{"id":8896,"date":"2007-02-08T16:43:00","date_gmt":"2007-02-08T16:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=8896"},"modified":"2007-02-08T16:43:00","modified_gmt":"2007-02-08T16:43:00","slug":"se-um-bebe-transtorna-tanto-a-vida-por-que-nao-nos-matam-agora-que-damos-muito-mais-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/se-um-bebe-transtorna-tanto-a-vida-por-que-nao-nos-matam-agora-que-damos-muito-mais-trabalho\/","title":{"rendered":"\u201cSe um beb\u00e9 transtorna tanto a vida, por que n\u00e3o nos matam agora, que damos muito mais trabalho?\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Foi a resposta daquela rapariguinha de 12 anos que me fez perceber, objectivamente, aquilo que h\u00e1 muito se afirma. Disse ela, com um trejeito de impaci\u00eancia face aos argumentos dos seus colegas de que uma mulher n\u00e3o deveria abortar, porque \u00e9 um beb\u00e9 que se est\u00e1 a matar, que \u201cmais vale matar at\u00e9 \u00e0s 10 semanas, em vez de se abandonar a crian\u00e7a ou dar-lhe maus-tratos.\u201d J\u00e1 tinha ouvido esta opini\u00e3o a v\u00e1rias pessoas, homens e mulheres, de diferentes n\u00edveis et\u00e1rios. Mas\u2026 foi ali que compreendi que parece n\u00e3o haver problema em matar. Banalizou-se a ideia de que tirar a vida a outrem \u00e9 justific\u00e1vel.<\/p>\n<p>Foi o coment\u00e1rio de uma outra rapariguinha de 12 anos que me fez perceber, inequivocamente, que o argumento do projecto de vida da mulher, perturbado por uma gravidez imprevista, \u00e9 absurdo. Afirmou ela, corada, mas segura de si: \u201cSe dizem que um beb\u00e9 vem transtornar tanto a vida das pessoas, por que \u00e9 que n\u00e3o nos matam agora, que damos muito mais trabalho?!\u201d<\/p>\n<p>Foi a atitude empolgada daquele rapaz de 13 anos (que tem a certeza de que a m\u00e3e, que lhe falta muitas vezes com o jantar, n\u00e3o gosta dele, porque j\u00e1 lho disse tantas vezes, exercendo viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica sobre ele) que me fez perceber, definitivamente, que qualquer pessoa tem direito \u00e0 vida. Apesar do sofrimento e da ang\u00fastia que o envolvem, aquele rapaz esquecia-se de si e crescia em frente aos colegas, defendendo quem n\u00e3o pode falar, ele que muitas vezes n\u00e3o tem quem o defenda, ele que muitas vezes n\u00e3o consegue falar. <\/p>\n<p>Foi a observa\u00e7\u00e3o em voz baixa que aquele outro fez, dizendo que tantas crian\u00e7as nascem em fam\u00edlias carenciadas e sem condi\u00e7\u00f5es, mas que s\u00e3o felizes e se tornam pessoas importantes, que me fez perceber, enfim, que pessoas importantes somos todos n\u00f3s. Pessoas felizes poder\u00edamos ser todos, se n\u00e3o nos deix\u00e1ssemos reger por ideias deterministas, de que \u00e9 imposs\u00edvel fugir a um destino tra\u00e7ado superiormente. Bastar\u00e1 dar uma hip\u00f3tese \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Por isso, digo, enfim, objectivamente, inequivocamente e definitivamente N\u00c3O \u00e0 pergunta do referendo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a resposta daquela rapariguinha de 12 anos que me fez perceber, objectivamente, aquilo que h\u00e1 muito se afirma. Disse ela, com um trejeito de impaci\u00eancia face aos argumentos dos seus colegas de que uma mulher n\u00e3o deveria abortar, porque \u00e9 um beb\u00e9 que se est\u00e1 a matar, que \u201cmais vale matar at\u00e9 \u00e0s 10 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-8896","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8896"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8896\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}