00e0 forca ou ao degredo, por lutarem pela liberdade preconizada pela Carta Constitucional. Ficariam na hist\u00f3ria como \u201cM\u00e1rtires da Liberdade\u201d. (Fonte: Aveiro, Notas hist\u00f3ricas, de Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 (Zeca) Afonso (1926-1987)<\/p>\n<p>O autor de \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena\u201d nasceu e viveu em Aveiro, at\u00e9 aos tr\u00eas anos de idade, com os tios, numa casa situada no largo das Cinco Bicas. Sucessivamente passou por Angola (onde estavam os pais), Mo\u00e7ambique, Belmonte (onde o tio era presidente da C\u00e2mara), Coimbra (onde estuda e inicia a carreira musical), Alcoba\u00e7a, novamente Mo\u00e7ambique (professor de liceu) e Set\u00fabal, onde se fixa. S\u00edmbolo da resist\u00eancia democr\u00e1tica \u00e0 ditadura, com forte consci\u00eancia anticolonial, canta no III Congresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (Aveiro, 1973). <\/p>\n<p>Apoiou como candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica Otelo Saraiva de Carvalho (1976) e Lurdes Pintasilgo (1986). N\u00e3o aceitou a Ordem da Liberdade em 1983, quando j\u00e1 se encontrava doente (seria v\u00edtima de esclerose lateral miotr\u00f3fica).<\/p>\n<p>Deixou gravados v\u00e1rios discos de originais que s\u00e3o aut\u00eanticas obras-primas. Recordamos os principais: \u201cBaladas e Can\u00e7\u00f5es\u201d, \u201cCantares de Andarilho\u201d, \u201cCantigas de Maio\u201d, \u201cEu vou ser como a toupeira\u201d, \u201cVenham Mais cinco\u201d, \u201cCoro dos tribunais\u201d e \u201cGalinhas do Mato\u201d. \u00c9 o grande trovador portugu\u00eas do s\u00e9culo XX. A cidade de Aveiro s\u00f3 muito recentemente fez alguma justi\u00e7a a este aveirense, atribuindo o seu nome a uma rua.<\/p>\n<p>Fernando Pessa  (1902-2002)<\/p>\n<p>Nascido na freguesia da Vera Cruz, Fernando Pessa apresentava-se como \u201ccagar\u00e9u\u201d, apesar de ter vivido apenas at\u00e9 os dois anos em Aveiro. Cresceu em Penela, perto de Coimbra. Depois de trabalhar nos seguros e num banco, entrou para a Emissora Nacional, em Lisboa. Da\u00ed passou para a BBC, em Londres. Pela sua voz chegavam as not\u00edcias da II Guerra Mundial, numa altura em que Salazar restringia as liberdades civis. De regresso a Portugal, Fernando Pessa n\u00e3o conseguiu entrar na r\u00e1dio, por causa do regime, mas participa na primeira emiss\u00e3o da RTP, em 1957, emitida da Feira Popular de Lisboa. Como jornalista televisivo, tornou famosa a express\u00e3o \u201cE esta, hein?\u201d, com que terminava as pe\u00e7as que denunciavam aspectos caricatos ou desagrad\u00e1veis da vida do pa\u00eds. Fernando Pessa foi o decano dos jornalistas a n\u00edvel mundial. Morreu no dia 29 de Abril de 2002, com 100 anos e 14 dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada, o Correio do Vouga divulgou uma lista de \u201cgrandes Aveirenses\u201d, eleitos por figuras de destaque da regi\u00e3o, na actualidade. Esta semana, apresentam-se notas biogr\u00e1ficas de alguns \u201cgrandes aveirenses\u201d que anteriormente foram apenas nomeados. OS ESCOLHIDOS Os grandes aveirenses escolhidos foram os seguintes: Ant\u00f3nia Rodrigues; Pe. 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