{"id":8888,"date":"2007-02-08T16:30:00","date_gmt":"2007-02-08T16:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8888"},"modified":"2007-02-08T16:30:00","modified_gmt":"2007-02-08T16:30:00","slug":"jesus-cristo-e-zefirelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/jesus-cristo-e-zefirelli\/","title":{"rendered":"Jesus Cristo e Zefirelli"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o <!--more--> Ter\u00e3o perguntado ao cineasta Zefirelli onde foi ele buscar o segredo do seu jeito de falar da vida, em filmes mais ou menos not\u00e1veis. \u00c0 laia de resposta, ele teria contado: era mais um filho que s\u00f3 vinha atrapalhar a vida na fam\u00edlia, ao que parece numerosa e sem condi\u00e7\u00f5es adequadas. Nada mais natural que se aplicasse o grau m\u00e1ximo de correc\u00e7\u00e3o para um falhado planeamento familiar. Toda a gente estaria de acordo, especialmente o pai. Mas a m\u00e3e de Zefirelli apostou nos riscos de mais uma aventura, e a\u00ed come\u00e7aram muitas produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de qualidade.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: a vida \u2013 e especialmente a vida humana \u2013 \u00e9 uma energia que nos ultrapassa, mas que n\u00f3s, com todas as potencialidades de que dispomos e que vamos aperfei\u00e7oando, temos a obriga\u00e7\u00e3o de gerir, com o objectivo de sempre maior \u00abqualidade de vida\u00bb. Se eliminamos um projecto de vida, e mesmo se eliminamos uma vida j\u00e1 \u00aba funcionar\u00bb com ou sem projecto, cumpre-nos a n\u00f3s \u00abadultos\u00bb reflectir sem medo e sem preconceitos sobre o que deve ser para n\u00f3s a guerra da vida, em que h\u00e1 mortes a chorar. Se a nossa raz\u00e3o, livre de press\u00f5es externas, nos leva a pensar como mais plaus\u00edvel uma estrat\u00e9gia apenas de \u00abmenos morte\u00bb, ter\u00e1 que ser em nome da VIDA PARA TODA A HUMANIDADE e n\u00e3o por ego\u00edsmo ou para defender \u00abra\u00e7as puras\u00bb. A press\u00e3o do pai de Zefirelli sobre a m\u00e3e \u00e9 um caso demasiado comum de machos dominadores \u2013 ainda uma tenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 em grupos pol\u00edticos, religiosos, \u00abintelectuais\u00bb\u2026<\/p>\n<p>E Jesus Cristo? S. Jos\u00e9 n\u00e3o foi \u00abmachista\u00bb como o pai de Zefirelli \u2013 mas n\u00e3o podia estar mais em desacordo com aquele filho totalmente fora dos programas! Acusaremos o \u00abarcanjo Gabriel\u00bb \u2013 que apresentou a gravidez de Maria como facto consumado, sem volta a dar? De modo algum: \u00abarcanjo\u00bb significa \u00abmensageiro importante\u00bb, em nome da Vida. Mas Gabriel pode simbolizar a linguagem daqueles que se acham detentores de uma verdade que oprime como grilh\u00f5es: tens que fazer isto ou aquilo, porque \u00e9 vontade de Deus (ou do Governo, ou do Bispo, ou do Premio Nobel, ou do \u00abHomem das massas\u00bb\u2026). Como vemos, j\u00e1 desde a sua concep\u00e7\u00e3o e primeiros anos de vida, a exist\u00eancia de Jesus foi marcada pelo \u00absinal de contradi\u00e7\u00e3o\u00bb (Lc.2,34). A trapalhada era t\u00e3o grande que Maria e Jos\u00e9 precisaram da ajuda de um arcanjo\u2026<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: A Vida (o nome laico de Deus) \u00abchama-nos desde o ventre materno\u00bb (Jr.1,5). O progresso do nosso saber te\u00f3rico e pr\u00e1tico torna-nos mais respons\u00e1veis pela procura incans\u00e1vel de ambientes humanos, onde o \u00abchamamento da vida\u00bb possa ser escutado com alegria e DISCERNIMENTO.<\/p>\n<p>A grande energia da natureza humana \u00e9 a capacidade e tropismo para a mudan\u00e7a. \u00c9 claro que h\u00e1 mudan\u00e7as para bem e para mal. Mas impedir a mudan\u00e7a \u00e9 matar a pr\u00f3pria sede de mais e melhor vida. E uma pessoa mostra o seu valor ao querer e aceitar as mudan\u00e7as dolorosas no modo de pensar e agir. <\/p>\n<p>O mais \u00abgrave pecado contra a natureza\u00bb \u00e9 pois tra\u00e7ar limites \u00e0 raz\u00e3o e curiosidade humanas: \u00e9 combater os projectos de planeamento familiar e de frui\u00e7\u00e3o do prazer sexual, libertos da ang\u00fastia de despoletar um filho n\u00e3o oportuno, impedindo a evolu\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas anticonceptivas. Como tamb\u00e9m \u00e9 contra a natureza preferir n\u00e3o pensar e entregar-se pregui\u00e7osamente a propostas nada ang\u00e9licas de \u00abarcanjos no poder\u00bb. <\/p>\n<p>Vou votar \u00abn\u00e3o\u00bb \u2013 mas \u00e9 sobretudo um \u00abn\u00e3o\u00bb ao referendo: a \u00abmudan\u00e7a\u00bb proposta esconde jogadas pol\u00edticas para obter dividendos de poder, n\u00e3o recuando perante a informa\u00e7\u00e3o falsa, o \u00abdividir para reinar\u00bb, lan\u00e7ando os portugueses para as bandeiras do Sim e do N\u00e3o, em hordas quantas vezes hist\u00e9ricas e mercen\u00e1rias. Alimentou-se um clima assente em demagogias, fanatismos de toda a esp\u00e9cie, preconceitos culturais, radicalismo religioso, ignor\u00e2ncia, anticlericalismo prim\u00e1rio, velhas desforras sentimentais e ideol\u00f3gicas, ego\u00edsmo\u2026 meu Deus, vai mesmo uma grande trapalhada! O espect\u00e1culo \u00e9 muito mais triste com a escandalosa falta de cultura e educa\u00e7\u00e3o da parte de pol\u00edticos, padres e at\u00e9 bispos.<\/p>\n<p>A efectiva mudan\u00e7a de atitudes para combater as condi\u00e7\u00f5es de vida desumanas n\u00e3o se limita a \u00abmanifestos de compaix\u00e3o\u00bb. Quantos v\u00e3o ao encontro dos homens e mulheres que sofrem \u2013 alguns para provocar aborto (com raz\u00f5es ou n\u00e3o) e muit\u00edssimos mais para n\u00e3o provocar aborto (tamb\u00e9m, muitas vezes, sem pensar as raz\u00f5es)? Continuamos a esconder o grande projecto que nos incomoda: O PROJECTO DA EDUCA\u00c7\u00c3O, que habilite a pensar, agir e trabalhar EM LIBERDADE. \u00c9 um projecto de todos e n\u00e3o s\u00f3 das \u00abpessoas importantes\u00bb, muito menos de \u00abgovernantes\u00bb, que nem sempre s\u00e3o escolhidos entre as pessoas bem educadas\u2026 <\/p>\n<p>Pelo seguro, j\u00e1 encomendei um \u00absuper-arcanjo\u00bb, que me ensine o que \u00e9 a morte no projecto da vida. Mas s\u00f3 o consigo escutar num ambiente produtivamente calmo, um ambiente de restaura\u00e7\u00e3o da liberdade.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}